Vivemos em um país que ainda está aprendendo a ser competitivo: os empregados com medo de serem demitidos e os empresários temendo pelo destino dos seus negócios.
Vivemos em um país que ainda está aprendendo a ser competitivo: os empregados com medo de serem demitidos e os empresários temendo pelo destino dos seus negócios. Os políticos afirmam que a culpa é de quem está no comando do governo. O governo culpa os políticos por não votarem a reforma fiscal. Os vendedores culpam os concorrentes por fazerem loucuras e suas representadas por não baixarem os preços. Culpam também os clientes, que além de comprarem pouco, ainda querem mais descontos. De outro lado, as empresas culpam os impostos e as poucas vendas dos vendedores. Enfim, todo mundo se sente inocente em um mundo onde todos somos culpados. Será esse o caminho para alcançarmos a alegria e o sucesso na vida pessoal e profissional?
Durante uma palestra questionei a platéia sobre as desculpas que as pessoas arrumam para justificar seus insucessos na vida. Muitas deram suas opiniões, mas foi no intervalo que obtive a melhor resposta para o questionamento. Pelo ensinamento que a história trouxe a todos que ali estavam, fui motivado a publicá-la este mês para você também usufruir e compartilhar com seus colegas e amigos.
A HISTÓRIA DO ZÉ ALEGRIA
Havia uma fazenda onde os trabalhadores viviam tristes e isolados. Eles estendiam suas roupas surradas no varal e alimentavam seus magros cães com o pouco que sobrava das refeições. Todos que viviam ali trabalhavam na roça do Sr. João, dono de muitas terras, que exigia trabalho duro, pagando pouco. Um dia chegou ali um jovem agricultor em busca de trabalho. Foi admitido e recebeu, como todos, uma velha casa para morar enquanto trabalhasse ali. Vendo a casa suja e abandonada, o jovem resolveu dar-lhe vida nova. Cuidou da limpeza e, em suas horas vagas, lixou e pintou as paredes com cores alegres e brilhantes, além de plantar flores no jardim e nos vasos.
A casa limpa e arrumada destacava-se das demais e chamava a atenção de todos que por ali passavam. Ele sempre trabalhava alegre e feliz na fazenda, por isso tinha o apelido de Zé Alegria. Os outros trabalhadores perguntavam: como você consegue trabalhar feliz e sempre cantando com o pouco dinheiro que ganhamos? O jovem olhou para os amigos e disse: bem, este trabalho hoje é tudo que eu tenho. Ao invés de blasfemar e reclamar, prefiro agradecer por ele. Quando aceitei trabalhar aqui, sabia das condições. Não é justo agora reclamar. Farei com capricho e amor aquilo que aceitei fazer. Os outros, que acreditavam ser vítimas das circunstâncias, abandonados pelo destino, o olhavam admirados e comentavam entre si: “como ele pode pensar assim?”.
O entusiasmo do rapaz, em pouco tempo, chamou a atenção do fazendeiro, que passou a observá-lo à distância. Um dia o Sr. João pensou: “Alguém que cuida com tanto carinho da casa que emprestei, cuidará com o mesmo capricho da minha fazenda. Ele é o único aqui que pensa como eu. Estou velho e preciso de alguém que me ajude na administração da fazenda”. Num final de tarde, foi até a casa do rapaz e, após tomar um café fresquinho, ofereceu ao jovem o cargo de administrador da fazenda. O rapaz aceitou prontamente. Seus amigos agricultores novamente foram lhe perguntar: “O que faz algumas pessoas serem bem-sucedidas e outras não?” A resposta do jovem veio logo: “Em minhas andanças, meus amigos, eu aprendi muito e o principal é que: não somos vítimas do destino. Existe em nós a capacidade de realizar e dar vida nova a tudo que nos cerca. E isso depende de cada um”.
Faça você a sua parte sem se importar se o outro está fazendo também. Toda pessoa é capaz de fazer mudanças significativas no mundo que a cerca. Mas, o que geralmente ocorre é que, ao invés de agir, jogamos a responsabilidade da nossa vida sobre os ombros alheios. Sempre encontramos alguém a quem culpar pela nossa infelicidade, nos esquecemos que ela só depende de nós mesmos. Para fugir da responsabilidade, muitos jogam a culpa no governo, nos empresários, políticos, na sociedade como um todo, esquecidos de que quem elege os governantes são as pessoas; que quem gera empregos são os empresários e que a sociedade é composta pelos cidadãos. Assim sendo, cada um tem a sua parcela de responsabilidade na formação da situação que nos rodeia.
Para ser feliz, basta dar ao seu mundo um colorido especial, como o personagem desta história que, mesmo numa situação aparentemente deprimente para os demais, soube fazer do seu mundo uma realidade bem diferente. E conforme ele mesmo falou: existe em nós a capacidade de realizar e dar vida nova a tudo que nos cerca.
(cedido por Regina Célia A. Guadalupe – Goiânia – conto de autoria desconhecida)
Artigo originalmente publicado na revista VendaMais de novembro de 2002 e revisado para a edição de aniversário da VendaMais de abril de 2004.


