José Luiz Tejon

José Luiz Tejon

Aos quatro anos, ele sofreu uma grave queimadura que o deixou à beira da morte. Sobreviveu, mas passou 14 anos semi-internado em hospitais públicos. Mesmo depois de inúmeras cirurgias e tratamentos, tudo indicava que seria impossível ele namorar, casar, ter filhos e muito menos se tornar um grande profissional.
Apesar de todas as dificuldades, ele se consagrou como executivo, palestrante e escritor bem-sucedido. Mais que isso, tornou-se uma pessoa capaz de ser feliz e de ajudar os outros a transformarem suas vidas. José Luiz Tejon é mestre em Educação, Arte e Cultura e professor de pós-graduação da FGV e ESPM. Especialista em diversas áreas nas mais reconhecidas instituições nacionais e internacionais, foi também executivo de grandes corporações como o Grupo Estado de São Paulo, em que dirigiu a Oesp Mídia. Já recebeu diversos prêmios nas áreas de marketing e vendas, é músico e autor de mais de dez livros, dentre eles o best-seller O Vôo do Cisne.
Sua mais nova obra, A Grande Virada – 50 regras de ouro para dar a volta por cima, reúne o aprendizado de quem superou as mais árduas dificuldades para mudar a trajetória de sua vida. Além disso, traz experiências, conhecimentos e histórias reais para compartilhar um pouco do que ele aprendeu. Confira na entrevista a seguir, concedida com exclusividade à Motivação, um pouco do que Tejon pode ensinar a todos nós.

Qual das 50 regras para dar a volta por cima você utilizou para transformar o menino que tanto sofreu em um homem tão admirado?
Cada uma das regras faz sentido sempre. Uma conecta a outra. Mas se precisar escolher, prefiro a número 13 – Pessoas no amor. Como eu era uma criança, e crianças são dependentes de guias, pais, protetores, essa é a regra onde tudo começou. Foi o amor da mãe biológica que me fez nascer, o amor dos pais adotivos que me trouxeram para um lar e o da mãe adotiva e das pessoas que me cercavam que não permitiram que eu morresse ou me transformasse num covarde perante a vida. Foram pessoas no amor que me ensinaram a ter coragem para fazer o que eu precisava.

Quando sofreu a grave queimadura, você mudou completamente sua trajetória, ao contrário de muita gente. Por que tantas pessoas não conseguem enfrentar as crises pelas quais passam?
As regras de ouro que tratam dos relacionamentos humanos são vitais às viradas que as pessoas precisam dar na vida. A regra de ouro número 3 – Qual é a sua legião? Com quem você anda? – fez uma imensa diferença para mim. Somos o resultado da qualidade dos nossos relacionamentos desde a infância. Com a ajuda da sorte, convivi com pessoas extraordinárias, como as do Colégio Canadá, em Santos, os amigos músicos dos festivais, a vanguarda de intelectuais e artistas de um dos melhores teatros do País no começo dos anos 70, os professores da Fundação Cásper Líbero onde estudei, a elite de executivos que atuava na Lista Telefônica Brasileira (LTB) e pessoas de outras empresas onde trabalhei, como Jacto S.A., Agroceres S.A., Grupo Estado de São Paulo e, atualmente, FGV e ESPM – minhas duas moradas oficiais. Essa base de relacionamentos foi e continua sendo muito importante.

Qualquer pessoa pode ter essa capacidade de superação que você teve? É possível aprender a se superar?
Todo ser humano tem dentro de si o potencial de ser feliz. Já nascemos com esse motor superador em nós. A questão é simples, mas parece complexa. Achamos que uma pessoa que engana os outros e não se aplica para fazer nada bem-feito é alguém que não se supera. Isso é mentira, ela se supera sim, e muito, mas para o mal. Além disso, também está num movimento constante e permanente de mudanças, pois precisa envolver indivíduos e aprender a parecer que é competente mesmo sem ser. Tudo isso é uma energia imensa de superação. Todos, enquanto vivos, carregamos dentro de nós um motor, um dínamo e uma bateria de vontades. Domá-las é o nome do jogo. A questão é a canalização do esforço superador para o bem ou para o mal.

