Espelho, espelho meu …

No Brasil, é extrema a valorização de produtos de outros países, mesmo que a qualidade não seja das melhores. Temos até nordestinos valorizando mais as coisas do sul do país.Por que não valorizar também o que é nosso? Será que tudo que é de fora é melhor, ou é mais uma questão de status? Interessante que muitos brasileiros gostam de valorizar o que é de fora, como produtos oriundos de outros países, mesmo que a qualidade não seja das melhores. O importante é que tenha sido importado. Infelizmente, até mesmo alguns nordestinos valorizam mais as coisas do sul do país, em detrimento a bons produtos que temos. Muitos dizem em alto e bom som:?Mandei buscar no sul?,ou então: ?importei do país tal?. Não temos nada contra, mas por que não valorizar também o que é nosso? Será se tudo que é de fora é melhor, ou muitas vezes é mais uma questão de status? Trabalhei numa grande multinacional por vários anos, com mais de 100 anos de Brasil, que, sem dúvida alguma, tem ótimos produtos, sendo muito conceituada no Brasil e no mundo.. Por outro lado, como toda organização, comete seus pecados, principalmente pelo fator gente. Inclusive, no meu tempo de funcionário, tinha um grande gerente nacional de vendas, de uma das divisões, que sempre dizia:
?Trabalhamos em uma grande empresa, mas é tocada por pessoas e nem todas têm o mesmo nível de competência e comprometimento?. Realmente ele tinha razão, pois por menor que seja essa fatia de funcionários, contamina os ambientes interno e externo, o que vem a comprometer a empresa e seus produtos/serviços. E nessa hora o cliente esquece a qualidade dos produtos e a marca.

Nas grandes empresas, grandes instituições, infelizmente existem ?importantes? funcionários ? gerentes, chefes, vendedores, administrativos etc ? Que realmente são intragáveis e, por incrível que pareça, com baixo nível de competência, com reflexos negativos nos clientes. É uma turminha voltada para o interior da empresa, onde todos os integrantes querem ser os chefes dos ?coitados? dos clientes, em plena era em que o diferencial competitivo é a qualidade dos serviços/ atendimento. Como pode? São pessoas que adoram se mirar no espelho e fazer esse tipo de pergunta: ?Espelho, espelho meu, existe alguém mais importante do que eu?? E quando o espelho reflete a imagem do cliente, elas não querem acreditar no que vêem e quebram o pobre do espelho, por ter falado a verdade. Conheço muita gente assim e tenho certeza de que o leitor amigo também conhece. São pessoas dotadas de tanta sensibilidade quanto à da pata de um elefante. E por que as mega-empresas permitem que a ?turma do mal? continue denegrindo as suas fortes marcas, que valem incalculáveis milhões de dólares? Será se não conseguem perceber o que acontece ao seu redor? Ou, em muitos casos, tampam o sol com a peneira?

No mercado dominado pelas megas estrangeiras, existem empresas nacionais e também nordestinas que se destacam com produtos e serviços de qualidade. Represento uma empresa de nutrição foliar, a FÊNIX INDUSTRIAL, de Tietê ? SP, que se comparada em porte com uma multinacional, fica bem aquém. Entretanto, com relação à qualidade de produtos e atendimento, é nota 10. É uma empresa composta de pessoas simples, sem vaidades, mas cuja filosofia é a satisfação do cliente. É comprometida com o sucesso do cliente, sem aquela disputa entre chefes e clientes. Aí está a razão do seu sucesso, com boa participação no mercado nacional com seus produtos.

Em Fortaleza – CE existe uma indústria de defensivos agrícolas (AGRIPEC), genuinamente cearense, que é digna de se tirar o chapéu. Consegue sobreviver muito bem num mercado que é totalmente dominado por grandes empresas estrangeiras. E, ainda, está há 40 anos no mercado com seus produtos consolidados. Onde está o segredo? Não tem dúvidas de que está na capacidade empresarial, na equipe e, certamente, nos espaços que as grandes não sabem ocupar.

Um outro exemplo interessante está em Recife-PE, com uma indústria de refrigerantes, que até a marca é criativa: FREVO. Bem pernambucana mesmo. Com propagandas criativas e com humildade, vai se infiltrando no mercado das grandes marcas. E o cliente ganha mais uma opção, pois é um produto de qualidade comparável às das marcas tradicionais.

Existem muitos outros exemplos de pequenos enxergando o que o grande não consegue ver. Menos mal, porque assim o cliente não sai perdendo, já que passa a ter outras alternativas para a solução dos seus problemas.

No mercado competitivo, para sobreviver, vale aquele velho ditado: ?Quem não é o maior tem que ser o melhor?.

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