EMPREGABILIDADE. E EU COM ISSO?

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Empregabilidade. Você com certeza já ouviu essa palavra. Mas o que ela significa? E uma nova moda de admimstrar empresas? Mais um termo que temos de decorar no nosso dia-a-dia dos negócios (pelo menos este não está em inglês)?

A empregabilidade pode ser resumida em um caso mais ou menos assim: aquela reunião já se arrasta por horas. De vez em quando, a copeira entra para uma nova rodada de cafezinho e esvaziar os cinzeiros. Ela percebeu que o assunto era grave quando o diretor financeiro bebeu as cinzas e tentou acender o café. E percebeu que o assunto era muito grave quando ninguém percebeu isso. E percebeu que o assunto era desesperador quando o diretor financeiro conseguiu acender – e fumar – o café. Ela pegava uma ou outra frase mais ou menos assim:

– Precisamos cortar custos.

– Bem, vamos ter que demitir, então.

– Temos de desenvolver uma linha de produtos nova, que faça a diferença no mercado.

– O que significa que precisamos de gente competente e bem treinada aqui.

– Mas essa linha nova deve ser barata,

– 0k, isso significa cortar custos.

– Vamos demitir,

– Olha, estamos perdendo participação no mercado. No Nordeste, por exemplo, caímos 70% em três meses.

– Certo, vamos contratar alguns vendedores qualificados, e gente para desenvolver a nova linha de produtos.

– É provável que esse mês fiquemos no vermelho, de novo.

– Então, vamos ter que demitir.

– Espere um pouco, afinal, vamos demitir ou contratar?

– Senhoras e senhores, só vejo uma solução para esse nosso problema. Cara, demitimos. Coroa, contratamos.

Você acha essa história inverossímil””””? Aqui vai na exemplo real: a Brahma pode rodar hoje uma cervejaria que antes empregava 1000 funcionários, com apenas 400-desde que três quartos deles possuam nível universitário.

As empresas e as pessoas estão em uma encruzilhada. De um lado, para permanecerem no mercado, as companhias precisam cortar custos, melhorar margens, aumentar a produtividade, vender produtos melhores por menos. Cortar pessoal. De outro, para desenvolver melhores serviços e produtos, para possuir excelentes estratégias, ter gana, ser inovadora e aumentar presença no mercado. Para isso, faz-se necessário atrair e manter pessoas qualificadas e competentes. E agora? A saída das empresas é uma só: quem fica deve ser superqualificado. A empresa precisa se diferenciar.

Isso é empregabilidade. A palavra de ordem é: menos e melhores empregados. Aí, para definir “melhores”, é outro drama. E para encontrar esse pessoal, é mais difícil ainda.

Esse é um caminho sem volta. Não fique aí lamentando o fim dos velhos tempos, onde você entrava em uma empresa e se aposentava quarenta anos depois, e ia jogar damas e reclamar da Previdência.

As empresas exigem uma nova atitude de seu pessoal. As pessoas sabem que, se não se mexerem, correm graves riscos. E, mesmo assim, elas não se mexem.

Segundo o consultor José Teofilo Neto, diretor da Comunicação Direta, ninguém faz seu próprio plano de carreira. As empresas estão dissecando melhor o seu negócio, efetivamente descobrindo certos valores. Se, de um lado, os clientes querem que resolvam seus problemas, do outro, as empresas querem que o vendedor tenha idéia de potencial, saiba avaliar clientes, identifique causas de problemas e tenha capacidade de análise. Não é somente compartilhara amizade do cliente.

A tendência é sobressair o especialista em vendas, em clientes, em gente e em negociação.

O futuro pertence ao consultor em vendas. Não aquele que sabe tudo sobre um determinado produto, mas aquele que sabe identificar necessidades e vender soluções. Que identifica o que pode ser feito de melhor para aquela pessoa ou empresa que está à sua frente.

Como se encontra um vendedor assim? E, mais importante, com você pode se tomar um vendedor assim? Bem, você sabe o que é necessário. É necessário estudar, se desenvolver e se aperfeiçoar.

Porém, de acordo com uma pesquisa feita por Técnicas de Venda””””, se esse discurso é conhecido por todo mundo, existe uma grande distância entre ele e o que realmente é feito pelas pessoas, nas empresas. Todos concordam que é necessário treinar, todos querem progredir nos seus empregos. Mas poucos fazem isso.

