Idéias que rendem

Transformar criatividade em idéias que prosperam e materializá-las no cotidiano das empresas é o grande diferencial para os profissionais. A arte de produzir idéias vai além do incensado estágio da criatividade. Ninguém contesta que ?ser criativo? é quase pré-requisito para fomentar idéias, inovações ou mesmo buscar a eficácia de processos. Entretanto, transformar criatividade em idéias que prosperam e materializá-las no cotidiano das empresas, passa a ser o grande diferencial para profissionais afeitos a trabalhar com a mente aberta e percepção em permanente estado de alerta.

Citando Thomas H. Davenport ? autor do livro What?s the Big Idea? , Harvard Business School Press (2003), ainda não traduzido para o português ? Theodore Kinni, em uma publicação para a HSM Management Harvard Update (julho/agosto, 2003), destaca a figura dos ?profissionais de idéias? ? cuja tarefa principal é identificar e colocar em prática ?algo de novo?, na forma ou no conteúdo, capaz de representar avanços para as suas empresas. Esses profissionais, diz Kinni, além da capacidade de entusiasmarem-se com o potencial de uma idéia encontrada, devem ter uma refinada sensibilidade em condições de detectar e filtrar os atributos necessários para que possam ser superadas eventuais resistências internas, encontrando vertentes favoráveis à implementação prática. ?Somente aquelas idéias que passam pelo teste da funcionalidade, são levadas adiante?, complementa.

No artigo, o autor salienta alguns ?segredos? ? prefiro chamá-los de fundamentos básicos ? facilitadores para a viabilização prática dessas idéias, fazendo-as prosperar a tornaram-se aderentes à empresa e potencialmente propensas ao sucesso. Alicerçado em tais fundamentos, é possível estruturar um conjunto de regras fundamentais a serem adotadas pelos ?profissionais de idéias? para produzir insights mais consistentes e efetivos, a fim de renderem dividendos positivos e, sobretudo, para que sejam propulsores de verdadeiras vantagens competitivas às estruturas organizacionais. Denomino esse grupo de regras de ?Mandamentos para Gerar Idéias que Rendem?:

1º Mandamento ? Soltar a imaginação para muito além do estrito universo do ambiente empresarial. Isso significa que, para poder produzir idéias, é necessário nutrir-se de informações que transcendam o ambiente laboral. Ler mais, ler tudo e de tudo pode ser uma boa forma de estimular pensamentos laterais, associações livres ou favorecer as boas escolhas na prática de benchmarking.

2º Mandamento ? Verificar a adequabilidade da idéia ao contexto organizacional. Assim que a idéia surge, enquanto os insights acontecem, é muito importante colocar em marcha, concomitantemente, um processo de avaliação. Além das naturais valências intuitivas, critérios mais racionais devem estar integrados, no sentido de analisar a pertinência ou adequação dessa idéia à realidade funcional da organização, às suas características e possibilidades reais de execução.

3º Mandamento ? Ancorar as idéias no maior número possível de áreas da organização. Ou seja, quanto mais simpatizantes e aliados de diferentes matizes funcionais, dentro de uma empresa, aderirem a uma determinada idéia, maior será a tendência à aceitação e, mais efetivas, serão as possibilidades de sinergia e interação entre todos na fase de implementação.

4º Mandamento ? Utilizar sempre um ?projeto-piloto?. Em seu artigo, Theodore Kinni sugere: ?pense grande e implemente em pequenos pedaços.? Conduzir uma implementação junto a um universo mais restrito e experimental minimiza os riscos de grandes conseqüências em caso de fracasso, possibilita rápidas correções de rumos e, em caso de sucesso, fica muito mais fácil obter apoio e expandir os horizontes do que já foi colocado em prática.

Em síntese, a simples geração de idéias ? embora salutar ao desenvolvimento de uma postura mental mais dinâmica e inquieta ? não assegura a quem quer que seja, o rótulo de ?ser um criativo eficaz?. Afinal, assim como o fato de alguém deter uma informação e não saber usá-la pode significar a ausência de conhecimento, uma idéia sem condições de implementação talvez não passe de um devaneio existencial, de um lampejo visionário ou de qualquer outro eufemismo a ser utilizado para expressar que uma idéia solta e sem densidade seqüencial será incapaz de render vantagens competitivas ao contexto organizacional.

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