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O comportamento humano é um assunto fascinante, mas ao mesmo tempo complicado de entender. Você já deve ter se questionado:

Por que mudar os mais simples comportamentos parece tão difícil, mesmo sabendo que estamos errados? Por onde começar?

Por que pouco aplicamos as técnicas que aprendemos em treinamentos se ali na hora as coisas parecem fáceis?

Para responder algumas dessas perguntas, vamos entender melhor alguns conceitos fundamentais da psicologia: a definição de personalidade e sua estrutura básica.

“Personalidade é a resultante psicofísica da interação da hereditariedade com o meio, manifestada através dos comportamentos, cujas características são peculiares a cada pessoa”, afirma J. C. Filloux. Ou seja, somos o resultado da herança genética, influenciada fortemente pelo meio ambiente. O mais importante a salientar é que os comportamentos que compõem a personalidade, mesmo com o passar dos anos, conservam características que lhes conferem consistência e continuidade.

Erich Fromm diz que é possível fazer previsões a respeito dos comportamentos de um individuo em situações futuras, pois apesar de a personalidade adquirir alguma maleabilidade com o passar dos anos, a estrutura (a base) continua sendo a mesma durante toda a vida.

Cada um de nós carrega em sua vida adulta as raízes de sua história na infância. A grande questão a se discutir é: até que idade se forma essa estrutura básica que irá nortear nossos comportamentos por toda a vida?

A maioria dos pesquisadores concorda com a tese desenvolvida por G. Dryden e J. Vos, segundo a qual “cerca de 50% da capacidade de aprender é desenvolvida nos primeiros quatro anos de vida. Outros 30% dessa capacidade, antes de completar Oito anos.” Isso significa simplesmente que nesses primeiros anos você forma as principais trilhas de aprendizagem em seu cérebro. Tudo mais que aprender na vida será baseado nesse alicerce e todo o aprendizado posterior crescerá a partir desse núcleo.

Uma vez que a base da personalidade se forma na infância, passaremos a analisar como ela se divide. Freud desenvolveu uma estrutura para explicar a personalidade, denominada a aparelho psíquico, que é composto por três partes: Id, Ego e Superego.

O Id é a parte original, a partir da qual, posteriormente desenvolvem-se as outras duas. Está voltado a satisfazer nossas necessidades básicas desde o começo da vida. A atividade do Id consiste em impulsos que buscam o prazer. Ele deseja a gratificação imediata e nãO tolera a frustração. O Id é aquele nosso lado instintivo, que não mede as conseqüências dos atos para se satisfazer.

Entretanto, à medida que a criança vai crescendo aprende que precisa se adaptar as exigências e condições impostas pelo meio, pois nem tudo que deseja consegue.

Para essa adaptação, diferencia-se do Id uma nova parte do aparelho psíquico, o Ego, que terá como principal função agir como intermediário entre o Id e o mundo externo. É o Ego que aprende a controlar os impulsos, decidindo se eles devem ser satisfeitos imediatamente, mais tarde ou nunca.

À proporção que continua se desenvolvendo, a criança descobre que existem normas e regras estabelecidas pelo meio que se repetem com muita freqüência. Essas normas acabam se incorporando à estrutura psíquica, constituindo O Superego.

O Superego representa a resposta imediata, O “certo” ou o “errado”, diante de várias situações que exigem uma tomada de que, dependendo da educação que recebemos, acaba se transformando no impulso de censurar a tudo e a todos, principalmente nós mesmos. O Superego é a parte de nossa estrutura que nos reprime, nos censura, funcionando como freio de impulsividade. Ou seja, é O oposto absoluto do Id.

Nem o Id nem o Superego são realistas, pois agem imediata e irrefletidamente. O primeiro, buscando de forma indiscriminada o prazer, e o segundo, censurando-o automaticamente.

Imaginemos a confusão: temos duas partes de nossa personalidade que são opostas e geradoras de conflitos.

Com o passar do tempo, os conflitos emocionais, problemas mal resolvidos e as disputas entre o Id e O Superego na infância vão gerando as dezenas de neuroses que temos quando adultos. Os problemas comportamentais apresentados são muitos e logicamente a “lista” varia muito de pessoa para pessoa, tanto na quantidade como na intensidade dos problemas.

Para exemplificar, vamos apresentar uma lista das neuroses mais comuns. Por uma questão didática, separaremos a lista em duas partes as neuroses mais relacionadas ao Id e as mais relacionadas ao Superego.

IMPULSOS mais relacionados ao Id:
AGRESSIVO,
APETITES INSACIÁVEIS,
CARENTE,
CHATO,
CHORÃO,
COMODISTA,
DEPENDENTE,
EGOÍSTA,
FALSO,
GULOSO,
IMPACIENTE,
IMPULSIVO,
MAL-HUMORADO,
PASSIVO,
PREGUIÇOSO,
REBELDE,TEIMOSO.

IMPULSOS mais relacionados ao Superego:
CRITICA NOSSAS AÇÕES,
REPRIME NOSSOS DESEJOS,
CULPA-NOS,
IGNORA NOSSO HUMOR,
INVALIDA NOSSAS IDÉIAS,
CENSURA NOSSO PRAZER,
DESENCORAJA-NOS

E além disso custuma ser:
ACUSADOR,
ARGUMENTADOR,
AUTORITÁRIO,
CRÍTICO,
EXIGENTE,
PRECONCEITUOSO,
INTIMIDADOR,
PREPOTENTE.

Imaginemos a confusão: temos duas partes de nossa personalidade que são opostas e geradoras de conflitos

É muito importante esclarecer que as três partes da estrutura psíquica não podem ser consideradas isoladamente em seu desenvolvimento e funcionamento. Elas são interdependentes.

