HOMENS, MÁQUINAS, SUCESSO. E A FELICIDADE?

Quer conversar com um especialista?
Entre em contato!

“Por que depois da invenção de tantas e tão variadas máquinas, as pessoas têm ainda mais trabalho a fazer?”

A rigor, o que se deve colocar para reflexão do mundo moderno é o inquestionável risco ora vivido pela Humanidade: o da robotização de corações e mentes. O perigo da geração de andróides, todos programados para vencer a qualquer custo, e não para viver ao preço justo que a natureza cobra de cada um. É óbvio que qualidade de vida passa pela valorização profissional, crescimento na carreira, melhores salários, e todo o resto que a gente já sabe. Mas, também,já está provado que só isso, sem a tal da felicidade, não leva a nada. Ou melhor, leva sim: leva aos leitos de hospitais, com inúmeros distúrbios de saúde causados por uma competitividade predatória, autofágica e burra.

Esta polêmica discussão tem sido uma constante, já não apenas nos meios acadêmicos, mas também nos sindicatos, associações e empresas de todo planeta. Já surgem, presentes nas grandes corporações, as práticas de relaxamento, meditação, astronomia, ginástica e outras soluções ainda menos ortodoxas, para tomar o “ser” realmente “humano”, dentro e fora do trabalho.

Na austera Alemanha, o respeitado filósofo Robert Kurz, que vive em opressão profissional como a mais importante saída para salvar o ser humano no trabalho. Como conseqüência, salvar as próprias empresas. Os mais céticos têm considerado o professor Kurz apenas mais um arauto da desgraça, fechando convenientemente os olhos à realidade e ao futuro. É triste constatar que, por muitos e muitos anos de trabalho profissional, as pessoas corram tanto e tão desesperadamente atrás do sucesso e que, ao fim, quando algumas poucas chegam a tocá-lo, já estão de tal forma desgastadas – física e mentalmente -, que os supostos lucros acumulados precisam ser gastos para cuidar da saúde isso quando ainda dá tempo.

Meu avô, um autêntico espanhol que a luta pela vida soube globalizar com sabedoria, contava uma fábula muito apropriada para ilustrar o tema.

Certo dia, um conhecido milionário estava chegando a uma praia deserta para realizar um de seus maiores sonhos: pescar – solitário, sem compromisso, livre de irritações. Ao chegar, deparou-se com um típico pescador, já grisalho e vestido com simplicidade, sentado sobre uma pedra na areia, com um pequeno caniço nas mãos e a linha jogada bem no raso.

Intrigado com a cena, o milionário não conteve o espírito empreendedor e dirigiu-se ao estranho. “Desculpe-me, mas se o senhor conseguir umas botas e uma vara maior com carretilha, poderia entrar mais para o fundo e pescar algum peixe maior, não é mesmo?”. O pescador, imóvel, respondeu suavemente com outra pergunta: “E para quê?”. Retrucou o milionário: “Ora, para ganhar mais dinheiro e, quem sabe, comprar um bote. Ir mais para o fundo e tentar pegar mais peixes”. No que o suposto pescador insistiu: “E para quê?”. Já irritado, o milionário afirmou: “Para ganhar ainda mais dinheiro, comprar um barco pesqueiro, ir para o mar aberto e trazer mais peixes maiores e mais pesados”. Com uma expressão enfadonha, murmurou o homem: “E para quê?”.

Parecia um absurdo. O milionário, então exaltado, gritou: “Para ganhar mais dinheiro e iniciar uma frota de barcos pesqueiros! Pegar muitos peixes mesmo, ganhar dinheiro como água, droga!”. E foi aí que o homem, pela primeira vez dirigindo o olhar ao milionário, num fio de voz, perguntou: “E para quê? Para ficar rico, como o senhor, e então fazer qualquer coisa que eu queira, que eu goste de verdade?”.

Os olhos do milionário se iluminaram como um farol. Ele abriu um sorriso imenso como o mar finalmente, o pescador havia entendido sua proposta de sucesso! Com um tapinha nas costas do homem, comemorou: “Até que enfim! E isso mesmo, finalmente você pescou a idéia!”.

O pescador, neste momento, voltou a olhar firme para a longínqua linha do horizonte, muito além do seu anzol caído no raso, e concluiu: “Então, não é preciso fazer nada do que o senhor sugeriu, porque eu já estou fazendo o que mais gosto na vida”.

Ricardo Viveiros, jornalista e escritor, é sócio-diretor da Ricardo Viveiros – Oficina de Comunicação.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Conteúdos Relacionados

Como conduzir clientes indecisos e acelerar decisões comerciais

Como conduzir clientes indecisos e acelerar decisões comerciais

Como conduzir clientes indecisos O cliente não precisa ser pressionado. ...
Leia Mais →
Como ajudar vendedores a usarem IA melhor

Como ajudar vendedores a usarem IA melhor

Seu vendedor não resiste à tecnologia. Resiste ao trabalho que ...
Leia Mais →
Venda consultiva não é venda comportada

Venda consultiva não é venda comportada

10 verdades comerciais para recuperar o olho do tigre sem ...
Leia Mais →