Futebol administrativo: humildade na ponta da chuteira

Administrar não é jogar xadrez, ser o dono do jogo. A administração é um jogo coletivo onde a humildade tem seu espaço e pode decidir uma partida. Assemelha-se mais a um jogo de futebol, solidário e que deve ser partilhado para que o objetivo seja alcançado. Verdade seja dita: administrar não é como jogar xadrez. O xadrez é egocêntrico, só você pode tomar as decisões e só você é culpado pelas conseqüências desastrosas ou vitoriosas de suas jogadas. Não há palpites ou discussões. É um jogo solitário. Administrar assemelha-se mais a um jogo de futebol, solidário e que deve ser partilhado para que o objetivo seja alcançado. Na administração, as discussões são bem-vindas, os palpites e as idéias criam a sinergia necessária para alavancar o jogo, ou melhor, os negócios.

Dentro do campo também está o capitão, o líder que gerencia e coordena a evolução dos negócios. Ele é o centro das atenções, o tutor do grupo, aquele que direciona os esforços, que aponta a direção correta, que visualiza o caminho com antecedência, e que serve como fonte de inspiração para todos os jogadores do time. O capitão também pode ser chamado de presidente, diretor, gerente, coordenador, ou simplesmente chefe. Ele deve, sim, inspirar confiança, mas todo cuidado é pouco para que essa confiança não se torne prepotência.

O líder é um aprendiz – assim como todos de sua equipe – e também pode dizer “não sei”, “preciso estudar mais este assunto”, “vamos tomar a decisão em conjunto” ou “não estou certo de ser a decisão correta”. Raramente, vejo líderes agindo dessa forma. Eles são, geralmente, os “donos da verdade”. Outro dia, conheci um “sujeito” de uma grande empresa que nunca fazia cursos. A empresa possuía um fabuloso centro de treinamento e todas as vezes que era convidado para fazer algum curso ele se esgueirava como um lince e disponibilizava o treinamento para alguns de seus funcionários. A desculpa era sempre a mesma:

– Já estou preparado! Mas tenho um funcionário da equipe que necessita fazer esse treinamento.

Na verdade, esse prepotente líder esbanjava conhecimento diante de seus funcionários depois de fazer cursos on-line, de madrugada pela Internet. Tudo isso pela falta de humildade de estar sentado em uma sala de aula juntamente com outros funcionários da empresa. Obviamente que este caso é um extremo, um fato isolado e atípico.

No fundo, a mensagem que desejo transmitir é simplesmente a de que dizer “não sei” não é pecado e não atrapalha nenhum processo decisório e muito menos inferioriza um gerente, um diretor ou qualquer pessoa que ocupe um cargo de liderança. Ao contrário, um pouco de humildade no momento certo pode valorizar o profissional, torná-lo um pouco mais humano e, principalmente, aproximá-lo ainda mais de sua equipe.

Administrar não é jogar xadrez, ser o dono do jogo. A administração é um jogo coletivo onde a humildade tem seu espaço e pode decidir uma partida. Grandes líderes não podem perder a humildade, mas melhor do que minhas palavras são as palavras de Peter Drucker, 92 anos (pai da administração moderna), que, recentemente, em uma entrevista, afirmou que precisa se atualizar e que pretende fazer um curso rápido de contabilidade básica, pois, segundo ele, seus conhecimentos sobre o assunto estão um pouco enferrujados.

Fica aqui a minha pergunta: a humildade tem espaço no seu dia-a-dia?

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