Gustavo Cerbasi

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Gustavo Cerbasi ensina a fazer o dinheiro render Se você cansou de ver seu saldo bancário negativo, precisa mudar sua atitude em relação à administração financeira. Quem dá o conselho é Gustavo Cerbasi.

Conhecido em todo o Brasil, o especialista é mestre em Administração/Finanças pela FEA/USP. Sócio-diretor da Cerbasi & Associados Planejamento Financeiro, Gustavo concede treinamentos, palestras e consultorias. Além de colunista e colaborador em veículos de mídia impressa, televisiva e internet, é autor de diversos livros sobre finanças.

Segundo ele, o grande problema do gerenciamento financeiro é a falta de consciência das pessoas: ?Não importa o quanto ganhamos. O problema está nas escolhas que fazemos?. Aprenda a escolher adequadamente para ter uma vida financeira melhor. Confira a entrevista exclusiva com Gustavo Cerbasi para a revista Motivação.

As dificuldades financeiras acontecem porque as pessoas ganham pouco ou a questão é má administração dos recursos?

O problema está nas escolhas, geralmente sem reflexão e devida consciência dos pequenos valores. Quem ganha pouco deve ser criativo para buscar soluções mais baratas, para fazer ?bicos? e incrementar a renda. Mas se alguém prefere adquirir algo que não tem certeza se pode pagar, está optando por ter uma vida com problemas. As pessoas não dão valor à melhoria que tivemos nos últimos anos e menosprezam a conquista de um padrão maior de riqueza. Todos têm um celular, mesmo que cartões telefônicos custem menos. Outros têm tênis de competição, mesmo podendo comprar calçados mais econômicos. Esses são alguns exemplos de luxos que as pessoas adotam e que as levam a sofrer com a falta de dinheiro.

Além desses ?luxos?, quais são as principais armadilhas financeiras?

Não controlar os gastos. Sem esse hábito é difícil perceber onde estão os erros. Outra armadilha é comprar na hora errada, pois criamos, na época da elevada inflação, o hábito de fazer estoques. Hoje, muitas famílias entram no vermelho e acreditam que ganham pouco, mas não percebem que aqueles 300 reais que faltam estão parados no armário da cozinha ou na roupa que ainda nem foi usada. Se gastássemos apenas quando realmente fôssemos usar, faltaria menos dinheiro. E o terceiro erro é o desprezo pelos pequenos valores. Dar importância aos gastos com cafezinhos e jornais ajuda a limitar as escolhas dos grandes itens de consumo, evitando tingir de vermelho o extrato bancário.

Ficar no ?vermelho? provoca um ciclo vicioso: falta de dinheiro que gera endividamento que traz mais problemas. Como romper esse ciclo?

O primeiro passo é não comprar a prazo nem aceitar dívida que embuta juros elevados, como o cheque especial e o crédito rotativo no cartão. Se você perceber que vai entrar no vermelho, negocie um empréstimo com o gerente no banco, para cobrir o saldo na conta. Se não tiver dinheiro para pagar a fatura do cartão de crédito, faça a mesma coisa.

E se o gerente recusar o empréstimo?

Sinal vermelho, pois um especialista em analisar sua vida financeira está lhe dizendo que passou dos limites ? é hora de vender algo para cobrir o furo na conta.

E para não chegar nessa situação, pelo contrário, para ter uma vida tranqüila financeiramente, qual é o caminho?

A lógica do enriquecimento é relativamente simples: gastar menos que ganhamos e investir com qualidade a diferença. Investir com qualidade é fácil, basta perguntar ao gerente do banco e terá boas soluções de investimento. O problema está na dificuldade em fazer sobrar dinheiro. No livro Dinheiro ? Os segredos de quem tem, menciono a Teoria dos Baldes, que diz que as pessoas deveriam imaginar sua renda sendo dividida em pelo menos dois baldes: o dos gastos básicos e o dos investimentos. Não é correto investir apenas quando sobra dinheiro, é preciso investir sempre.

Quais são as melhores opções de investimento?

Com a economia brasileira crescendo e se fortalecendo, pode se dar bem quem montar um negócio próprio bem administrado, porque o brasileiro está consumindo mais, assim como quem fizer uma carteira de ações, pois as empresas estão crescendo muito, e quem comprar imóveis para revender, porque quanto mais a sociedade enriquece, mais os imóveis valorizam.

Há um investimento para cada perfil de pessoa, como avaliar onde aplicar o dinheiro?

É fundamental se sentir atraído pelo investimento para ter curiosidade e interesse sobre o assunto, pois informação é um dos aspectos mais importantes do enriquecimento. Se você decide investir em ações, mas acha os noticiários econômicos ininteligíveis, dificilmente estará atento a boas recomendações e oportunidades. Da mesma forma, não será um bom investidor de imóveis se não tolerar ler classificados ou visitar empreendimentos imobiliários.

E quem ainda não se sente atraído por nenhum tipo de investimento?

Aconselho a fazer alguns test-drive, como assinar um jornal econômico por três meses, visitar alguns empreendimentos imobiliários e ir umas três vezes a leilões judiciais de bens.

Depois dessa reflexão, você recomenda que pessoas busquem que tipo de ajuda profissional para investir?

A ajuda profissional não faz muito sentido enquanto a pessoa não tem um bom patrimônio, pois o custo da orientação pode roubar a maioria dos ganhos obtidos. A orientação contida em jornais, livros e revistas, somada à consulta gratuita nos portais especializados na internet, costumam ser um ótimo começo. Em qualquer mercado de investimento há muita informação de qualidade disponível a custo irrisório, por isso não vale a pena pagar para adquirir o que pode ser acessado sem custo. No começo, gaste mais tempo com o aprendizado.

6 mitos da administração financeira

1. Achar que há um ?pulo-do-gato?, que faz as pessoas enriquecerem sem esforço (não há enriquecimento sem dedicação).

2. A impressão de que ganhamos menos que realmente precisaríamos para estar bem (na verdade, escolhemos mal os gastos).

3. Pensar que dá para esperar o próximo ano para organizar as contas e começar a pensar no futuro (só estamos empurrando com a barriga).

4. Acreditar que a dificuldade econômica é passageira e que basta ?passar essa fase? para as coisas engrenarem (quem não organiza suas contas sempre enfrenta algum problema).

5. A idéia de que, no final, tudo dará certo (por que a maioria dos idosos é infeliz?).

6. A crença de que seremos mais felizes quando tivermos mais dinheiro (dinheiro e felicidade são coisas diferentes. O dinheiro só potencializa nossas escolhas, ou seja, quem é infeliz com pouco dinheiro tende a ser muito mais infeliz com muito dinheiro).

Para saber mais: www.maisdinheiro.com.br

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