Há idéias que mudam a história de uma vida, toda uma corporação, uma nação e até mesmo os rumos da humanidade.
Idéias que emanam de uma genialidade singular, como a teoria da relatividade e quântica de Albert Einstein, a invenção da câmera de cinema e lâmpada, por Thomas Edison, a invenção do telefone, por Alexander Graham Bell ou a primeira linha de montagem criada por Henry Ford, que transformou o conceito automobilístico mundial.
As grandes idéias não são exclusivas de gênios e cientistas. Você também poderá ser um criador e vendedor de idéias. Pessoas comuns que cultivam o senso de observação, a leitura e a perseverança podem criar do “nada” ou desenvolver novas idéias a partir de outras já existentes e obter sucesso e reconhecimento.
Há idéias empresariais que, aliadas a negociadores de idéias, aparecem do nada para o estrelato dos grandes negócios, movimentando cifras bilionárias. Mas o que pessoas como essas têm de diferente para criar situações simples e que você não pensou antes? Por que, ao ler determinada notícia inovadora, algumas vezes temos a sensação de já ter pensado em algo parecido? Quantas vezes você viu um colega do seu trabalho apresentar uma idéia que todos enalteceram – e você pensou consigo mesmo que há seis meses ou um ano já tinha pensado algo parecido -, e então se pune por não ter simplesmente apresentado a sua idéia naquele momento?
Para ter idéias é preciso ser criativo e tentar fazer do usual algo diferente, por meio da agregação de valor. A criatividade, por sua vez, não é inata; é aprendida e manifesta-se facilmente em “mentes livres” – livres do estresse, do medo de fracasso, da baixa auto-estima e do ceticismo.
A manifestação da criatividade está além do intelecto e aliada diretamente à inteligência. Ser culto não é condição para a criatividade, mas pode ajudar bastante em sua aplicação.
Inovar e transformar fazem parte da natureza da humanidade. O que falta é a busca pela criação. A acomodação, o sentimento de segurança em demasia levam o ser humano a perder sua força criadora. Isso explica porque inúmeras pessoas transformam bruscamente e positivamente a sua vida após uma grande tormenta e outras acabam sucumbindo à miséria.
Mas não basta ter idéias, é preciso reconhecê-las como tal. Disso advém o fato de que precisamos estar atentos à nossa intuição. Ela é o farol que ilumina os caminhos a serem trilhados. As respostas de que precisamos para materializar as idéias estão dentro de nós. Só precisamos aprender a decifrá-las continuamente. Ao contrário da intuição, o pragmatismo aborta a idéia impiedosamente e faz das oportunidades ameaças, no momento em que perdemos a proatividade por falta de crença naquilo que pensamos.
Idéias percebidas pelo criador não são sinônimos de sucesso. É fundamental que tenham aplicação prática. Uma idéia precisa ser trabalhada como um projeto: objetivo, vantagens mensuráveis e imensuráveis, funcionalidade, forma de aplicação, retorno financeiro ou qualitativo. Mas cuidado: mais importante do que dissecar toda uma idéia, é apresentá-la à pessoa certa, no momento certo. Isso evitará que outros cheguem na sua frente, agregará insights e você terá mais chances de sucesso.
Tudo isso pouco adiantará se você não souber transformar suas idéias em valor. O valor de uma idéia é imensurável para aqueles que sabem como “vendê-la”. E para vender uma idéia, é preciso que seja tratada como um produto, trabalhando o marketing. Você deve ser a primeira pessoa a acreditar veementemente no sucesso. Não conseguimos vender algo em que não acreditamos. A crença transforma idéias em práticas que podem transformar a sua vida.
Quando você está com o seu espírito trabalhado na crença, isto servirá como uma alavanca que o levará mais facilmente ao topo. Antes da apresentação, não se esqueça de considerar o seu oponente naquele momento. Ele será o mercado que você precisa conhecer para preparar suas estratégias mercadológicas e vender a sua idéia: o que é valorizado pela outra parte? Ele é um catalisador, que valoriza demais a si mesmo e o reconhecimento? É um apoiador, que valoriza a atenção que recebe e gosta de ser aceito pelas pessoas? É um controlador, que valoriza os ganhos obtidos e gosta de dominar a situação? Ou é condescendente, que valoriza a segurança e procura ter maiores garantias?
Prepare-se para lançar a sua idéia no mercado e aprenda a negociar. Isso poderá transformá-la em um sucesso ou em um fracasso, em segundos. De pouco vale se ela realmente é grandiosa, se não for bem escolhido o mercado e as estratégias para lançá-la. Ela será mais uma grande idéia sem utilidade e você, um criador frustrado.
Eis algumas regras básicas:
. Se o oponente for um catalisador, formalize a sua idéia e o acordo da reunião.
. Se for um apoiador, envolva a rede de relacionamentos a que o mesmo pertence para dar credibilidade a sua idéia.
. Se for controlador, você deve estar com todas as informações necessárias, deve deixá-lo falar à vontade e nunca tente aparecer mais do que ele.
. Caso seja condescendente, mostre provas de que sua idéia pode funcionar e dê-lhe a segurança de que precisa.
Precisamos estar atentos à nossa intuição: ela é o farol que ilumina os caminhos a serem trilhados.
Use as técnicas, aliando seu senso de observação e intuição. A técnica sem a visão intuitiva é como um corpo sem alma: falta-lhe vida. E, mais do que qualquer outra coisa, são necessários vida, energia e bom senso no ato da negociação. Isso balizará o momento certo de ser enfático, retroceder e fechar a negociação. Aja conforme a situação e seja um vendedor de idéias!
Lembre-se de que o sucesso e o reconhecimento são resultado de muita perseverança. As dificuldades, as pedras no caminho, são inúmeras. Tudo aparece para que você desista de sua idéia ou do seu sonho. Por isso, o talento é muito importante, mas a perseverança é fundamental. Se você persistir, quem sabe se algumas de suas idéias – além de transformarem a sua vida – movam o mundo em outra direção, gravando o seu nome na história da humanidade?
Lília Barbosa é consultora master da JCR & Calado Consultores (www.jcr.com.br), empresa associada à Deloitte Touche Tohmatsu. Fone: (0**81) 465-8080. E-mail: l_barbosa@jcr.com.br


