Conheça a história de sucesso dos Fogões Petrycoski Theóphilo Petrycoski é a cara do empreendedor brasileiro. Natural de Nova Prata, RS, esse filho de imigrantes poloneses se mudou com sua mulher e sete filhos para Erebango, RS, em busca de melhores condições de vida.
Não deve ter sido fácil para o Theóphilo alimentar essa prole toda. Os anos 40 estavam chegando ao fim e seu negócio não produzia fogões artesanais e taquaris (espingardas de cano único usadas para caçar animais de pequeno porte) como antigamente. ?A produção era pouca, porque a demanda quase não existia. Foi por isso que, seguindo a orientação de amigos, meu avô se instalou em Pato Branco, PR?, relata o neto Péricles Petrycoski.
Terceira geração à frente da maior fabricante de fogões de lenha da América Latina, Péricles conta à VendaMais a história da indústria fundada no sudoeste paranaense em 1950.
Dificuldades ? A mudança para Pato Branco não pôs fim aos problemas do Theóphilo. Na verdade, foi lá que eles realmente começaram. O metalúrgico foi obrigado a importar matéria-prima, já que a produção de aço no Brasil não atendia à demanda interna.
Para minimizar os gastos com a compra do aço estrangeiro, Petrycoski passou a reciclar materiais descartados, algo raro para a época. ?O Theóphilo pedia para os funcionários buscarem tambores e latas vazias pela região para aquecer no forno. Amolecido, o metal era cortado e endireitado, transformando esses descartados em matéria-prima?, explica Péricles.
Só que a falta de material não era o único obstáculo no caminho do empreendedor. Aliás, o caminho era um dos obstáculos. Os fogões fabricados no Paraná eram esmaltados em Porto Alegre, RS. Theóphilo transportava o carregamento até a capital gaúcha em viagens que duravam vários dias, como descreve Péricles: ?As viagens do meu avô para Porto Alegre levavam em torno de dez dias e eram muito desgastantes. Quando chovia, então, cada viagem era um ?parto? por causa das estradas enlamaçadas?. Atualmente, os 498 quilômetros que separam as duas cidades podem ser concluídos em torno de sete horas.
Investir para progredir ? Perseverança e criatividade são essenciais para o crescimento de qualquer empresa. Mas, sozinhos, esses valores não fazem milagres e os Petrycoski sabiam disso. Foi por isso que, ao longo dos anos, a família procurou investir em infra-estrutura e gerenciamento de pessoas para oferecer produtos de qualidade aos seus clientes.
A aquisição de uma usina hidrelétrica, a melhoria de estradas e o aprimoramento nos processos de gestão e produção da fábrica foram algumas das ações que levaram a Fogões Petrycoski à liderança do mercado no continente. ?Manter-se no topo é um desafio que exige uma equipe qualificada, além de novas tecnologias e conhecimentos logísticos?, conclui o neto.
Hoje ? O negócio do seu Theóphilo cresceu. O barracão de madeira com piso de chão batido, onde dois funcionários fabricavam fogões artesanais deu lugar ao espaço no qual 1,5 mil colaboradores ? distribuídos entre Fogões Petrycoski e Atlas Eletrodomésticos (braço do grupo que fabrica eletrodomésticos convencionais) ? produzem os fogões à lenha vendidos em 30 países, além de todo território nacional.
O empreendedorismo no Brasil
A cultura empreendedora desembarcou no Brasil com os imigrantes europeus e asiáticos que vieram para o nosso País no início do século em busca de novas oportunidades. Hoje, o brasileiro é reconhecido mundialmente como um povo empreendedor. Infelizmente, essa característica não é fruto da tradição, mas da necessidade. Somos empreendedores porque falta oportunidade de trabalho e sobra muita boca para alimentar.
Cadê o cargo?
Você reparou que o cargo do Péricles não foi citado uma única vez durante a matéria? Foi de propósito. Segundo ele, um dos gestores da empresa não possui um organograma hierárquico. Cada funcionário é responsável por sua área. ?Todos fazem o que deve ser feito, respeitando os colegas de trabalho, independentemente do setor em que atua, seja no chão de fábrica ou na direção?, conta.
Pinhão sapecado
O termômetro marcava zero grau em Guarapuava, PR, naquela sexta-feira à noite, quando Giovana gritou pela janelinha da porta que dava acesso à cozinha: ?Já pegaram o martelinho para o Sullivan sapecar o pinhão??. É claro que a dona do Estação Chopperia e Petiscaria, Giovana Martins, sabia que seu cliente não estava com o martelinho. Ela conseguia ver o coitado se arriscando na chapa quente do fogão instalado em um canto do bar, tentando virar os pinhões de lado com a mão.
O fogão Petrycoski que a Giovana comprou, pois ?tinha tudo a ver com a casa?, é a grande atração do estabelecimento. ?Todo mundo que olha para o fogão se encanta. Um dia, um cliente bateu na porta de casa, às 10 horas da manhã, querendo saber onde eu o tinha comprado. Vê se pode!?, comenta rindo. Além do pinhão que o Sullivan botou para assar na chapa, a Giovana disse que o pessoal também costuma esquentar quentão e preparar um cafezinho nas noites frias.
O que aprendemos com Theóphilo Petrycoski?
Preparou, prospectou e vendeu fogões
A dificuldade em vender determinados produtos aumenta em proporção ao seu caráter inusitado. Os fogões à lenha da Petrycoski não teriam chance no mercado nordestino, pois o produto é voltado para as regiões frias e serranas. No entanto, foi justamente essa barreira que fez o produto vender tanto. A segmentação do mercado obriga o vendedor a prospectar corretamente e, para isso, é necessário planejar também. O Theóphilo, por exemplo, começou a preparar o terreno quando ainda viajava pelas estradas enlamaçadas do interior.
Para saber mais:
www.petrycoski.com.br
Colaborou nesta matéria: Mateus Redivo


