Eu sou o que os outros semearam em mim?

Onde nascem os pensamentos e como eles afetam nosso desempenho? O psicólogo Joseph Yeager explica na revista Amanhã de novembro de 2006: ?A neurolingüística é uma ciência empírica que busca entender como a linguagem afeta o comportamento e a performance de cada pessoa?. Ele garante que a linguagem tem o poder de limitar ou potencializar o desempenho de um líder.

Existem muitos artigos e livros explicando ?quem somos?, ?quem somos e o que falamos?, ?os resultados que temos ao longo da nossa vida são fruto de nossos pensamentos?, etc. Mas muito pouco se encontra sobre a raiz da questão. Nesse contexto temos sentido falta de um estudo um pouco mais profundo. Por exemplo: todos nós sabemos que as palavras/sentimentos nascem no pensamento. A pergunta sobre a qual pretendemos discernir aqui é: onde nascem os pensamentos e como eles afetam nosso desempenho?

É muito provável que esse tipo de leitura seja limitada, porque poucas pessoas têm elementos para compreender o que aqui vai ser exposto, por outro lado, creio que é preciso uma autodescoberta para que possa ser valorizada e aproveitada. Para explicar, nada melhor do que minha própria história. Meu primeiro emprego foi como vendedor de livros, no início não era exatamente o trabalho que eu procurava, mas quando percebi o aprendizado e o crescimento profissional que poderia ter, meu pensamento foi mudando pouco a pouco. A partir de então, passei a considerar a profissão de vendas como a melhor do mundo. Pois quando o assunto é crescimento profissional, essa área nos obriga a desenvolver muitas habilidades em pouco tempo, algo que em algumas profissões pode passar despercebido. Temos como exemplo a informática, área basicamente técnica, pois a interdependência e a influência de outras pessoas é muito pouca nos resultados desejados. Em vendas não. Além de o profissional estar em permanente interação com pessoas, seus resultados dependem da imagem que transmite, e como já foi comentado, essa imagem está diretamente relacionada com os pensamentos que dominam a mente, ou seja, depende de uma atitude (positiva ou negativa), e é isso será falado aqui.

O estudo sobre o desempenho e produtividade das pessoas está cada vez mais na pauta das reuniões das organizações produtivas. O assunto é basicamente o mesmo: como podemos diminuir os custos e melhorar a qualidade ao mesmo tempo? Nesse contexto, as relações interpessoais jogam um papel muito importante nos resultados. Partindo do pressuposto de que a produtividade está diretamente relacionada com os pensamentos, e sabendo que os pensamentos estão guardados na nossa memória, de algumas impressões você lembra, outras não. Provavelmente você lembra mais das emoções negativas, que marcaram sua vida (por exemplo, a violação sexual quando criança). O nosso cérebro funciona como um computador (mas na realidade é o contrário). O banco de memória começa a ser formado desde que estamos no ventre de nossa mãe. A partir daí, novas informações vão sendo arquivadas, dia após dia, até os tempos atuais. Mas existe uma fase da nossa vida em que nossa mente funciona como uma esponja, absorvemos mais do que em outras épocas, geralmente entre 3 e 12 anos de idade. Grande parte das crenças e paradigmas, bons e ruins, que filtram nossos pensamentos e atitudes atuais foram gravados nessa época. Segundo estudiosos do assunto, é nessa fase que se forma boa parte de nossa personalidade. Mas como?

Quais são as pessoas que têm mais autoridade sobre nós quando crianças? Nossos pais, professores, tios, avôs, etc. Pesquisadores do assunto dizem que durante a infância recebemos cem mil ?nãos?, e que precisamos de oito elogios para cada ?não? que recebemos. Mas o que acontece é exatamente o contrário. Recebemos 20 ?nãos? para cada elogio. O resultado disso tudo é que, queiramos ou não, somos fruto de toda essa informação que recebemos. Em outras palavras, somos o que outras pessoas quiseram que fôssemos, não o que gostaríamos de ser. Daí surge a pergunta: eu sou o que os outros semearam em mim? Eu creio que em parte sim, mas cabe a nós moldarmos nosso caráter naquilo que gostaríamos de ser. Voltemos a comparação mente e computador. Quando você compra um computador, recebe um manual de instruções para seu uso; quando fomos criados recebemos o computador mais perfeito do universo, nosso cérebro; que tem um único problema, vem sem manual de instrução. Cada um de nós precisa descobrir as melhores formas de uso, pois não estamos falando de uma máquina, e sim sobre nós mesmos.

Tanto na área de vendas como no desempenho de qualquer função, somos dependentes da auto-imagem. Essa é a diferença fundamental entre uma pessoa de sucesso e outra chamada de fracassada. Basicamente são os pensamentos. Mas onde nascem os pensamentos?

