Educação financeira e investimentos em discussão Um dos organizadores da Expo Money fala à InvestMais sobre o evento e como vê o brasileiro no quesito educação financeira
Ensinar as pessoas a ganhar e, mais importante, a cuidar do dinheiro. É esse o principal objetivo da Expo Money, realizada no Brasil desde 2003 pela TradeNetwork. Em sua primeira edição, o evento foi realizado apenas em São Paulo. Neste ano, dez capitais brasileiras estão no circuito para um público estimado de 60 mil pessoas. E para falar sobre o maior evento de educação financeira e investimentos do País a InvestMais conversou com Raymundo Magliano Neto, um dos responsáveis pela sua organização.
Como surgiu a idéia de realizar a Expo Money?
Eu morei um tempo nos Estados Unidos e conheci um evento chamado The World Money Show, que neste ano completa 30 anos. Achei interessante e trouxe a idéia para o Brasil. Entretanto, tivemos de adaptá-la, pois o evento deles é muito focado em investimentos e o nosso tem muito de educação financeira, devido à renda do brasileiro ser bem menor que a dos norte-americanos e também, porque fundamental que ele tome consciência da importância do dinheiro e dos investimentos. Por isso, a educação financeira tem grande representatividade na Expo Money. Hoje, ela tem 50% de educação financeira e 50% de educação para investimentos. Nosso grande objetivo é ensinar as pessoas a importância do dinheiro e investimentos e desmistificar o medo que elas têm de investir dinheiro, já que ele existe por falta de conhecimento. A Expo Money dá esse conhecimento e com ele as pessoas perdem o receio e se tornam investidoras.
A que se deve o crescimento?
Desde 1994, quando a inflação no Brasil baixou, as pessoas começaram a pensar no longo prazo e em investir. Outro ponto que pesou a favor foi a possibilidade de utilizar o FGTS para comprar ações da Petrobras e Vale do Rio Doce. A Bovespa também teve muita importância na popularização do mercado quando originou, em 2002, o programa Bovespa Vai Até Você. Aproveitando esse cenário favorável, criamos a Expo Money. Em 2003, tivemos a primeira edição em São Paulo. Em 2004, fizemos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em 2005, incluímos Belo Horizonte. Em 2006, Curitiba foi inserida no circuito e fizemos seis eventos ao todo. No ano passado, foram nove e neste serão 11, sendo dois em São Paulo.
Falando em educação financeira, como você vê o brasileiro?
Vejo o brasileiro muito interessado, as pessoas estão preocupadas com o dinheiro. Estão buscando informação na Expo Money, em livros, internet, jornais, revistas, etc. E é isso que realmente é importante. A partir do momento que as pessoas buscarem essa educação, o Brasil será um País melhor, a economia se fortalecerá ainda mais e muitas empresas abrirão capital. Uma nação forte precisa ter um mercado de capitais forte. Os investimentos estão crescendo, mas ainda há um caminho muito grande a trilhar em nosso País. Para se ter uma idéia, na Austrália, 50% da população investe no mercado de capitais, sendo que lá a quantidade de habitantes é de 20 milhões. No Brasil, só 486 mil pessoas investem diretamente. No entanto, estimamos que nos próximos cinco anos esse número possa chegar a 10 milhões, mas para isso acontecer, é necessário educar e incentivar a cultura de investimentos. Precisamos acabar com esse preconceito de que educação financeira é só para quem faz Economia e Administração. Todos precisam aprender a gerenciar seu dinheiro.
E como fazer isso?
Estamos fazendo uma campanha que visa inserir a educação financeira nas escolas. Eu cursei Economia e não tive educação financeira em meu curso. Aprendi como cuidar do dinheiro de uma empresa e de um país, mas não aprendi como lidar com meu próprio dinheiro. Se os jovens começarem a se educar financeiramente vão precisar guardar muito pouco de seus salários para ficarem milionários no futuro. É importante que eles se interessem, comecem a guardar dinheiro e tenham o cuidado de não gastar agora, o que se faz facilmente quando somos jovens. É muito fácil você alcançar um milhão de reais. Todo mundo acha que ser milionário é algo de outro mundo, quando, na verdade, não é, afinal, se você guardar 300 reais por mês durante 30 anos e souber investir bem o dinheiro, você se tornará milionário.
