Uma recente pesquisa realizada mundialmente pela empresa que atua em 130 países, a Ernst Young Consulting, com 110 presidentes das maiores companhias do mundo confirmou a importância da chamada “Sociedade Conectada”. Ela surge a partir de uma mudança muito clara na forma de comunicação entre as empresas e as pessoas, apresentando um novo perfil de cliente, que passa a exigir serviços completos e com valor agregado, atendimento ágil e flexibilidade na forma de pagamentos e serviços.
O cliente típico desta sociedade é aquele que, hoje, possui acesso às novas formas de comunicação e mídia, além das já tradicionais (Internet, telefonia fixa e celular). Trata se do grupo capacitado a navegar pela Internet, que no Brasil cresce em média 50% ao ano, já tendo chegado em 1999, segundo as estimativas mais pessimistas, a um total de quatro milhões de pessoas.
No bojo dessas transformações, desenvolve-se a passo largos o comércio eletrônico. Num estudo apresentado no final do ano passado durante o Congresso Nacional de Tecnologia Aplicada a Marketing e Vendas, realizado em São Paulo pela Mantel, Marcos Aguiar, do The Boston Consulting Group Brasil (BCG) apresentou conclusões da empresa que apontavam para um movimento da ordem de US$ 68 milhões em comércio eletrônico no Brasil só em 1999, sendo que o total movimentado em toda América Latina no período foi de US$ 76,7 milhões. De acordo com o estudo, o crescimento do comércio eletrônico na América Latina deverá atingir US$ 215 milhões neste ano e chegar a US$ 757 milhões em 2001. A proporção da participação brasileira no bolo deverá ser mantida, em função da massa crítica da população on-line, dos custos de acesso à Internet relativamente baixos, das iniciativas dos bancos para desenvolver plataformas seguras de comércio eletrônico, do desenvolvimento de fortes portais locais e do crescimento da participação de varejistas e provedores de conteúdos locais.
A despeito das grandes cifras, a presença das lojas virtuais na InterneI ainda é tímida, mas cresce em progressão acelerada. Até junho do ano passado, a BCG contabilizava um total de 307 lojas na rede. Já mais para o final do ano, a One Click, fornecedora de soluções para essa área, reunia cerca de 600 lojas no seu shopping virtual – www.oneclick.com.br, que mescla lojas hospedadas nos mais diferentes provedores, formando um único centro de comércio eletrônico.
O fato é que empresas das mais tradicionais do mercado brasileiro já iniciaram bem-sucedidas experiências na rede. Há casos mais expressivos como o Shoptime, empresa de venda direta pela televisão, que com poucos meses de participação na rede já alcança 10% de seu faturamento advindo da loja virtual ou ainda como o da Polishop, empresa de marketing direto, que com quatro meses na Internet aumentou em 200% o volume de pedidos e chegou a registrar 5% do faturamento só com o site.
Exceções à parte, o que mais se encontra até o presente momento são casos como o da Hering, cujos objetivos iniciais extrapolam a expectativa de um rápido retorno em crescimento de vendas. Apresentando um faturamento anual da ordem de R$ 380 milhões, com uma venda média de 55 milhões de peças/ano, a Hering desde 1996 marca presença na Internet. Em dezembro de 1998, porém, decidiu lançar a Hering Virtual Store em parceria com o ZAZ.
“Nosso primeiro objetivo com a loja foi dar visibilidade à marca, usando a InterneI como veículo”, explica Ronaldo Loos, superintendente da Cia Hering na área de Logística e Serviços ao Cliente. Outro aspecto importante que deu força ao projeto; segundo Loos, foi a necessidade de atender consumidores de diferentes pontos do Brasil que não encontravam produtos Hering com facilidade em suas regiões. “Percebemos que a loja na Internet seria uma boa forma de atender a esta demanda”, diz Loos.
De acordo com ele, o investimento inicial do projeto não teve proporções elevadas, em decorrência da parceria com o ZAZ, que oferece o desenvolvimento de lojas padrão. “Nosso custo girou em torno dos R$ 5 mil iniciais”, conta Loos. O contrato prevê uma taxa mensal para manutenção e hospedagem da loja no Shopping ZAZ. Ele foi feito por tempo indeterminado, podendo ser rompido com aviso prévio de uma das partes com 60 dias de antecedência. Para montar e hospedar a loja virtual, a área de tecnologia da Hering analisou diversos fornecedores e provedores, mas selecionou o ZAZ principalmente pela segurança oferecida e pela estrutura de gerenciamento do shopping. A gestão de vendas pela Internet é feita pela Hering, a partir da estrutura fornecida pelo ZAZ.
Ainda segundo Loos, antes da divulgação da loja virtual, que deve ocorrer mais agressivamente neste ano que se inicia, foi necessário romper algumas barreiras, quebrando paradigmas e interagindo na cultura organizacional da empresa. “Fizemos um forte trabalho de endomarketing”, diz. O objetivo era fazer com que os diversos setores da Hering se comprometessem com o sucesso do projeto. Os controles de estoque, formação de preços, faturamento e entrega são responsabilidade da Heríng. A área de logística e serviços ao cliente é responsável pela operação e conta com uma equipe que envolve desde a área de informática, marketing e financeiro. Todos estão empenhados com o sucesso da operação.
Sem revelar as cifras, Loos informa que este ano a Hering está planejando maiores investimentos para divulgação da loja virtual. Até o momento, porém, a empresa teve uma primeira experiência com divulgação na própria Internet, através da Gincana Premiada Cadê. Trata-se de um evento interativo desenvolvido pela Ethermídia, de Santa Catarina, em parceria com o mecanismo de busca na Web, o Cadê. A realização diária, semanal, quinzenal e mensal de tarefas permitiam aos usuários do Cadê participarem da gincana, recebendo prêmios dos patrocinadores. A Hering foi um deles. “Investimos o equivalente a 60 kits para premiados no valor de R$50 cada”, conta Loos, explicando que os premiados escolhem os prêmios na loja virtual e recebem o produto em casa. Os visitantes que participaram da gincana tiveram de visitar a loja da Hering nas tarefas patrocinadas pela empresa. “Com isso, conseguimos 7.867 novas visitas à loja”, diz Loos. “A partir dessa experiência, pretendemos estar participando de novas promoções na própria Internet”, ele acrescenta.
A presença das lojas virtuais na Internet ainda é tímida, mas cresce em progressão geométrica.
Atualmente, cerca de 5 mil consumidores visitam a loja mensalmente e 15% deles se cadastram. O Estado que mais compra é São Paulo, seguido do Rio Grande do Sul, do Rio de Janeiro e da Bahia. “Nossas vendas pela rede ainda são pouco representativas no global”, afirma Loos. “Mas não esperávamos mesmo expressivas vendas e sim adquirir know-how de comércio eletrônico, além de reforçar a imagem de marca. Esses dois objetivos têm sido amplamente atingidos”, finaliza.
Serviço:
Hering: www.hering.com.br
Shopping ZAZ: www.zaz.com.br/shopping


