[Raul Candeloro entrevista] Ben Tiggelaar: um bate papo franco sobre liderança

Não há um único estilo de liderança que funcione em todas as situações. Líderes devem ser capazes de discernir o que cada funcionário precisa e responder a essas necessidades”. Com este pensamento, Ben Tiggelaar introduziu hoje o seminário “MBA in one day”. Ministrado em São Paulo para centenas de empreendedores, gestores e executivos de todo o País, o título – MBA in one day – é uma brincadeira provocativa, que já impactou mais de 17 mil profissionais de países como Holanda, Bélgica, Dinamarca e Alemanha.

Escritor independente, orador e cientista comportamental, Ben Tiggelaar é referência nas áreas de liderança, autogestão e mudança. Seu objetivo: ajudar indivíduos e organizações a transformar sonhos em ação. Ele também é professor visitante no campo de liderança e mudança na IE Business School em Madri, um dos principais institutos da Europa, de acordo com veículos como The Economist, Financial Times, Forbes e Business Week.

Tiggelaar ostentou o primeiro lugar entre os 10 melhores livros sobre liderança na Holanda com nada menos do que 7 obras diferentes. Dentre os livros já publicados por ele, está Dream, Dare, Do, sobre autogerenciamento efetivo, com mais de 350 mil cópias vendidas na Holanda e traduções para inglês, alemão e árabe. Outros livros de sua autoria incluem: MBA em um dia – O livroThis will be your year! Can Do! Full of balance; e The Little Covey.

Quer mais um motivo para conferir esta entrevista exclusiva com Ben Tiggelaar? Conheça as:

4 fases de desenvolvimento de um funcionário e qual estilo de chefe cada uma demanda

Segundo pesquisas conduzidas pela Blanchard Organization, em média, 83% dos trabalhadores são liderados como S4, mas apenas 15% deles operam na fase D4. “O resultado é que muitos destes funcionários se sentem negligenciados, desorientados e produzem menos do que poderiam”, explica Ben Tiggelaar. Conheça a seguir cada uma das fases:

Funcionário Líder
D1: o iniciante entusiasmado, com baixa competência e alto compromisso. Essa pessoa está disposta a aprender e é otimista, mas está apenas começando. S1: o que dá direção. Exige muita direção prática orientada a tarefas e pouca atenção pessoal e apoio. A ênfase é mostrar como as coisas são feitas, dar dicas, oferecer planos em etapas e permitir que os funcionários experimentem sua função.

D2: o aluno desiludido,
 com alguma competência e baixo comprometimento. Quem chega a este nível descobriu que a realidade é cheia de inconsistências e que o trabalho no mundo real é mais difícil do que na teoria. Por esse motivo, sua autoconfiança pode flutuar.

S2: o coach, aquele que encoraja
. Esta abordagem envolve muito comportamento direcional e muito comportamento de apoio. Enfatiza-se o envolvimento, a correção e o encorajamento.

D3: o jogador capaz porém cuidadoso
, com competência moderada e elevada e comprometimento variável. O desempenho está melhorando, então não há necessidade de muita liderança direcional. No entanto, a autoconfiança ainda está baixa.

S3: aquele que apoia e dá atenção
. Esta abordagem envolve um comportamento direcional baixo e um comportamento de apoio elevado. O importante é dar atenção, ouvir, encorajar e oferecer feedback.

D4: o jogador autoconfiante,
 com alta competência e alto comprometimento. Um membro da equipe definitvo que trabalha independentemente e inspira os outros.

S4: aquele que delega e dá liberdade.
 Esta abordagem envolve baixo comportamento direcional e baixo comportamento de apoio. A ênfase é dada no oferecimento de liberdade sem permitir que as coisas saiam do controle. É importante reconhecer realizações e disponibilizar recursos para que haja um bom desempenho. Essas pessoas buscarão desafios para continuar crescendo.

Ben, fale um pouquinho sobre seu trabalho. Como começou essa sua jornada com consultor empresarial?

Estudei ciências da comunicação na Universidade de Amsterdã e obtive meu doutorado na Faculdade de Administração e Economia da Universidade VU de Amsterdã sobre um estudo de mudanças comportamentais nas organizações. No começo da minha carreira atuei como consultor interno do ABN AMRO Bank e editor da revista Adformatie, porém optei por me especializar como pesquisador, cientista comportamental, orador e escritor independente, atividades que desempenho há mais de 25 anos.

