10 Efeitos Da Administração Atual
Na década de 80, a Belprato era líder de um dos mais importantes nichos do mercado carioca do setor de alimentos. Em 1986, a Mesbla foi escolhida pela revistaExame como a melhor empresa do Brasil. Em 1990, a comunidade empresarial brasileira elegeu José Eduardo de Andrade Vieira, Mamede Paes Mendonça e Olacyr de Moraes entre suas cinco mais importantes lideranças. Até meados do primeiro qüinqüênio da década de 90, Metal Leve, Cofap, Brinquedos Estrela e Banco Nacional eram considerados símbolos de excelência. Os grupos Itamaraty, Fragoso Pires e Arbi eram então reconhecidos como ícones do verdadeiro empreendedorismo do século XXI.
O que essas empresas e empresários têm em comum? Além da óbvia dificuldade financeira que todos conhecem, elas eram geridas por pessoas capazes que usavam as mais modernas técnicas de gestão contemporâneas. Planejamento estratégico, qualidade total, reengenharia, kaizen, treinamento e desenvolvimento, encantamento do cliente, valorização dos funcionários, benchmarking. Enfim, tudo o que o dicionário da modernidade exigia fazer.
Ninguém pensava negativo e, muito menos, queria quebrar. Algumas das principais empresas de consultoria do Brasil e do mundo eram contratadas para dar suporte às suas decisões. Longe de jogá-los na fogueira perversa da crítica, devemos usar seus exemplos como lições de aprendizado para – acima de tudo –
aprendermos a desaprender e criar as bases de uma nova ciência da administração.
Sem a menor pretensão de cobrir mesmo uma pequena parte do que deve ser repensado, Marco Aurélio Ferreira Vianna, Presidente do grupo MVC – Estratégia e Humanismo, nos mostra uma série de efeitos que estão moldando a gestão das empresas atualmente:
Efeito Barings
“Dê toda a atenção ao improvável”
Nick Leeson, um jovem de 30 anos, acumulando operação e controle, transforma em pó, em apenas seis meses, uma instituição financeira de 200 anos. Nessa mesma linha, uma muzzarela mal comprada abala o Makro e a inadimplência de cheques faz as Lojas Americanas tremerem.
Ou seja: planeje o possível, mas seja aberto – e rápido – para as mudanças que podem surgir na sua empresa, no seu mercado ou na sua equipe.
Efeito Bill Gates
“Tenha humildade para mudar sempre”
Quando ele percebeu sua miopia em relação ao fenômeno da internet, não fez posição em cima da maior fortuna do mundo, deitando-se nos louros do que já passou. Apesar dos seus 40 bilhões de dólares, teve humildade para saber que as causas da vitória no futuro são cada vez mais diferentes das causas da vitória no passado. Flexibilidade permanente, mudança contínua e adequação farão parte do dicionário da empresa bem-sucedida nos próximos anos.
Ou seja: comemore sua vitória e seu sucesso, mas não se esqueça que o mundo continua girando e, as mudanças, acontecendo… e que você e sua empresa, precisam acompanhar tudo isso.
Efeito Arriortua
“Produzir será cada vez mais uma tarefa automática”
O processo modular de fabricação, com imensa participação dos fornecedores, também usado de forma análoga pelo Wal-Mart, transforma a empresa em uma grande central de coordenação de atividades, com conseqüências brutais sobre os níveis de produtividade, competitividade e hiperprodução.
Ou seja: automatização não é mais coisa para amanhã! Que passos da compra você pode eliminar ou automatizar para o seu cliente? Seus vendedores precisam estar em contato com a informática!
Efeito Amazon
“A estrutura de distribuição de produtos e serviços será completamente reformulada”
Atualmente, a maior livraria do mundo não tem um metro quadrado de loja, ganhando competitividade e interagindo de forma direta com seu cliente.
Ou seja: fazer negócios como se fazia a alguns anos pode até funcionar, mas certamente não atinge o seu máximo de potencial. Pense além do tradicional.
Efeito Dorothéa
“As empresas precisam sorrir”
Amar o que se faz, com comprometimento e entusiasmo (mais uma vez, a palavra grega que quer dizer Deus dentro de nós) completos com o trabalho, será a única maneira de se produzir com a qualidade e excelência indispensáveis às exigências que o mercado vai impor de forma cada vez mais consistente.
Ou seja: será que a sua empresa sorri o suficiente? Seus clientes certamente percebem isso. E eles querem estar com empresas comprometidas!
Efeito Betinho
“Uma empresa não pode ser rica dentro de uma comunidade falida”
Progressivamente será consolidado o conceito de empresa cidadã, sendo conscientizados empresários e executivos que as organizações têm uma missão muito mais nobre do que apenas maximizar lucros: seu papel maior é o de agregar valor ao universo e à humanidade.
Ou seja: as empresas hoje precisam se preocupar em ter lucro – mas, principalmente, em reverter parte deste lucro para a comunidade em que atua. Seja em forma de sustentabilidade, seja em forma de apoio aos moradores.
Efeito Steinbruch
“Existe uma nova onda jovem de pensamento e estratégia”
Usando métodos novos, com atalhos heterodoxos, com recursos de um banco desconhecido e, principalmente, com a capacidade de fechar alianças efetivas, um jovem leva para casa uma das maiores empresas de mineração do mundo. Mais do que tudo: em três meses.
Ou seja: não importa a idade que tenha, sua mente precisa ser jovem para agir rapidamente, e sem correntes mentais.
Efeito Arbi
“Tenha foco naquilo que você tem condições de ser campeão”
O antigo pensamento de “quem faz tudo para todos não faz nada para ninguém” continua cada vez mais na ordem do dia, como um dos fatores críticos de sucesso da empresa triunfadora do fim do século. Faça somente aquilo que você souber fazer de maneira excepcional.
Ou seja: foque o que você faz bem. Não tente se aventurar com tarefas ou estratégias que você não domina. Primeiro, vire um expert.
Efeito Senna
“Todos os colaboradores em uma empresa devem ter naturalmente a vocação de um campeão”
Ao ambiente de competitividade que se seguirá nos próximos anos, as empresas deverão responder com excelência, tendo como meta obstinada estar sempre entre os primeiros lugares no pódium. Infelizmente, não haverá lugar para todos e, muito menos, para os medíocres.
Ou seja: já se foi o tempo que uma equipe de vendas poderia ter 1 campeão, 3 vendedores mediados e 2 ruins. Hoje, ou todo mundo é muito bom (ou pelo menos, em ascensão) ou nada feito.
Efeito Wall Street
“Resultados econômicos de médio e longo prazo devem ser perseguidos no limite da obsessão”
Não adianta ser uma empresa feliz e falida, sábia e deficitária. Todos os colaboradores de uma organização devem ter a mentalidade do lucro, a postura das metas e, principalmente, a gana de gerar rentabilidade.
Ou seja: não olhe apenas as suas vendas hoje, mas analise a evolução que elas estão tendo. Pense no médio e longo prazo também.
Confira quais destes efeitos já estão em prática na sua empresa e quais deles ainda precisam ser analisados e então, aplicados.
A gestão de hoje certamente não é a mesma que a de alguns anos atrás. E a sua empresa, ainda é a mesma?
Pense nisso e venda mai$!


