Grupos x equipes – GV n. 274

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Você conhece pessoas muito inteligentes, perspicazes e motivadas que estão entre as mais bem-educadas, treinadas e determinadas da história. São mais ecléticas que nunca e trabalham com o auxílio de tecnologias espetaculares. Mas embora trabalhem para empresas multinacionais, sentem-se frustradas? E por que isso acontece? A explicação é que, ao crescer, essas organizações se tornam mais com­plexas: mais vagarosas, difíceis, de gestão mais cara e ambiente menos satisfatório. Kevan Hall, em Os 4 Cs nos negócios, mostra como simplificar a maneira de trabalhar em equipe dentro de empresas complexas, aumentando a velocidade, tornando-as mais fáceis e baratas de operar e proporcionando um ambiente de trabalho mais satisfatório para se trabalhar.

 

Hall explica que pessoas talentosas, globalização e tecnologia da informação são combinadas justamente para criar um período de crescimento sem prece­dentes e níveis de integração muito mais elevados dentro das grandes empresas. Infelizmente, à medida que as empresas se tornam mais complexas, elas desaceleram. O espírito empresarial ágil dos velhos tempos começa a se desgastar. As pessoas têm de cooperar com vários colegas em diversos lugares, controlar funções e linhas de negócio diferentes, coordenar atividades complexas e lidar com a dimensão total da organização. Mais cedo ou mais tarde, essa complexidade começa a sabotar tudo aquilo que fez a empresa ser originalmente bem-sucedida.

 

À medida que o universo interno da organização começa a desace­lerar, o universo externo passa a se mover mais rápido do que nunca. Todos os anos é necessário produzir melhor, mais rápido e a custos mais bai­xos. Se não o fizermos, nossos clientes encontrarão alguém que o fará. Hall apresenta três fundamentos que simplificam a maneira de trabalhar em grupo, objeti­vando evitar as consequências negativas da complexidade. São eles:

 

  1. Velocidade – Estrategicamente, a velocidade produz ino­vação acelerada, atividades de melhoria mais velozes, mais rapidez em suprir o mercado e níveis mais elevados de pro­dução com os mesmos recursos. Com isso, seus projetos complexos podem ter produção de até 25% mais rápida.

 

  1. Facilidade –Por facilitar a gestão da organização, você pode reduzir o tempo e os gastos com problemas de comunicação, cooperação e controle em até 20%. Além disso, redirecionar essas sobrecargas improdutivas e recursos administrativos para áreas que incrementam a produtividade.

 

  1. Satisfação –Melhore a satisfação dos membros da equipe de 10% a 20%. Maior satisfação no trabalho tem relação direta com motivação mais elevada, aumento de desempenho e re­dução na rotatividade do quadro de funcionários.

 

Legal, mas como é possível tornar nossas empresas mais velozes, com gestão facilitada e satisfação da equipe? A solução gira em torno de identificar e corrigir os 4 Cs em seus aspectos negativos, todos importantes fontes de atraso, despesas e insatisfação em uma organização. São eles: cooperação, comunicação, controle e comunidade. Aqui, escolhemos detalhar a cooperação. Confira!

 

Cooperação

O trabalho em equipe se tornou uma forma cara e lenta de cooperação. As reuniões são uma enorme fonte de desperdício e frustração. O problema começa no conceito de equipe que, ao longo da história, fez com que se tornasse uma obrigatoriedade a cooperação por meio de equipes. Hall iniciou como líder muito cedo e foi treinado para pensar da forma tradicional. Conforme foi crescendo na carreira, passou a trabalhar com treinamento e desenvolvimento e acabou conhecendo e conversando com centenas de líderes em diversos países do mundo. Com o tempo, foi percebendo que a cooperação não poderia ser tão generalizada ou dogmatizada como equipe. Para corrigir essa distorção, Hall criou dois modelos de cooperação: “equipe-novelo” e “grupo-estrela”:

 

  1. Em uma “equipe-novelo”, todos têm de estar conectados uns aos outros para realizarem suas tarefas – a representação gráfica lembra um novelo de lã. A comunicação é mais constante. Nesse padrão, todos os integrantes precisam de oportunidade para contribuir e ocorrem discussões frequentes sobre os melhores procedimentos a adotar nas áreas em que opiniões são mais divergentes. Com tanta comunicação ocorrendo nas equipes, fica mais fácil excluir ou não envolver por completo algumas pessoas. Também fica mais difícil ouvir os membros mais tímidos da equipe.

 

  1. No “grupo-estrela”, cada indivíduo está conectado ao líder, por isso a ideia de grupo, e não de equipe – é chamado de estrela porque a representação gráfica lembra uma estrela (o líder no centro e os integrantes nas pontas). Os participantes não ficam conectados uns aos outros porque não necessitam disso. A comunicação entre os membros do grupo é menos frequente por não ser necessária ao desempenho do trabalho do dia a dia. O padrão é simples, claro e fácil de entender. Há pouca oportunidade ou necessidade de se envolver em discussões que não são pessoalmente relevantes a você. Isso significa que a satisfação com a qualidade da comunicação é alta. É difícil deixar alguém de fora dos comunicados ou não perceber a ausência de algum participante.

 

A partir do momento que você conhece esses dois conceitos, não fica difícil definir que padrão de cooperação utilizar em cada trabalho ou projeto. A maioria dos gestores tende a resistir a esses modelos de cooperação, mas, depois, ficam aliviados ao perceberem que há maneiras mais fáceis de conduzir um grupo de pessoas de forma rápida e satisfatória. Particularmente, o padrão grupo-estrela se encaixa bem para a atividade de vendas em geral. Mas você pode utilizar o padrão grupo-novelo, por exemplo, para trabalhos com equipes especializadas de venda – aquelas destinadas a atender negócios mais complexos. Nesse caso, a própria remuneração dos membros pode estar atrelada umas as outras – quanto mais o grupo vende, mais ele ganha. Se meu colega vender mais, mais dinheiro irá entrar também no meu bolso. Há uma variedade imensa de configurações possíveis por meio desses dois padrões. Experimente! 

 

Livro:Os 4 Cs nos negócios

Autor:Kevan Hall

Editora:Gente

 

Colaboração:Marco Aurélio Marcondes

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