Na sua passagem pelo Brasil você vai falar sobre vários assuntos de gestão e negócios que interessam muito aos leitores da VendaMais. Pode resumir brevemente os principais pontos que acha que vale ressaltar sobre cada um desses temas?

BLOCO 1. LIDERANÇA: Fazendo a coisa certa

  • Gerenciando a si mesmo antes de gerenciar os outros
  • 7 hábitos, 8 papéis e dezenas de insights práticos
  • De gestor a líder: é possível!!

Baseado em: Covey, Quinn, Blanchard, Drucker e outros.

BLOCO 2. ORGANIZAÇÃO: Cada um no lugar certo

  • Como construir uma organização empreendedora e eficiente
  • Tornando-se excelente e conservando a excelência
  • Por que você deve continuar a praticar a reengenharia

Baseado em: Mintzberg, Hammer, Buckingham, Peters e outros.

BLOCO 3. ESTRATÉGIA: Para onde vamos?

  • As questões essenciais da estratégia e do marketing
  • Como encontrar um Blue Ocean?
  • Da estratégia ao modelo de negócios em 9 alicerces.

Baseado em: Porter, Kotler, Christensen, Osterwalder e outros.

BLOCO 4. EXECUÇÃO: Melhorias contínuas

  • Do bom ao ótimo
  • Conduzindo mudanças: 8 etapas cruciais
  • Como o elo mais fraco determina a força da corrente

Baseado em: Collins, Kotter, Kaplan/Norton, Goldratt e outros.

Na VendaMais somos bem focados em Vendas, então vamos falar um pouco mais sobre isso. Na sua opinião, quais são os 3 erros mais comuns que você vê as empresas cometendo em relação a vendas e atendimento a clientes?

Elas não estão atentas a isso:

  1. Somente o cliente determina se a sua estratégia faz sentido

Acostume-se a olhar para a sua empresa a partir da perspectiva do cliente e peça as opiniões dos clientes pessoalmente.

  1. Foque nas questões que importam de verdade

Descubra quais questões afetam sua capacidade de obter clientes satisfeitos disposto a pagar pelos produtos e serviços.

  1. Clientes querem um processo único que gire em torno deles

Organize sua empresa em processos centrados no cliente e não em departamentos funcionais.

Dessa lista de erros, qual você considera o mais grave? Por que?

O item número 1. Porque ele é a base para a construção da estratégia. Se você constrói sua estratégia em uma base errada, as chances do seu negócio dar certo são muito pequenas, para não dizer nulas.

Uma empresa que está procurando melhorar seus resultados nessa área deve começar por onde? De maneira sucinta e objetiva, quais as principais recomendações?

Liderança e Organização. É preciso se certificar de que esta empresa tem líderes preparados para conduzir essa mudança e gerir a empresa no novo patamar que ela assumirá. Isso inclui recursos materiais e humanos, um grande desafio atual. Para atingir este patamar é imprescindível que exista uma organização corporativa eficiente, praticar a reengenharia, perseverar e agir para atingir níveis cada vez mais altos de engajamento dos funcionários.

Com tanta experiência na área, quais dicas ou informações você vê sendo dadas pela mídia sobre esse assunto com as quais claramente não concorda?

Não é que eu não concorde. Eu simplesmente sinto falta de notícias que falem sobre a importância de investimento social na era da inteligência artificial, da internet das coisas. Para mim, inovação bem-sucedida é praticada na proporção de ¼ tecnologia e ¾ ser humano. Sinto falta de falarmos sobre inovação social. Nos investimentos em desenvolvimento de liderança, novas habilidades de funcionários e melhor cooperação (internamente e com parceiros e clientes) para reconhecer, compartilhar e usar novas tecnologias e novos conhecimentos mais rápido e melhor, o que consequentemente gera novos produtos e serviços, que geram produtividade e lucro.

Algum último comentário que queira fazer para os leitores da VendaMais?

Invistam em qualificação. Hoje em dia a maioria das pessoas alega a falta de tempo como um obstáculo para não se atualizar. Por isso criei um seminário como o MBA In One Day. Dediquei e dedico anos estudando autores de todo o mundo para criar um formato que pudesse funcionar para esse grande número de pessoas e as ajudasse a avançar em seus negócios e carreiras.

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