Fale a língua do chefe

Se você trabalha em uma multinacional, por exemplo, é imprescindível que você fale inglês e a língua da matriz (o que é um pouco complicado se você trabalhar na Toyota ou na Nokia). Mas aprender japonês e filandês tem suas vantagens. Depois que o fizer, qualquer outra coisa que você tenha de enfrentar será mais fácil. Se isso o assusta, pense bem: você ainda era um bebê quando aprendeu uma das línguas mais difíceis do mundo, o português. Diante disso, qual a dificuldade de se aprender outro idioma? Mas o aperfeiçoamento pessoal não se restringe a isso. Quantos livros você leu no último ano?

Nestes tempos de globalização, é indispensável que você saiba pelo menos mais uma língua. E que saiba o que está acontecendo por aí. Na nossa pesquisa, foi apurado que 24,60 o dos profissionais de venda não falam absolutamente nada de inglês e 11,7% não participaram de nenhum curso durante o ano de 1997.

Vários fatores são responsáveis por isso. Perguntamos aos nossos leitores qual a principal razão de eles não se aperfeiçoarem profissionalmente.

A resposta que mais ouvimos: falta tempo. Além de ser disparado o primeiro colocado na pesquisa, o motivo tempo ainda entrou mais duas vezes, como Dificuldade em conciliar o tempo – aquisição de novos conhecimentos sem comprometer o andamento dos serviços habituais” e “Os cursos geralmente ocorrem no horário de trabalho”. O tempo pode ser mesmo um grande complicador. Isso é algo que a família Schürmann ouviu muito, antes de passar dez anos no mar:

– Gostaria de ter a coragem e o tempo para fazer o mesmo-confessou a Vilfredo Schürmann o presidente de uma empresa.

– Não por isso – corrigiu. O tempo, eu estou criando, e a coragem, estou tomando.

Você sempre sabe da existência de um curso com um mês de antecedência. Tempo mais do que suficiente para escalonar suas tarefas mais importantes e deixar um dia livre.

Também não atrapalharia em nada, ler umas dez páginas de um livro por noite, ou mesmo quando você fica preso no engarrafamento.

Também passa pela questão de tempo duas outras razões ouvidas: os cursos noturnos são cansativos e faltam cursos no final de semana. Isso é relativamente fácil de ser resolvido. Arranje quatro ou cinco colegas que também estejam interessados em, por exemplo, aprender uma nova língua. Procure uma escola dizendo que você está com uma classe fechada para eles, em troca de um horário adequado às suas necessidades.

Outra reclamação constante é a falta de informação e cursos fora das grandes cidades. Esse problema pode ser resolvido da mesma forma com que se arranja cursos em horários especiais: primeiro arranja-se os interessados, depois vai-se à procura de quem pode fornecer o curso em sua cidade.

Empurrando problemas

Os funcionários também reclamam, e bastante, que as empresas não investem neles, não patrocinam cursos e palestras. Agora, essa pesquisa foi realizada com empresários, também. Eles afirmam que não investem tanto em treinamento, entre outras coisas, porque falta “motivação e entusiasmo por parte da equipe” e devido a “baixos rendimentos.,falta de treinamento adequado, nível cultural, ausência de hábito de leitura”. Ou seja, tomou-se um autêntico jogo de empurra-empurra, no qual os dois lados, querendo se eximir de culpa, acabam não fazendo nada.

E assim todos perdem. E não enxergam a culpa que, na realidade, é de ambos.

As pessoas não percebem que elas não trabalham para esta ou aquela empresa, trabalham para si mesmas.

É a sua carreira, seus sonhos, sua vida. Não fique esperando que alguém venha lhe oferecer um curso, um livro ou dar um conselho. Veja o que você espera de sua carreira, e vá atrás. Já as empresas, estão agindo como o Zagallo: não treina a equipe, fica dependendo dos valores individuais. Quando estes faltam, sua empresa perde. Mas o Zagallo, pelo menos, pode culpar a Imprensa. Você não tem essa vantagem.

Através da mesma pesquisa, percebemos o quanto as pessoas estão querendo se tomar esse novo profissional, esse empreendedor de si mesmo. Arcas como motivação, criatividade e negociação estão entre as que mais geram interesse. É o desejo de se tornar um trabalhador melhor. Tudo muito bom, mas não se pode ficar esperando alguém lhe oferecer estas ferramentas. Lembre-se, sua empresa é você.