Felizmente para lidar com os extremos existe o ego, que desempenha o papel de integrador, “organizando” simultaneamente as exigências e necessidades do Id, do Superego e do mundo externo.

Vejamos duas situações que ilustram o papel desempenhado pelas três partes:

Uma pessoa em dificuldades financeiras sente-se tentada a tirar 30 dias de férias no exterior. Diz o id: “Quero viajar porque gosto e não suporto a tensão do desejo. Quanto ao dinheiro, pague com cartão de crédito, depois você dá um jeito”. O Superego faz o seu papel: “Você não pode viajar, além de não ter o dinheiro, 30 dias é muito tempo, fique em casa”.

Outra situação: Alguém vai a uma festa, as mesas estão servidas, cheias de salgadinhos e doces. Pensa o Id: “Estou com fome, então vamos atacar a comida”. O Superego retruca na hora: “Não seja mal-educado. Espere as outras pessoas começarem a se servir”.

E agora?

Uma pessoa com O Ego fortalecido, talvez tomasse as seguintes decisões:

Na primeira situação: “Você poderá fazer esta viagem no ano que vem, quando a situação estiver melhor. Por enquanto, basta uma semana na praia, que vai ser bastante agradável e não vai ser tão caro”.

Na segunda situação: “Você pode estimular os anfitriões a liberarem a comida, e já que a fome é grande, comece você a puxar a fila”.

Alguns de nós somos mais “atirados”, outros mais “respeitadores”. Tudo vai depender de como acontece a interação das três partes. Embora talvez não percebamos, esse dilema acontece dezenas de vezes, todos os dias. O Ego é a parte emocional que realiza a NEGOCIAÇÃO do conflito entre Id e Superego, considerando os aspectos peculiares da natureza do indivíduo e o tipo de meio onde vive. Decide o que fazer, quando e de que forma. Em outras palavras, são funções do ego: lembrar, pensar, planejar e decidir.

O desenvolvimento do homem como ser social baseia-se num equilíbrio entre as forças dos impulsos primitivos do Id, das exigências do Superego e do meio a partir do qual estes se formaram. O bom resultado desse equilíbrio dependerá da existência de um EGO FORTALECIDO, de um SUPEREGO e um ID moderados. (Charles Brenner)

Poderíamos descrever pelo menos dez características de pessoas com o ego atuando de forma equilibrada:

1- Viver de acordo com a realidade, sem deixar-se levar Por impulsos, temores ou fantasias.
2- Ser capaz de reconhecer os próprios sentimentos e emoções no momento em que estiverem ocorrendo.
3- Estar adaptado profissionalmente e conseguir realizar o trabalho cotidiano, sem sentir-se excessivamente fatigado ou tenso.
4- Ser capaz de realmente descansar e distrair-se nos períodos de lazer.
5- Ser autoconfiante e assertivo mesmo perante situações adversas.
6- Ter flexibilidade para mudar de opinião quando necessário.
7- Ser capaz de amar, obtendo prazer tanto em dar como em receber amor.
8- Interessar-se pelos semelhantes de maneira construtiva, sem esquecer-se dos seus próprios interesses.
9- Estabelecer amizades duradouras, sendo tolerante e afetuoso.
10- Promover o bem-estar da família e, na medida do possível, contribuir para o progresso da coletividade.

É importante ter consciência de que é impossível mudar a estrutura da personalidade, porque faz parte do desenvolvimento humano. Além disso, é muito difícil alterar por completo determinados comportamentos. Uma pessoa impaciente e agitada, por exemplo, dificilmente se tornará calma e paciente.

O que podemos fazer é “gerenciar” a intensidade de comportamentos que julgamos inadequados, diminuindo a impaciência – ou qualquer outro comportamento – a um grau que não interfira de modo negativo em nosso cotidiano e no daqueles que nos rodeiam.

A grande vantagem que temos como seres humanos é que podemos fazer uso do livre-arbítrio, fortalecendo mais e mais nosso Ego na tomada de decisões.

O processo de mudança do comportamento ou da intensidade passa por pelo menos quatro fases:

1 – Informação:
Observarmo-nos, em diferentes momentos da vida, procurando conhecer expectativas, interesses, medos, talentos, frustrações. Ler, estudar e participar de treinamentos na área comportamental podem ser importantes fontes de informação.

2 – Conhecimento:
Pela auto-observação, mantemos um registro das nossas atitudes e comportamentos. Conhecer nossos “defeitos” e “talentos” é o primeiro passo em direção à maturidade emocional.

3 – Consciência:
O conhecimento, por si só, não produz mudanças. É necessário incorporar o conhecimento, mudando a visão sobre os comportamentos em questão.

4 – Ação:
Só conseguiremos gerenciar melhor nossa vida se partirmos para a ação, confiando em nossas potencialidades. Requer decisão, paciência e ação perseverante.

Na prática, o equilíbrio emocional vai aumentando conforme nossa capacidade de aprender com as experiências próprias e dos outros, conscientes da dificuldade que acompanha o aprendizado.

Nunca é tarde para sermos melhores. Ouçamos nossos corações e comecemos dando o primeiro passo.

O processo de mudança do comportamento ou da intensidade passa por pelo menos quatro fases.

Colaborou na revisão do texto a psicóloga Ivani Carollo (icarollo@matrix.com.br)

Eduardo Barreto Ferraz é pós-graduado em Direção de Empresas, diretor da PACTIVE, consultor e instrutor em vendas, negociação, liderança e gestão de mudanças comportamentais, atuando e tendo atuado em empresas como: AVENTIS, COAMO, COTREL, COTRIJAL, CYANAMID, DELLANNO, FIAT e VOLKSWAGEN (revendas), MORO, PETROBRÁS, SADIA.
E-mail: eduardo@pactive.com.br
Home page: www.pactive.com.br

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