Fico horrorizado quando vejo algumas mães maldizendo seus filhos, chamando-os de: “retardados”, “você parece um abobalhado?, ?este é um idiota, nunca vai ser nada na vida?. Coitadas, elas não sabem o mal que estão fazendo a seus filhos, que dizem amar. De tanto ouvir isso de nossos pais, professores, tios, primos, etc., chega um momento em que concluímos que os castigos por tentar e falhar são maiores do que não fazer nada a respeito. O pior é que nos ambientes de trabalho quase sempre é isso mesmo o que acontece. O funcionário que se arrisca, buscando novas e melhores formas no desempenho das funções é punido (ou criticado), e aquele que nada faz, além de seguir o manual de procedimentos, mesmo sabendo que tem uma forma melhor, recebe até elogios.

A maioria das pessoas aceita essas palavras e reconhecem essa falha. Por outro lado, existem algumas poucas pessoas que dizem nunca ter passado por isso e/ou nunca ter feito isso com ninguém. Se você é um desses, aceita fazer um desafio? Responda com toda sinceridade: você que é pai, mãe, tio, professor, lembra de ter sido humilhado na infância? Caso a reposta seja não, pergunte para seus irmãos, primos ou amigos. E agora, depois de adulto, você já se viu fazendo a mesma coisa com suas crianças? Caso negativo, pergunte para seus filhos, sobrinhos ou outras crianças com os quais convive ? provavelmente você terá uma surpresa! Não se preocupe, isso acontece com todos nós. Eu mesmo já me peguei fazendo isso com meus filhos, mesmo sabendo do mal que faz ? imagine quem não sabe?

Quem sou eu? Veja o que Tarthan Tulku diz em seu livro O Caminho da Habilidade: “O que nos impede de descobrir a verdade do nosso ser interior? Cada um de nós tem uma auto-imagem que está baseada em quem pensamos que somos, em como pensamos que os outros nos vêem. Quando olhamos num espelho, sabemos que o que vemos nele é apenas um reflexo; contudo, embora a nossa auto-imagem tenha essa mesma qualidade ilusória, em geral acreditamos que ela seja real. A crença nessa imagem é o que nos afasta das verdadeiras qualidades da nossa natureza, ela impede que vejamos a nós mesmos com clareza. Assim, deixamos de reconhecer tanto as nossas verdadeiras forças como a maior parte de nossas falhas”.

E agora, o que fazer para reverter essa situação? Para iniciar, é preciso deixar de nos sentirmos como vítimas da sociedade, em que todos podem ser culpados, menos nós mesmos. Paralelamente, devemos desenvolver a capacidade de estar em duas dimensões simultaneamente: uma como ator (seguir sua vida normal) e outra como espectador, observando seu próprio filme; resultando daí um protagonista que está permanentemente buscando melhorar seu desempenho e a relação com os outros, em decorrência da correção de certas atitudes que tem assistido em seu filme e que não lhe agradam. Em outras palavras, é buscar a verdadeira e única felicidade, e isso só é possível conhecendo a si. Para nos conhecermos é preciso fazer uma auto-avaliação diariamente, procurando reforçar os pontos fortes e aprimorando os pontos fracos da nossa personalidade.

Nós somos como diamantes brutos que precisam ser polidos. No nosso caso, é o próprio dia-a-dia que faz esse polimento. Siga o conselho de Deepak Chopra: você é aquilo que pensa. “Somos as únicas criaturas na face da terra capazes de mudar nossa biologia pelo que pensamos e sentimos! Nossas células estão constantemente bisbilhotando nossos pensamentos e sendo modificadas por eles. Um surto de depressão pode arrasar seu sistema imunológico. Apaixonar-se, ao contrário, pode fortificá-lo tremendamente. A alegria e a realização nos mantêm saudáveis e prolongam a vida?. Em outras palavras, esse é o treinamento que recebemos nas empresas quando somos contratados como vendedores. Agora, sempre que tenho oportunidade, recomendo para que esse tipo de conhecimento seja transmitido não só para os vendedores, mas sim para todos os membros da organização. Todos precisam vender alguma coisa e principalmente sentir-se bem consigo.

O ponto de partida é a autoconsciência, que é o conhecimento que o ser humano tem de si, de seus sentimentos ou intuição. Segundo Daniel Goleman: “Emoções são sentimentos que se expressam em impulsos e numa vasta gama de intensidade, gerando idéias, condutas, ações e reações. Quando equilibrados e bem-conduzidos transformam-se em sentimentos elevados, sublimados, tornando-se, aí sim ? virtudes”. Por exemplo: se você tem consciência de que está desmotivado, aplique o que Josept Yeager fala sobre a Neurolingüística, mude sua linguagem corporal (auto-expressão) para melhorar seu comportamento, seja honesto, positivo e sobre tudo procure agir com entusiasmo. Da próxima vez em que olhar-se no espelho, lembre-se de que a imagem que está vendo não é a real, é somente a projeção da sua mente (o resultado dos filtros de suas crenças, aquilo que está gravado desde sua infância). Na realidade você pode ser o que desejar, pois somos os únicos seres capazes de mudar nossos pensamentos e, por conseqüência, nossos resultados. O segredo está em ser (praticar) a mudança que gostaria de ver no mundo, e não mais ficar dependendo de que os outros mudem para você mudar. Decida não ser mais escravo do que os outros semearam em você. Decida ser feliz e contagie os outros, com isso você começará a autodescoberta e conhecerá quem realmente é.

Conteúdos Relacionados

Rolar para cima