Falando a mesma língua

Dois mundos que não conversam. Esse é o problema da maioria dos sites. Estratégias de marketing que, sem justificativa, se separam. Lembram quando eu disse numa das primeiras e-zines sobre a necessidade de colocar telefones para contato no site. Pois é, esqueci de dizer que isso deve ser bem visível.

Explicando: na semana anterior, passei cinco dias aproveitando a chamada licença-paternidade. Na segunda-feira, decidi entrar no site da Previdência Social (www.mpas.gov.br) para regularizar o benefício da licença-maternidade da minha esposa, dito, aliás, como a solução para a burocracia e o excesso de procura nos postos de atendimento. Tudo muito funcional e sisudo. Preenchi as páginas do requerimento e, quando estava chegando ao fim, a máquina que calcula o valor a que ela tinha direito embestou e só aceitou a média dos últimos seis salários (e não o valor do mês de afastamento, como diz a lei e o próprio site).

Resultado, tive de ligar para alguém. Problema Dois: o site, para variar, estimula apenas o contato via e-mail (que, vindo de uma repartição pública virtual, geralmente desperta desconfianças no quesito “resposta-rápida”). Depois de navegar pelos corredores do labirinto online, descobri o número 0800. Só para constar, você sabe a diferença entre descobrir – que vem de des + cobrir = tirar cobertura ou qualquer outra coisa que ocultava total ou parcialmente, deixando à vista – e encontrar – do lat. incontrare = deparar com -, não é? Então, quando pensar em serviços pela internet sob a ótica do usuário, pense encontrar e não descobrir.

Liguei. Depois de ouvir por 15 minutos (cravados no relógio) uma musiquinha horrível e uma voz que repetia a cada trinta segundos “Aguarde atendimento”, alguém atendeu (a história segue resumida):

– Pois não!
– Tenho uma dúvida sobre o salário-maternidade. Ele é calculado pelo valor do mês do afastamento ou pela média dos últimos seis meses?
– O salário é fixo?
– É!
– Então, é pelo valor do mês de afastamento.
– Mas você sabe por que o site não aceita esse cálculo e exige os valores anteriores que, no caso, variaram?
– Bem, o senhor já tentou indicar o mesmo valor para os seis meses? (!)
– Não, pois acho que corro o risco de ser interpretado como fraudador, já que me foi dito que o benefício só será pago se os valores baterem com o que é informado pela empresa.
– Ah, .. entendo. O senhor sabe… é que nós não temos acesso à internet (!!) e eu não saberia responder o que está acontecendo. Assim, peço que o senhor procure uma unidade de atendimento em sua cidade para proceder o encaminhamento. (!!!)

Leia-se: enfrente a fila porque os nossos programadores ainda não foram avisados do problema e o webmaster confia demais no seu trabalho a ponto de não encorajar o contato telefônico. Vai ver ele sabe que nós não estamos suficientemente treinadas para trabalhar com websites e coisas do gênero.

Aproveite esses toques e leia o artigo dessa semana de Rosane Severo sobre como se preparar para entrar com tudo no universo online. Afinal, como você viu, os dois mundos, virtual e real, têm de falar a mesma língua. Acrescente ainda as opiniões de Ricardo Prates Morais (e-commerce).

Por fim, caia na real e veja como o advogado Alberto da Silva Dantas desmonta a indústria “da vista grossa” que assola os autores na internet, usurpados em seus direitos autorais pelos sites ávidos por conteúdo. Sem esquecer o recadinho de Carlos Nepomuceno àqueles que vão fazer campanhas agressivas de e-mail marketing.

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Um abraço,

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