O mundo está sendo invadido pelo comércio eletrônico. Para onde quer que se olhe, lá estão a propaganda de uma nova loja virtual ou uma marca reconhecida dizendo que agora seus produtos também podem ser comprados pela Internet. Isso sem contar com o crescimento da grande rede mundial em si, com a constatação de que já somos os quase 4 milhões de internautas e com os provedores anunciando em outdoors, revistas, jornais, rádio e no horário nobre das principais emissoras de TV – aberta ou fechada. Diariamente, são gastos alguns milhares de dólares por causa da e na Internet. No entanto, para o pequeno e médio varejista, poder investir em uma loja eletrônica ainda é um sonho distante, certo? Não. Nada mais errado.
A IBM, uma das principais empresas de informática, que fornece a infra-estrutura necessária para a criação de sites como o do cantor Gilberto Gil e do Free Jazz Festival, defende com unhas e dentes as vantagens competitivas oferecidas ao setor comercial pelos negócios eletrônicos. "Independentemente do tamanho da empresa ou do fato de ela existir apenas no mundo virtual, o e business é um caminho para o qual nenhuma delas pode virar as costas. E ele quem vai conectar uma empresa a seus clientes, funcionários, distribuidores ou fornecedores rapidamente", acredita Luis Fernando Liguori, especialista de sistemas senhor em e-business da IBM, que possui em sua carteira de clientes sites da Internet com histórias muito bem-sucedidas.
É o caso do Friends Vilage, uma cidade virtual que ainda nem foi inaugurada e já está dando o que falar. A página www.friendsvillage.com.br explica detalhadamente o projeto (bairros, museu, universidade, restaurantes, centros esportivos, parques, locais para eventos e um shopping, entre outras coisas) e conta até com um jornalzinho sempre atualizado, que mostra o andamento das "obras" e outras curiosidades. No shopping virtual, o internauta poderá fazer compras de verdade, de mercadorias reais. E é aí que entra o trabalho da IBM: cuidar para que as lojas eletrônicas efetuem transações bancárias de forma absolutamente segura para o usuário. "O grande desafio das empresas que desenvolvem sites desse porte é justamente garantir a segurança, a capacidade de crescimento e a integração nos sistemas para que o seu cliente fique satisfeito e possa obter lucro", explica Liguori.
O negócio da IBM não é o desenvolvimento dos sites em si, ela trabalha com parceiros de negócios distribuídos por todo o mundo. A Big Blue, como é chamada, entra com a parte de equipamentos (servidores como a linha Intel NetFinity, onde os sites são desenvolvidos e hospedados) e de softwares para desenvolvimento, segurança e de transações bancárias (como o NetCommerce, o WebSphere e o Payment Suite, pacote que permite a realização de várias formas de pagamento, inclusive personalizadas), enquanto os parceiros ficam com o desenvolvimento das páginas e, em muitos casos, também ficam responsáveis pela hospedagem e manutenção desses sites (mais informações sobre as soluções de e-business da IBM podem ser encontradas na página www.br.ibm. Com/e-business/portugues/ecommerce/ index. html).
A Planetarium, de Belo Horizonte (MG), é uma dessas parceiras. Ela foi a responsável pela criação e hospedagem da Linux Store (www.linuxstore.com.br), uma loja exclusivamente virtual de produtos do mundo Linux que está no ar desde maio de 99, recebendo cerca de 20 pedidos por dia e efetuando matrículas para cursos com pagamento por cartão de crédito. O desenvolvimento do site, por uma equipe de três pessoas, levou cerca de dois meses. "Gastamos o equivalente a R$ 12 mil, e recuperamos o investimento em quatro meses", comemora Epaminonda Lage, diretor da Planetarium e da Linux Store.
Outra loja virtual que vai muito bem, segundo Liguori, é a da gravadora Atração Fonográfica (wwwatracao.com.br). Apesar de ainda pouco conhecida, a Atração é responsável pela divulgação de artistas que são sucesso garantido de vendas, como Beto Barbosa, Radamés Gnattali, Agnaldo Rayol e do grupo de pagode Os Travessos. E o site não fica nada a dever ao de outras gravadoras, de porte muito maior oferece navegação rápida e inteligente, fotos e detalhes dos produtos, trechos de músicas em formato RealAudio (uma linguagem multimídia que possibilita ao internauta ouvir músicas e assistir a vídeos e notícias em tempo real), pagamento seguro e outros serviços, como banco de empregos e caça-talentos.
O site da Atração foi criado para que a gravadora pudesse disponibilizar ao consumidor seu catálogo inteiro, inclusive a coleção Funarte (uma reunião especial de músicos eruditos), como uma forma de ajudar o internauta a encontrar títulos de difícil acesso no mundo real. A paulista SQ outra parceira da IBM, foi contratada em julho de 99 para desenvolver a loja virtual da Atração. Em setembro passado, o site já estava no ar. Hoje, as vendas realizadas na Internet representam 1% do total de vendas da gravadora, ou cerca de R$ 20 mil mensais.
Todo o processo de criação da loja virtual levou cerca de um mês e meio e R$ 8 mil em investimentos no desenvolvimento, mas não chegou a alterar o cotidiano dos executivos e funcionários da Atração. "A Internet ainda é um meio de vendas muito recente, não existe um histórico do que funciona ou não. Mas também não é nenhum bicho de sete cabeças. A única coisa que tivemos de fazer foi nos reunir com o pessoal da SQ para acertar pequenos detalhes e deixar a loja do jeito que queríamos", atesta Arthur Barbosa, diretor financeiro da gravadora. "E o melhor é que não tive de contratar pessoal especializado ou recorrer sempre ao suporte técnico dos desenvolvedores. Minha própria equipe de sistemas pôde fazer a manutenção e a atualização do site, porque o sistema da IBM oferece a segurança e a flexibilidade necessárias para que possamos administrar pedidos e alterar preços e produtos, mesmo sem termos um conhecimento técnico profundo". Barbosa comemora mais: "Até o final do ano 2000, as vendas virtuais devem ser responsáveis por 5% de nosso faturamento, o que é um crescimento bastante expressivo".
Para quem está pensado em começar, Liguori avisa que montar uma loja pela Internet oferece tanto risco quanto montar uma no mundo real, só que com custos menores – que variam de acordo com as necessidades do cliente. "Mas é bom lembrar que, para o lojista virtual obter sucesso, ele deve investir em estratégias de marketing, como cadastrar sua loja nos principais sites de busca existentes na Web e anunciar em sites de assuntos relacionados aos produtos comercializados, bem como investir também no mundo físico, seja por meio do boca-a- boca ou mesmo de anúncios em classificados ou na mídia tradicional", finaliza o executivo.


