Estratégia ? O segredo das empresas de sucesso

Especialistas mostram a importância da estratégia para as empresas Ter uma estratégia vitoriosa é a vontade de qualquer empresa que deseja vencer a concorrência e ser sinônimo de sucesso na área em que atua. Mas não é qualquer estratégia que funciona para qualquer organização.

Num momento em que o mercado está aquecido e os empreendedores procuram se diferenciar cada vez mais dos seus concorrentes, pensar em estratégias específicas para o setor de atuação é fundamental, pois você não corre o risco de escolher uma superestratégia que não tem nada a ver com seu ramo. No entanto, é preciso saber que existem pontos que devem ser levados em consideração sempre, e por todos, pois formam a base de qualquer planejamento estratégico eficaz, que pode levar a uma estratégia também eficaz. No Fórum Mundial de Estratégia, realizado recentemente pela HSM em São Paulo, especialistas do Brasil e do mundo falaram sobre esses assuntos.

Planejamento ? Sem ele, não existe estratégia que dê conta de levar uma organização ao sucesso. Além do planejamento anual que envolve todos os setores de uma empresa, é preciso elaborar um para definir a estratégia da instituição. Segundo Vijay Govindarajan, professor da Tuck School of Business da Dartmouth University e autor de Os 10 Mandamentos da Inovação Estratégica, o planejamento estratégico de uma organização deve levar em consideração três horizontes: administração do presente, esquecimento seletivo do passado e criação do futuro.

Para Vijay, que abriu o primeiro dia do fórum, o que se quer para o futuro deve ser pensado no presente, e para isso é preciso esquecer alguns fatos do passado e pensar lá na frente. Ele acredita que a estratégia, apesar de levar em consideração os três horizontes que acredita ser fundamentais para o planejamento, deve ser baseada essencialmente nos dois últimos.

Seguindo a linha de pensamento de que o que já aconteceu não é tão importante quanto o que está acontecendo e o que vai acontecer, C. K. Prahalad, um dos maiores especialistas da atualidade em Estratégia Empresarial e Negócios, chairman da Praja Inc. e consultor de grandes corporações como Oracle, AT&T e Philips, afirma que se focar nas práticas futuras e não nas melhores (o que todo mundo já faz) pode fazer toda a diferença para uma empresa que deseja se tornar competitiva no futuro, pois faz com que ela tenha um pensamento diferente e se foque no que ele considera mais importante: inovação.

Inovação ? Prahalad coloca a inovação como ponto-chave para as empresas que desejam alcançar o sucesso, pois acredita que estratégia e inovação estão diretamente ligadas, já que a inovação torna o que já existe diferente, novo e até mais atraente, o que faz vender mais e deixa o sucesso mais perto.

A inovação não precisa estar diretamente ligada ao que se chama ?topo da pirâmide? social, ou seja, às classes mais favorecidas. Hoje, é possível inovar no mercado das classes mais baixas sem deixar as camadas A e B de fora. Prahalad afirma que é possível inovar e criar coisas que os consumidores de todos os níveis de poder aquisitivo sintam desejo. A partir disso, ele estabelece quatro princípios que fazem com que se consiga mais com menos. Acompanhe-os.

1. Criar um clima empreendedor com aspirações maiores que os recursos.
2. Orientar sua estratégia orçamentária de acordo com o que você imagina para o futuro, mesmo que tenha de fazer desvios no meio do caminho.
3. Começar das próximas práticas, e não das melhores ou atuais.
4. Inovar com base numa caixa de areia, onde os parâmetros sempre mudam. Inovação deve partir dos limites que existem para ela.

Para Prahalad, seguir esses princípios e passar a ver as coisas sob outros ângulos é o primeiro passo para adotar uma estratégia eficaz e inovadora para uma empresa.

Por falar em inovação e estratégia eficaz, uma companhia que não poderia ficar de fora do fórum sobre estratégia era a Google, que em poucos anos de atuação no mercado se consolidou como o maior e mais eficiente site de buscas da internet e ampliou horizontes.

Hoje, além do site de busca, a companhia possui serviços como e-mail gratuito (Gmail), mapa on-line (Google Maps ? nele, é possível localizar endereços nos mais diversos lugares do mundo e ainda traçar rotas), site para publicação de vídeos gratuitos (YouTube), entre outros. Andreas Huettner, diretor-executivo da Google Brasil, deixou bem claro a importância que a empresa dá para a inovação. Segundo ele, a Google optou por ignorar a sabedoria convencional ao desenhar seu modelo de negócio, ou seja, inovação em tudo foi a que o guiou no começo da empreitada.

Andreas explicou que a companhia começou com o dinheiro dos sócios, que investiram o que tinham para criar o empreendimento, e logo conseguiu atrair empresas para comprar ações, pois em pouco tempo ficou visível para o mundo todo que os clientes do Google estavam satisfeitos e que mostravam isso a outras pessoas, que também virariam clientes em uma questão de tempo.

