Ela era apenas uma menina. Sua avó estava em perigo. Uma história real de coragem e heroísmo que torna a vida mais bonita. Ela era apenas uma menina. Sua avó estava em perigo. Uma história real de coragem e heroísmo que torna a vida mais bonita.
Atos de heroísmo acontecem todos os dias à nossa volta, mas muitas vezes acabam passando despercebidos face à correria do dia-a-dia. Todas as histórias que tenho reunido nesse sentido são baseadas em fatos reais e contam a experiência de pessoas que tiveram a chance de salvar a vida de outras pessoas e ou a sua própria vida, motivadas sempre por uma força maior que as tornam dignas de serem chamadas de ?heróis?.
A seguir você vai acompanhar o relato de uma dessas pessoas comuns que, num certo momento de sua vida, tomou uma atitude que a fez muito especial.
A dona de casa Emília* (os nomes e algumas circunstâncias foram alterados para preservar a identidade dos envolvidos), 53 anos, estava feliz por ficar com os filhos e os netos. Paciente de uma clínica psiquiátrica havia quase três anos, ela passava uma temporada com a família, como parte do tratamento.
Emília estava passando seu último fim de semana na casa da filha mais velha, Joseli. Na segunda-feira, iria visitar o filho mais novo, com quem ficaria mais uma semana e meia, até o final das férias.
Durante a semana, logo que acordava, Emília ia ao quarto da neta, Suelen, de nova anos, para chamar a menina. As duas tomavam juntas o café-da-manhã, e Suelen se preparava para ir à escola.
A dona de casa passava então a ajudar a filha nas tarefas domésticas, enquanto contava como era sua vida na clínica. Joseli estava feliz de ver a mãe se recuperando tão bem. Ela esperava que Emília pudesse logo deixar a clínica e voltar a morar em casa.
Antes de dormir, mãe, filha e neta se sentavam juntas para assistir à TV e conversar. Suelen adorava ouvir a avó contar como Joseli aprontava confusões quando era pequena. Ela ria a valer das aventuras da mãe contadas agora pela avó. No final da noite, Suelen sempre pedia a avó para repetir a canção de ninar que ela cantava para Joseli dormir quando era pequena. Acabava dormindo assim, embalada pela cantiga, no colo da avó.
Emília acordou estranha naquele domingo. Suelen se levantou mais cedo e foi correndo para o quarto da avó, mas ela não quis comer. Depois do café-da-manhã, Suelen foi encontrar uma amiga da rua e Joseli subiu para ver se estava tudo bem com a mãe.
No piso superior, tomou um grande susto. Emília estava no banheiro e se recusava a sair. Ela havia se trancado por dentro com uma faca de cozinha e dizia que iria se matar. Joseli pediu à mãe para que não fizesse isso. Diante do silêncio, começou a gritar.
No andar de baixo do sobrado, Anderson, o filho mais novo de Emília, que chegara um pouco antes com a mulher para buscar a mãe, ouviu os gritos e subiu correndo, junto com o marido de Joseli, para ver o que acontecia. Quando perceberam do que se tratava, todos entraram em desespero.
Pediam para Emília abrir a porta, para largar a faca e deixá-los entrar. Emília continuava irredutível, gritando que iria se matar. Suelen, que estava com a amiga na casa vizinha, escutou os gritos e correu para casa. Ouvindo a filha chegar, Joseli desceu para impedi-la de subir e ver a avó naquela situação.
?O que a vovó tem? Ela está triste? Deixa eu falar com ela?, pedia a menina, ouvindo os gritos no andar superior.
Anderson desceu e chamou Joseli a um canto. ?Deixe-a falar com a mamãe. Elas se dão tão bem e talvez ela a convença a abrir a porta?.
Joseli não gostava da idéia de ver a filha envolvida na situação. Achava Suelen nova demais para estar ali, ainda mais levá-la para falar com a avó naquele estado. Diante do desespero e da insistência da menina, Joseli acabou cedendo.
Suelen subiu com a mãe e encostou na porta do banheiro. ?Vovó? Vovó, você está me ouvindo? Estou só: ?Ela é tão pequena, cabe inteira nos meus braços, vejo seus olhinhos…??.
A menina cantava para a avó a velha canção que Emília tantas vezes cantava para acalmar a filha e a neta na hora de dormir. Emília parou de gritar. Do lado de fora eles ouviram passos e tiveram a impressão de que a mulher se aproximava da porta.
Suelen continuava cantando a música. Seus olhos brilhavam e a cada vez ela cantava mais lentamente, como quem embala uma criança para dormir.
Ouviu-se um barulho de metal caindo no chão. Emília abriu a porta e abraçou a neta. Seus olhos, inchados e vermelhos, estavam agora cheios de lágrimas, que lhe escorriam pela face até os ombros de Suelen, que só parou de cantar quando levaram a avó para o quarto.
Emília estava deitada na cama, com a face tranqüila. Suelen entrou e ficou passando as mãos pelos cabelos da avó, enquanto entoava baixinho a cantiga de ninar.
Joseli parou na porta, com os olhos úmidos, e ficou olhando com emoção a inocência da menina que cuidava da avó com amor e carinho, com quem cuida de um filho.
Se você se interessa por histórias como essa, saiba mais sobre meu último lançamento, Heróis da Vida Real. Da mesma forma, estou procurando novos heróis, histórias do dia-a-dia que podem se passar na sua vida e que dão um brilho especial às nossas existências. Se você conhece um caso assim, ou já aconteceu com você, entre em contato comigo pelo e-mail: viviane@xpressonline.com.br. Ajude a contar mais histórias boas e devolver a esperança às pessoas.
Olho para a matéria: ?Joseli não gostava da idéia de ver a filha envolvida na situação. Diante do desespero, ela acabou cedendo?
Frase: ?O sorriso que dás volta para ti mesmo? ? Provérbio Indiano
Para Saber Mais: Heróis da Vida Real, de Viviane Pereira (Editora Celebris).