O novo profissional

Estes são novos tempos. Sobre viverá quem se adaptar a ele. Até poucos anos atrás, uma carreira podia ser resumida assim: você está com 23,24 anos, um diploma debaixo do braço, anais alguns cursos como computação e línguas e, no mínimo, um ano de estágio. A luta pelo primeiro emprego é árdua, mas você consegue finalmente um. Enquanto luta dia e noite para impressionar seus superiores, pensa nos benefícios que virão daqui a algum tempo.

Lá pelos 35, você já está bem encaminhado em sua carreira. Fez o possível e o impossível para corresponder às expectativas da sua empresa. Perde algumas noites de sono, reclama muito, mas cumpre suas metas.

Depois dos 45, seus eventuais receios de não ser bem-sucedido se transformam em pânico. Afinal, reengenharia, downsizing e técnicas de produtividade vêm ceifando cargos nas empresas, e o grupo de pessoas mais atingidas são as da sua faixa etária. Mas a essa altura, você já sabe como se defender, como se ligarás pessoas certas dentro da empresa. Você passa mais tempo se defendendo de possíveis ataques do que, efetivamente, trabalhando.

Agora você está com 50 e poucos anos. Nem pensa em se aposentar. Um cargo decorativo no conselho de administração da empresa surge no seu horizonte. Você passa a encher a paciência dos garotos de 23, 24 anos que entram na sua empresa: “Agora está tudo muito fácil. Quando eu tinha a sua idade…”

E como é a nova carreira que está surgindo?

Aos 23, 24 anos você está com um diploma e vários cursos embaixo do braço e vai à luta por um emprego.

Lá pelos 35, você já passou por três ou quatro empresas, sempre com cargos mais elevados. Você tira dois meses para fazer um curso muito bom na Argentina, aproveitando para exercitar o espanhol que você aprendeu dois anos atrás.

Aos 45 anos, você é convidado pelo presidente da companhia para qual você trabalha para dar uma palestra a seus companheiros que estão desesperados com a reengenharia e o downsizing. Afinal, você tem experiência em várias empresas que passaram por isso e leu muito sobre o assunto.

Aos 50, você divide seu tempo entre dar consultoria para pequenas empresas, escrever seu livro sobre vendas e pescar. Dependendo do tempo que estiver fazendo lá fora, e não necessariamente nessa ordem.

As empresas estão se arrumando, se informatizando e modificando o perfil de suas equipes de trabalho. O emprego mudou de configuração. Daqui para a frente, o que vai prevalecer é a relação empresa-empresa. Você é uma empresa, e vai vender seus serviços para quem mais interessar, em determinada época. Você pode não ser um consultor de fato, mas deve pensar e agir como um. Ou seja, você pode não arrumar um emprego, mas vai sempre encontrar trabalho.

O EMPREGO MORREU

Lembra daquela velha relação entre patrão e empregado que durava anos e anos? Ela está com os dias contados. As relações de emprego estão cada vez mais instáveis. Mas isso não quer dizer desemprego em massa. Estamos passando, sim, por uma mudança nas características do que você faz e para quem você faz. Alguns exemplos dessas mudanças:

ONTEM

. As empresas tinham a expectativa de uma fidelidade a longo prazo por parte dos funcionários.

. A troca de emprego era considerada um sinal de instabilidade.

HOJE

. As empresas estão satisfeitas com um compromisso a curto prazo (de dois a quatro anos) – Novas contratações são menos dispendiosas do que funcionários vitalícios.

Exemplo: com o que você gasta para manter um “Romário” na sua equipe, daria para contratar meia dúzia de novos e talentosos “jogadores” (com o cuidado de que não sejam tão ligados ao futvôlei).

. Trocar de emprego é considerado um sinal dos tempos. Além disso, caracteriza traços desejáveis em um funcionário, como, por exemplo, autoconfiança, auto-estima, capacidade de empreendimento, impulso e ambição.

O emprego mudou de configuração. Daqui para frente, o que vai prevalecer é a relação empresa-empresa.

Para saber mais

Empregabilidade ? De Executivos a Consultor Bem-Sucedido
Thomas A Case, Ph.D
Silvana Case
Claudir Franciatto
Makron Books, 117 páginas

Como Conquistar um Ótimo Emprego
Thomas A Case, Ph.D
Makron Books, 185 páginas

Empregabilidade ? O Caminho das Pedras
José Augusto Minarelli
Editora Gente, 115 páginas

A Corrida Para o Emprego ? Um Guia para Identificar, Competir e Conquistar um Ótimo Emprego
Idalberto Chiavenato
Makron Books, 145 páginas

Procurando Emprego Sem Medo
Gary Joseph Grappo
Editora Futura, 165 páginas

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