Essa força costuma surgir diante de grandes crises, e não quando tudo "parece estar bem". Por que as pessoas passam anos em empresas, cargos e relacionamentos que não contribuem para sua felicidade?
Quando levamos o choque da vida, já foi o tombo. É preciso levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima. A grande virada, no entanto, é dar a volta por cima antes de ficar por baixo. Isso significa evoluir sempre, não temer o futuro e a mudança, além de compreender e aceitar que estamos num universo que gira e se move a velocidades impressionantes. Sofremos quando nos iludimos com a sensação de que podemos parar o mundo e a vida. Uma das mais sensacionais regras de ouro é a número 7 – Sua vida está a serviço do que você pensa ou o que pensa serve à sua vida? Ela diz que sempre devemos questionar o que pensamos. Quando colocamos nossa vida servindo ao que pensamos é um perigo, pois costumamos pensar errado. Somos falíveis e influenciados por modas, tipos e comportamentos. Dar grandes viradas significa não se acomodar nunca e colocar seu pensamento a serviço da sua vida, jamais o contrário.

Além do pensamento errado, muitas pessoas têm dificuldade para dar o primeiro passo de uma virada. O que fazer para quebrar essa inércia?
Geralmente, só damos o primeiro passo quando estamos na pior, ou seja, nos acidentes, doenças, falências, perdas de emprego, mortes, etc. Muitos de nós só mudamos sob pressão – quando a empresa, cliente ou tecnologia nos obriga. E, por último, poucos de nós mudamos por libertação. Fazer das mudanças viradas naturais é a felicidade suprema. Por isso, precisamos despertar e desvendar nossa realidade.

Como a coragem para quebrar essa inércia e despertar para a realidade faz diferença na vida de uma pessoa?
Fará diferença na quantidade e qualidade de vida que ela terá a partir disso. É preciso acordar e ter coragem de enxergar a realidade para responder à célebre pergunta da regra de ouro número 2 – Se você vivesse novamente, o que faria diferente mesmo sem poder mudar o destino? O que você faria? Se não dermos as viradas necessárias, não vivemos nossa vida, e sim uma ilusão ou a vida dos outros. E isso é simplesmente jogar fora toda uma vida. O preço é brutal.

O que fazer para não pagar esse preço e mudar nossa trajetória?
É preciso refletir e aplicar a regra de ouro número 12 – O que você vai fazer com o resto da sua vida? Se vivêssemos cada segundo intensamente, poderíamos até ter alterado nosso destino para melhor. Então, não devemos pensar no que poderemos fazer diferente se tivermos uma segunda vida, e sim em como mudar a que tem agora, o que vamos fazer com ela daqui para frente.

Você diz que as 50 regras são ingredientes e cada pessoa pode utilizá-los de maneira diferente? Qual é a sua receita preferida?
É a que eu preciso hoje. Estou profundamente envolvido com a regra de ouro final de número 50 – Só existem duas formas de viver – e a regra diamante – De volta para casa. A primeira é como disse Machado de Assis: "A arte de viver consiste em tirar o maior bem do maior mal" e significa a construção de virtudes em tudo. A segunda traz a importância de aprender a voltar para dentro de si, celebrar várias situações, criar momentos inesquecíveis em abundância e saber sair quando estamos no auge. Foi o que fiz com minha carreira de executivo. Sai após uma sensacional carreira dentro do Grupo Estado de São Paulo, em que dirigi a Oesp Mídia, levando-a do prejuízo ao lucro sustentável e formando sucessores capazes e valorosos. Para finalizar, deixo a regra de ouro número 5 – Você se vê como um fim ou um começo? Somos sempre um começo, jamais um fim. Estou construindo novas carreiras como professor, escritor, educador, consultor e mentor. Não abandono, porém, a de músico. Toco uma vez por mês, ao lado de maravilhosos amigos, os deliciosos rocks dos anos 60 e 70, no Dinossauros Rock Bar. E quem quiser compartilhar comigo suas viradas na vida pode escrever para o meu e-mail: [email protected]

Título: A Grande Virada – 50 regras de ouro para dar a volta por cima
Autor: José Luiz Tejon
Editora: Gente

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