Você percebe alguma diferença no perfil do investidor conforme a região do Brasil?
Sim. Sentimos que existem distinções de perfis e interesses de acordo com a região. No Sul notamos que a cultura de poupar e investir está mais presente, justamente pela busca de conhecimento, informação e hábito da leitura. Por isso, a programação de palestras tem um perfil diferenciado e mais voltado para o mercado de investimentos. Também temos percebido que nessa região os investidores são mais arrojados, principalmente no Rio Grande do Sul, onde existe a cultura de investir no mercado de capitais de longa data. Já no Nordeste, trabalhamos mais a educação e o planejamento financeiro, para que as pessoas possam investir, mas acreditamos que também existe um grande potencial nos estados dessa região, e essa realidade vem mudando com o crescimento do número de investidores.
Existe algum segredo para obter sucesso financeiro?
Sim, disciplina e planejamento. Tem gente que ganha 30 mil reais por mês e deve no cartão de crédito, enquanto existem pessoas que ganham três mil reais mensais, conseguem guardar dinheiro e vão ser milionárias. É uma relação antagônica. A pessoa que ganha 30 mil está tendo um padrão de vida de 40 mil reais, quando deveria ter de 20 mil reais. O problema é que as pessoas gastam o que ganham e quando são promovidas, passam a gastar também o valor do aumento que recebem, deixando de lado as reservas.
Ao longo dos últimos anos, a mulher tem demonstrado ser cada vez mais interessada em poupar e investir seu dinheiro. Isso é percebido nos corredores da Expo Money?
No primeiro ano, em São Paulo, 15% do total de participantes eram do sexo feminino. Neste ano, temos quase 30%. Isso se deve ao fato de que elas são excelentes investidoras, pensam no longo prazo, nos filhos, etc. O homem é muito mais imediatista, gosta de comprar hoje para vender amanhã. Por isso, muitas instituições estão buscando essa mulher, inclusive a Bovespa com o programa ?Mulheres em Ação?, que incentiva elas a conhecerem o mercado de capitais.
Qual conselho você daria para as pessoas que já não são mais jovens, mas ainda desejam investir?
Nunca é tarde para começar. Claro que é mais difícil para as pessoas mais velhas, porém elas tem de guardar dinheiro. O que acontece no Brasil é que quando você vai se aposentar acaba tendo de depender do seu filho. Isso me lembra o ditado: ?Um pai sustenta sete filhos, mas sete filhos não sustentam um pai?. As pessoas têm de ter isso na cabeça. Você consegue sustentar os sete filhos, mas quando for se aposentar não dependa deles, economize seu dinheiro. Se você tiver 60 anos, ainda há tempo para ter um pouco de ações e investir em renda fixa. Dá para diversificar o portfólio de investimentos. As pessoas estão morrendo cada vez mais tarde. Você tem de poupar dinheiro para isso.
Quais são os próximos objetivos da Expo Money?
Queremos crescer mais a cada ano. Imaginamos que todas as capitais do Brasil têm condições de receber a Expo Money. Estamos testando um modelo diferente em parceria com o Instituto Nacional dos Investidores (INI), que é o Expo Money INI Day. Se o evento tiver uma boa receptividade, no ano seguinte faremos um de porte maior. Este ano, realizaremos ele em algumas capitais e também cidades do interior que pensamos ter condições de receber um grande evento.
Próximos eventos do circuito Expo Money
Porto Alegre ? 12 e 13 de julho
Brasília ? 06 e 07 de agosto
São Paulo ? 17 a 19 de setembro
Belo Horizonte ? 22 e 23 de outubro
Vitória ? 28 e 29 de outubro
Rio de Janeiro ? 26 e 27 de novembro
Expo Money INI Day
Goiânia ? 09 de agosto
Campinas ? 16 de agosto
Natal ? 30 de agosto
Joinville ? 06 de setembro
Cuiabá ? 27 de setembro
Uberlândia ? 25 de outubro
Manaus ? 08 de novembro
Juiz de Fora ? 29 de novembro
Colaboração: João Guilherme Brotto


