Empreender é preciso

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O casamento de empreendedores capacitados com investidores que tenham visão de longo prazo é uma alternativa para a multiplicação de empreendimentos. A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de baixar a taxa básica da economia (Selic) em meio ponto percentual reduziu o índice nominal de juro para 14,75% ? a menor em mais de 30 anos. No entanto, a taxa da Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) ainda está muito elevada. Caso o Banco Central deseje alcançar a meta de crescimento proposta para 2006, precisará acelerar essa queda.

Por isso, longe de ser comemorada, a decisão do Comitê foi considerada muito tímida por representantes das forças produtivas do País, empresários industriais e centrais de trabalhadores, representantes da parcela de brasileiros cujas ações têm um efeito direto sobre a economia real. Particularmente, acredito que a lentidão da queda demonstre o enfoque no controle da inflação em detrimento do desenvolvimento econômico do País. Essa baixa velocidade de queda tem o mérito da prudência, mas tem também a insuficiência de retardar o desenvolvimento econômico.

De fato, na análise geral desses setores, o cenário macroeconômico não só abre um espaço para uma queda maior da taxa básica de juros, como a falta de ousadia do governo em avançar firme nessa direção retarda os investimentos produtivos necessários para o País dar início ao tão almejado círculo virtuoso em sua economia, o que garantiria um desenvolvimento verdadeiramente sustentado.

Em outras palavras, embora o Brasil reúna várias condições, internas e externas, para buscar um crescimento anual do Produto Interno Bruto (PIB) acima dos 3,5% previstos para este ano, o desenvolvimento poderia ser mais robusto se o quadro fosse mais favorável ao investimento na produção.

Um estudo recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que a confiança do empresariado brasileiro diminuiu. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) alcançou 52,9 pontos agora, ante os 55 pontos apurados em abril. A redução no indicador aponta que a economia brasileira terá recuperação mais lenta do que era esperado. Ou seja, conclui exatamente isto: sem um incremento dos investimentos, não haverá aceleração no crescimento econômico do País. Ou seja, se formos esperar uma atitude mais ousada das autoridades monetárias, vamos continuar morrendo de inveja das taxas de crescimento que têm alcançado países como China, Índia e até, para ficarmos ainda mais vexados, de vizinhos nossos como a Argentina.

O estudo ? que envolveu 199 grandes empresas e 1.188 pequenas ? revelou, ainda, que o pessimismo é maior no segmento das médias e pequenas empresas. A falta de otimismo do médio e pequeno com a evolução dos negócios revela a percepção do setor sobre o ambiente atual do desenvolvimento. É uma sinalização de que, para essas empresas, o crescimento da economia ainda é muito incipiente.

No entanto, ocorre que nós estamos assistindo há algum tempo no País um fenômeno interessante: o empreendedorismo dos brasileiros supera expectativas. Claro que qualquer cometimento supõe investimentos ? ninguém seria tolo de ignorar essa realidade. Mas o outro lado também é verdadeiro: a ausência de capacidade realizadora inviabiliza qualquer aplicação. Negócios bem estruturados, mais que investimentos isolados, conseguem superar dificuldades econômicas promovendo um impacto direto e eficaz no giro da roda econômica.

E capacidade empreendedora parece que não está nos faltando. Nos últimos dez anos, por exemplo, assistimos a uma drástica redução no nível de empregos executivos. Claro que isso resultou em efeitos nefastos, mas trouxe pelo menos uma oportunidade nascida da crise: o aparecimento de um grande contingente de cometedores, muitos deles mobilizados mais pelo uso eficiente de seus talentos e competências do que ancorados em grandes capitais para investimento.

Esses empreendedores são quase heróis. Nadando contra a corrente em um cenário tão desfavorável, persistem em planos que, em última análise, vão somar-se, quando concretizados, ao fortalecimento da economia real no País.

Evidentemente, o melhor dos mundos seria o que reunisse as condições mínimas para assegurar um crescimento nos investimentos produtivos. É claro, também, que alterações que tornassem nossas regras fiscais e regulamentações jurídicas mais favoráveis aos negócios são mais do que bem-vindas. Essas questões são empecilhos relevantes para permitir que os empreendimentos sejam alavancados.

Mas o que nos falta mesmo é justamente o casamento de empreendedores capacitados com investidores que tenham visão de longo prazo ? uma forma de contrabalançar o investimento meramente especulativo que pouco impacto produz nas nossas legítimas aspirações de desenvolvimento.

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