Jurerê Internacional

Como os empreendedores de Jurerê Internacional pensaram em um residencial sustentável e com tamanho valor de mercado?

Feriado. Eu estava em Florianópolis, em Jurerê Internacional, quando toca meu celular. Era da Habitasul, empresa administradora do residencial Jurerê Internacional, avisando que a entrevista com a diretora do empreendimento seria adiada. Andrea Druck estava sem voz por ter trabalhado direto no feriado e preferia poupar a garganta. Não era para menos. Jurerê Internacional estava lotado de turistas e não deve ser fácil administrar tamanho empreendimento.

 

Quem passa pelas ruas do residencial fica encantado com sua beleza. As construções são lindas e grandes e há poucos prédios na região – os que existem têm no máximo quatro andares. As casas sem muros, com alto padrão de arquitetura, lembram o estilo norte-americano de construção. Se de um lado a urbanização das ruas encanta pela infraestrutura, do outro a praia chama os banhistas para o mar. Jurerê Internacional foi a primeira praia da América do Sul a receber o selo internacional Bandeira Azul, conferido às praias ou marinas que cumprem com os critérios de qualidade ambiental, segurança e sinalização aos banhistas, bem-estar, infraestrutura e qualidade da água.

 

Além das construções suntuosas e da praia belíssima, o local chama atenção pelo que oferece. São várias opções de lojas, restaurantes, hotéis. Algumas das festas mais badaladas do verão ficam em Jurerê Internacional, queé hoje um dos destinos mais valorizados do litoral brasileiro. Para se ter ideia, uma pesquisa rápida pela internet indica que o aluguel de uma casa no residencial durante o réveillon passado poderia custar de R$1,5 mil até R$7,5 mil por dia. Toda essa valorização não aconteceu de um dia para outro. Foi fruto de um projeto que teve início há mais de 30 anos e que previa um residencial aberto, sem portão algum que o separasse da cidade, mas que, mesmo assim, fosse um local seguro e diferenciado para morar.

 

O início

No fim da década de 70, os irmãos gaúchos Péricles e Eurito Druck, sócios do Grupo Habitasul, decidiram apostar no norte de Florianópolis, SC. Eles pensaram em criar um empreendimento que tivesse compromisso primordial com a qualidade de vida tanto para os moradores como para os visitantes. “Jurerê foi concebido para ser um destino residencial e turístico de alto padrão, integrado à cidade e às dinâmicas inerentes à vida urbana”, comenta Andrea Druck, filha de Péricles e atual diretora do empreendimento.

 

Naquela época, os terrenos do norte da ilha de Florianópolis tiveram uma grande valorização com a duplicação da via de acesso às praias, a SC 401. Mesmo assim, o bairro de Jurerê permanecia bastante inalterado. Segundo Andrea, a região, conhecida hoje por Jurerê Tradicional (em contraposição com a vizinha Jurerê Internacional), tinha apenas cabanas para abrigo de pescadores. Já o local onde o residencial foi instalado era uma grande área desocupada, que foi adquirida pela Habitasul e loteada a partir disso – o primeiro morador do residencial data de 1982.

 

O plano de vendas do residencial começou focado nos veranistas. Depois, com a infraestrutura no local e a duplicação da via de acesso ao bairro, as vendas também visavam pessoas que queriam residir o ano todo ali. O público-alvo era profissionais liberais de classe média alta de São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. “As ações de marketing direto e indireto contribuíram para as vendas. Uma dessas ações foi trazer o público por meio de caravanas para conhecer o local onde seria desenvolvido o projeto proposto pela Habitasul”, explica Andrea.

 

Uma das grandes características do residencial é que ele foi implantado com regras rigorosas de ocupação de solo, construção e uso. Os moradores que decidem viver no local assumem, no contrato de compra e venda, que irão manter em suas residências o conceito de qualidade de vida proposto pela Habitasul. Um exemplo disso é que os terrenos não possuem muros ou grades frontais, os jardins devem ter tratamento cuidadoso, as casas são amplas, as ruas e espaços públicos são arborizados e limpos.

