Uma companhia de biotecnologia da Holanda afirma ter desenvolvido uma flor que pode ajudar na detecção de minas explosivas. A idéia é que a flor cresça rápido e que suas pétalas adquiram uma tonalidade vermelha quando suas raízes entrarem em contato com determinados componentes que as bombas mais comuns emanam no solo. O primeiro protótipo da planta é esperado para os próximos anos.
Sim, o desenvolvimento de novos produtos pulou para uma fronteira totalmente nova.
SEGREDOS DA DIFERENCIAÇÃO
Posicionamento
Quando você pensa em levar aquela pessoa especial a um restaurante, o nome, a marca do estabelecimento conta muito. O mesmo vale para as roupas, onde muitas vezes o nome da etiqueta pesa mais no preço do que o tecido e a confecção. No supermercado, também temos nossas marcas preferidas.
Mas você já rodou duas quadras a mais para encontrar um estacionamento de sua marca preferida? É isso que a Auto Park tenta fazer. Através do sistema de franquias, criar uma marca de estacionamento.
Veja as lições que Vitor Hugo Dlugokenski, diretor de operações do grupo, tem a dar sobre construção de marca:
1. Não importa o que você venda, veja além do que seus concorrentes vêem: à primeira vista, para montar um estacionamento, você só precisa de um terreno grande, um relógio e dois manobristas. Vitor Hugo luta contra essa definição: ?Estacionamento não é commodity! Algumas pessoas enxergam somente um terreno vazio, outras percebem que, num pátio com cem carros estacionados, há um patrimônio de dois milhões de reais que está sendo confiado à guarda de alguém?.
2. Seja profissional: hoje, espera-se que qualquer empresa tenha uma administração de primeiro nível: ?nosso franqueado segue um plano de marketing. Tentamos escolher as melhores áreas, buscamos a economia de escala em marketing, informática e seguros, redução da equipe e do custo operacional?.
3. Conheça seu público final: ?Uma pessoa que pare seu carro uma única vez em um local preocupa-se só com a proximidade do estacionamento?, diz Vitor Hugo, afirmando que esse não é o seu público. ?Agora, se parar duas vezes ou mais, começa a prestar atenção em cobertura do pátio, distância entre carros, seguro, bom atendimento entre outras coisas?.
4. Una-se a empresas já estabelecidas, que fortaleçam sua marca: a Auto Park começou fazendo convênios com empresas aéreas, com a TAM. Isso permitiu que fosse a primeira a ser chamada para administrar estacionamentos de shoppings, hotéis, hospitais e outros. Ter uma marca forte como parceira acaba atraindo outras marcas fortes também.
5. Surpreenda seu cliente: o franqueado da Auto Park pode agregar serviços de lava-car, revenda de água mineral, revistaria, venda de guloseimas, espaços publicitários entre outros.
JAQUETA SOLAR
Nicho de mercado
Uma empresa norte-americana notou que o profissional moderno não pode sobreviver sem uma invenção antiga: bolsos. Hoje, as pessoas carregam celulares, agendas eletrônicas, toca-MP3, baterias,… fora uma eventual revista, folheto, barra de cereal e refrigerante para substituir o almoço e sabe-se lá mais o quê. Então, a empresa lançou uma jaqueta dos sonhos de qualquer candidato a James Bond: cheia de bolsos internos para carregar qualquer coisa. Mas não parou por aí. A companhia desenvolveu um sistema especial para conectar todos esses aparelhos em rede (em outras palavras: fez furinhos nos bolsos para a fiação passar. Linguagem publicitária é isso) e lançou um acessório: dois painéis solares de tecido que ficam sobre os ombros da jaqueta, permitindo que você recarregue todo o equipamento enquanto passeia. O casamento perfeito entre o brega e o chique, bitolado por informática.
TOLERÂNCIA ZERO
Marcas
Como muitos jovens, o canadense Mike Rowe entende muito de computadores e softwares. Decidiu então montar um site de troca de informações técnicas na Internet e, quem sabe, conseguir um troquinho consertando computadores da vizinhança. Montou o site e o batizou com seu nome, seguido de algo que lembrasse o ramo de atividade: ?soft?.
Dias mais tarde recebeu uma carta dos advogados da Microsoft: ao chamar seu site de mikerowesoft, ele estaria infringindo os copyrights da gigante da informática:
– Mas meu nome é Mike Rowe.
– Não interessa!
No final, os advogados venderam e compraram o site por uma quantia não divulgada. Mas certamente maior que sua oferta inicial: cerca de 30 reais, o valor do registro. Porém, por alguns dias, a imagem da grande empresa ficou arranhada. Lição para você: cuide da sua marca, mas com cuidado para não parecer o vilão da história.