O executivo da Google Brasil não falou apenas das estratégias mercadológicas da companhia. Andreas também disse que existe uma preocupação enorme com os colaboradores e que isso é estratégia. A liberdade dos funcionários da organização impressiona quem está acostumado com empresas onde tudo é ?quadrado?. Lá, eles têm direito a lazer, que está disponível até mesmo dentro do ambiente de trabalho. Basta procurar!

Estratégia do oceano azul ? É na inovação que a próxima estratégia abordada tem base. Em um oceano existem tubarões brigando por um mesmo espaço, enquanto que no mundo corporativo há empresas disputando com as concorrentes um lugar ao sol, ou seja, sucesso!

No mundo dos negócios, é possível fugir dos tubarões. Basta investir no oceano azul, aquele em que nada nem ninguém pode atrapalhar seu caminho. Essa é, ao menos, a teoria de Renée Mauborgne, que com W. Chan Kim criou esse que é um dos conceitos mais importantes do mundo dos negócios. Para os autores de A Estratégia do Oceano Azul, identificar uma possível demanda e criá-la, em vez de apenas seguir o que os outros já fazem, é dar passos à frente e aumentar as chances de alcançar o sucesso.

Em sua palestra, Renée explicou que é possível navegar no Oceano Azul e fugir dos tubarões do Oceano Vermelho, pois sempre existe um espaço inexplorado. Para ilustrar como sua estratégia pode ser utilizada, ela citou exemplos de empresas como a Nintendo, que criou o videogame Wii, trazendo uma novidade ao mercado: os jogadores interagem muito mais com o jogo. Em um jogo de tênis, por exemplo, é preciso que se façam os movimentos de um tenista para que se marque um ponto. Definitivamente, a Nintendo está nadando no Oceano Azul.

Responsabilidade social corporativa ? Atualmente, preocupar-se com a sociedade em que está inserida é obrigação de qualquer organização. É verdade que muitas instituições utilizam a responsabilidade social para se promover, pois sabem que cada vez mais as empresas conscientes vêm ganhando importância no mercado e até valorização dos clientes, que gostam de comprar de quem é responsável socialmente. Michael Porter, considerado a maior autoridade mundial em estratégia competitiva, mostrou exatamente qual é a melhor maneira de fazer responsabilidade social corporativa.

Para ele, as companhias estão cada vez mais cientes do papel que têm na valorização da sociedade em que estão inseridas, por isso a estratégia hoje em dia não é apenas mercadológica, e sim de consciência. Porter também afirma que o desafio dos empresários é selecionar nas suas empresas áreas em que possam agir e fazer valer sua responsabilidade social.

A arte da estratégia ? Diariamente, em empresas de todos os portes, líderes precisam tomar decisões e agir de maneira estratégica nas mais diversas situações. E nessas decisões, segundo Carlos Alberto Júlio, presidente da Tecnisa, professor da ESPM, FGV e FIA/USP e autor de A Arte da Estratégia ? Pense grande, comece pequeno e cresça rápido!, eles precisam valorizar tanto a qualidade quanto a quantidade, pois só assim conseguirão chegar a um resultado positivo.

Além disso, Júlio, que define estratégia como sendo ?o caminho que a empresa tem de percorrer para chegar a uma situação previamente definida, o projeto final para se alcançar objetivos e a forma primária de se obter resultados/lucro?, acredita que para se obter resultados diferentes, é preciso agir de maneira diferenciada, ou seja, adotar estratégias diferentes, e que para isso é necessário pensar grande, começar pequeno e crescer rápido.

Você já conhece várias estratégias possíveis de serem adotadas e se inspirou para criar uma para sua empresa, agora saiba o que fazem grandes estrategistas. Segundo Carlos Alberto Júlio, eles tomam decisões, dedicam 5% de seu tempo à estratégia, sabem que a eficácia operacional é chave, mas que isso não é estratégia. Sabem onde seu negócio está (diagnóstico) e para onde levá-lo (visão). Implantam, controlam e consideram a inovação a própria estratégia, além de criarem uma cultura de atendimento singular.

Seja um grande estrategista, adote uma estratégia diferenciada para sua empresa e vença no mundo corporativo.


Para saber mais:
Título:
A Arte da Estratégia ? Pense grande, comece pequeno e cresça rápido!
Autor: Carlos Alberto Júlio
Editora: Campus/Elsevier

Título: A Estratégia do Oceano Azul
Autores: W. Chan Kim e Renée Mauborgne
Editora: Campus/Elsevier

Título: Competindo pelo Futuro
Autores: C. K. Prahalad e Gary Hamel
Editora: Campus/Elsevier

Título: Estratégia ? A busca da vantagem competitiva
Autores: Cynthia A. Montgomery e Michael E. Porter
Editora: Campus/Elsevier

Título: Os 10 Mandamentos da Inovação Estratégica
Autor: Vijay Govindarajan
Editora: Campus/Elsevier

Agradecimentos: HSM Inspiring Ideas e FSB Comunicações
Colaborou nesta matéria: Natasha Schiebel

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