Eleja um mentor

Vale a pena distinguir dois tipos de parceiro: os cúmplices, que nos apóiam na hora da virada, e os mentores, que nos inspiram durante a travessia. Vale a pena distinguir dois tipos de parceiro: os cúmplices, que nos apóiam na hora da virada, e os mentores, que nos inspiram durante a travessia.

Por César Souza O cúmplice é aquele que torce pelo seu sucesso, dá o beijo de boa sorte, oferece o ombro para você desabafar, celebra suas vitórias. É fundamental ter alguém com quem compartilhar os planos, as idéias, as intenções.

O mentor é quem estimula o crescer. Embora seja idéia corrente que o ?mestre? saia à caça de ?discípulos?, a quem ensinará e protegerá para que dêem prosseguimento ao seu trabalho, o que ocorre na verdade é o inverso. O discípulo competente é aquele que procura o mestre. Cada um escolhe seu mentor. Se levarmos em conta o fato de que os sonhos são alvos móveis, é de esperar que ao longo da vida a pessoa tenha vários mentores. À medida que o porto de destino e a etapa da vida se transformam, é legítimo que mude também o mentor.

Tive vários cúmplices ao longo de minha trajetória e também encontrei excelentes mentores: José Osório Reis, querido amigo e professor da Faculdade de Administração, com quem escrevi meu primeiro artigo para a revista Exame, em 1978; João Eurico Matta e Fabrício Soares; Igor Ansoff, Reitor da Vanderbilt University; e Norberto Odebrecht e Renato Baiardi, grandes inspiradores de vários sonhos. Atualmente tenho vários novos mentores com os quais aprendo no dia-a-dia. Alguns são grandes empresários e executivos. Outros são anônimos notáveis, empreendedores natos, pessoas simples que implementaram ações grandiosas.

Até hoje me recordo a maneira como conheci e elegi Igor Ansoff meu mentor e como ele me inspirou. Certo dia andava pelo pátio da Faculdade de Administração, onde entrei em 1970, quando vi, por uma janela aberta, os professores reunidos em uma sala. Eles ouviam atentamente uma palestra em inglês proferida por um convidado. Não entendi metade do que ele dizia, mas fiquei impressionado com a forma com que ele se comunicava e com as reações da platéia. O professor José Osório me explicou depois que ele era Reitor da Vanderbilt University e criador do conceito de ?estratégia empresarial?, ainda incipiente na época. Achei aquelas idéias fantásticas e decidi que Ansoff seria meu mentor.

Para fazer mestrado com aquele professor nos Estados Unidos, contudo, eu precisava dominar o inglês. Foi então que, em 1973, vendi meu Fusquinha, comprado em sessenta prestações. Com o dinheiro, viabilizei minha viagem para Alamosa, uma cidade do interior do Colorado, nos Estados Unidos, onde fiquei durante três meses morando em uma casa de família. Troquei o carro, que me levava pela cidade, por um veículo, o idioma, que me levou para o mundo.

É preciso perceber as portas que se abrem, quando menos se espera, ao longo de nossa vida. Em meu caso, não foi uma porta que se abriu, e sim literalmente uma janela para um mundo novo. Minha dica é: esboce seu plano ? aonde quer chegar daqui a três ou cinco anos? Faça também uma lista dos mentores que gostaria de ter e os cúmplices com quem pode contar durante essa travessia.

César Souza é palestrante, fundador da Empreenda, empresa de consultoria dedicada à estatégia empresarial, e sócio da Creative Works, consultoria de desenvolvimento da clientividade nas empresas. Para saber mais: O Momento de Sua Virada, de César Souza (Editora Gente ? www.editoragente.com.br) ?Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina? Cora Coralina

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