O OUTRO LADO DO LUCROM
Estratégia
Ligue sua TV, abra o jornal. É a guerra dos supermercados, um querendo oferecer preço melhor que o outro, tentando aumentar seus clientes e lucro através da economia de escala. Empresas multinacionais ou gigantes do varejo brasileiro fazem de tudo para conquistar os clientes com preço baixo e grandes lojas.
Parece um cenário de pesadelo para as pequenas e médias empresas. Porém, a rede de supermercados Angeloni (presente no Paraná e Santa Catarina) percebeu que a solução não estava na ponta das vendas, estava nas compras. Junto com a empresa de informática Xplan (www.xplan.com.br), desenvolveu um programa de computador que permitiu prever e gerenciar a demanda por produtos, baixando o gasto com estoques dos supermercados em até 55%; com mais dinheiro em caixa e precisando de menos espaço na área de estoque, o pessoal do Angeloni pôde até reformar suas lojas.
Ganhar mais, muitas vezes, é gastar menos.
GRANDES NÚMEROS
– 500 mil novos clientes. É o resultado que o Banco Bradesco pretende atingir esse ano com sua nova apólice de seguros feita para as classes C, D e E. E você, como pode atender esse mercado?
– R$ 2 bilhões por ano, em média, é quanto o varejo brasileiro perde com furtos e roubos, de acordo com pesquisa divulgada pelo Programa de Administração do Varejo (Provar), da FIA/USP.
ESPAÇO ÚNICO
Marketing Social
Quando um projeto social é bem administrado, não demora a dar frutos. O Projeto Axé, destinado a educar e profissionalizar crianças carentes da Bahia, abriu uma loja exclusiva para vender as roupas produzidas por eles. A Grife Modaxé está agora localizada em um ponto nobre do bairro do
Pelourinho, para a alegria dos turistas e dos jovens talentos que desenham e confeccionam as roupas.
MÚSICA E REFRIGERANTE
Internet
Depois da guerra contra os sites que distribuíam música de graça na Internet, as pessoas ficaram meio perdidas. Querem continuar a baixar música da rede de computadores, mas não sabem quais sites são legais; e, principalmente, não são fãs da idéia de ter que pagar pelo que sempre foi de graça. A Pepsi bolou uma promoção para tentar aproveitar esses fatos: quem juntasse tantas tampinhas podia trocar por uma senha que dava direito a baixar músicas no site iTunes, um dos maiores e mais respeitados do setor, pertencentes à empresa de informática Apple. A Coca-Cola imediatamente retalhou, montando seu próprio site de músicas. O www.mycokemusic.com conseguiu fazer parcerias com as grandes gravadoras e tem a vantagem de não ser usado apenas para promoções: as pessoas pagam para acessar essa página da Internet e baixar músicas. Ainda assim, é um pouco mais barato do que comprar CD.
O que importa é o apoio que as grandes empresas dão à essa forma de venda e distribuição de música, o que significa que agora não tem volta. É adaptar-se a esse modo de fazer negócio.
O LADO JURÍDICO
Cheque obrigatório
Além do dinheiro, o cheque visado e o cheque administrativo são considerados pela Lei número 8.002, de 14/03/90, meios de circulação obrigatórios. O cheque normal também é tido como de aceitação obrigatória, nos termos da lei, no ato do pedido da mercadoria, quando a entrega é efetuada somente após a sua compensação.
Entretanto, não há dúvida de que um fornecedor que não aceita esse título de crédito deve deixar ostensivamente indicada essa restrição (em vitrines das lojas, ao lado das placas de preços dos combustíveis em postos de abastecimento, por exemplo), em respeito ao direito à informação estabelecido no art. 6o, parágrafo III, do Código de Defesa do Consumidor. O comerciante não pode, após envolver o consumidor, recusar-se a aceitar o cheque. Isso é claro!
Não é lícito também que fornecedor, após omitir que não aceita cheque, informar ao consumidor depois que este já entrou no estabelecimento, começou a olhar os produtos, estacionou o veículo e perdeu tempo.
Agora, uma vez que o fornecedor aceite o cheque normal, não poderá impor restrições, como o tempo de abertura de conta. O fato pode até ser considerado discriminação, o que gera um enorme problema legal e péssima propaganda boca a boca para o estabelecimento.
Por Stenio Andrade, jornalista especializado em relações de consumo.
E-mail: stenio_andrade@ig.com.br