 

Andrea Druck explica que a ideia do empreendimento surgiu a partir de estudos mercadológicos e também por meio da experiência imobiliária da Habitasul, que desenvolveu um projeto inovador para o local. O público-alvo foi bem selecionado: pessoas que almejam qualidade de vida, porém que não dispensam as vantagens do conforto e da praticidade. “Antecipando-se às necessidades, idealizamos um residencial que atendesse aos objetivos e desejos daqueles que buscam o prazer do meio ambiente natural somado a espaços de convivência social, lazer e ainda que oportunizasse a prática de esportes”, afirma.

 

Gaúcho em terra catarinense

Não foi fácil edificar o megaempreendimento de Jurerê Internacional. A Habitasul enfrentou diversos obstáculos.“Era um projeto de futuro e deveria ser compreendido no presente. Não havia referênciais conhecidas, fato que gerava desconfiança não apenas no projeto em si, mas na potencialidade comercial e na viabilização da implementação. O primeiro desafio, que permeou desde o início, foi conciliar desenvolvimento, urbanização e valorização imobiliária com preservação da natureza”, lembra Andrea.

           

A comunidade local estava com muita resistência quanto ao real objetivo do empreendimento. “Eles temiam que fosse um loteamento sem preocupação alguma com o meio ambiente. Além disso, a origem da empresa – gaúcha, e não catarinense – também era motivo de oposição”, destaca. Mas a relação com a comunidade foi melhorando à medida que a Habitasul realizava reuniões para apresentar detalhadamente o projeto. “Foi necessário anos e anos de trabalho para reverter o prognóstico negativo e mostrar o objetivo do empreendimento”, comenta.

           

Bem-estar           

Jurerê Internacional privilegia casas no lugar de apartamentos. Dessa forma, a densidade demográfica no local é 50% menor que a permitida em Florianópolis. “A decisão de manter a densidade populacional baixa foi essencial para garantir a qualidade de vida no residencial”, acredita Andrea. Ela também destaca a criação de novos produtos, serviços, facilidades e soluções para o bem viver dos moradores e visitantes. Para oferecer tudo isso, a Habitasul atua em quatro dimensões: ambiental, cultural, física e humana. Na dimensão ambiental estão previstas ações de preservação da mata local e educação ecológica para a comunidade do entorno. Um exemplo disso é que cerca de 190 hectares do terreno do residencial foram destinados à Estação Ecológica Carijós, que fica próxima ao residencial e é supervisionada pelo Ibama.

 

Na dimensão cultural, a Habitasul valoriza e incentiva projetos educacionais, culturais, esportivos e estudos arqueológicos na região. Na física, Jurerê Internacional se propôs a oferecer infraestrutura excelente por meio da organização e manutenção das ruas e de projetos avançados de saneamento de água e esgotos, por exemplo: quem mora no residencial pode beber direto da torneira sem medo de ingerir água de má qualidade. Além disso, o local foi o primeiro do País a possuir coleta de esgoto a vácuo, que garante a não contaminação do lençol freático, descartando a possibilidade de possíveis vazamentos. E na dimensão humana, o residencial oferece opções de lazer e de serviços para a comunidade, com várias lojas, restaurantes, um shopping ao ar livre, hotéis, bares, supermercado, farmácia, enfim, facilidades para quem mora ou está apenas de passagem.

 

O que mais chama atenção em Jurerê Internacional é que seu projeto inicial já previa o equilíbrio dos fatores sociais, ambientais e econômicos (o tripé que define as ações de sustentabilidade) muito antes de o assunto figurar na mídia com frequência.

 

Futuro sustentável

O projeto de Jurerê Internacional foi concebido de uma só vez, como um grande empreendimento imobiliário. No entanto, as etapas de construção foram acontecendo ao longo dos anos. As primeiras se deram na década de 80, mas, da área original, apenas 45% já foi implantada. Segundo Andrea, o restante do espaço está sendo permanentemente revisto. Ela afirma que o futuro do residencial trará ainda mais integração sustentável com o meio ambiente e cada vez menos uso demográfico do solo.

 

Atualmente, Jurerê Internacional é consolidado como um centro socioeconômico ambiental de Florianópolis, um empreendimento que nasceu com o intuito de ser um local diferenciado para se viver e hoje, 30 anos depois, mostra-se como um projeto de sucesso e totalmente sustentável!

Conteúdos Relacionados

Rolar para cima