Veja como foi o trabalho de reposicionamento da Kodak para lidar com a decadência das fotos impressas e o crescimento das digitais. As fotos impressas continuarão em processo irreversível de queda, por todos os próximos anos, até alcançarem um novo patamar, não superior a 20% dos níveis atuais. E tudo tem a ver com as máquinas digitais e com a circulação de fotos através da internet, da televisão acoplada aos novos dvds players que lêem diferentes sistemas, dos vídeos/cds e dos porta-retratos também digitais, um pouco mais para frente. Lá por 2020, imprimir fotos e pendurar na parede ou carregar na carteira será uma exceção. A regra será carregá-las no celular, nos ipods, em cds, em enviar pela internet.
De qualquer maneira, e ainda altamente dependente da venda de filmes, do processamento e da impressão em papel, a Kodak luta desesperadamente para prolongar, atenuando, a inexorável decadência das fotos impressas.
E a estratégia da Kodak passa pelas mulheres. No início do processo de comercialização das máquinas digitais, o grande comprador era o homem, até porque as máquinas eram de difícil manejo, e as mulheres, conforme as pesquisas têm demonstrado, detestam mexer com fios e cabos, programar e desprogramar, atenuar o ?olho vermelho?, regular para mais perto/mais longe. Querem ir direto ao ponto sem maiores complicações. Apontar, clicar, e conferir. De preferência num visor maior. E a Kodak atendeu às suas aspirações.
Desde 2002, a Kodak procedeu a rigorosa e consistente revisão em suas máquinas digitais, privilegiando a simplicidade e aumentando o tamanho da tela. Acertou na mosca. Do terceiro lugar, que ocupava em 2002 em vendas de máquinas digitais, nos Estados Unidos, saltou para o primeiro e trouxe a concorrência em sua cola, copiando seus passos. E o salto é atribuído, exclusivamente, à adesão das mulheres. Em recente pesquisa realizada por uma empresa de Massachusetts, a conclusão foi apenas a seguinte: ?Os homens são da Canon. As mulheres são da Kodak?.
Mesmo com o sucesso junto às mulheres, o caminho da Kodak daqui para frente é cada vez mais difícil, à medida que as fotos convencionais vão dando lugar às digitais. E a empresa tem de se reposicionar por completo, vendo parcela expressiva de suas receitas derreterem pela mudança de cultura/ambiente. Enquanto tenta concentrar sua atenção no futuro ? foto digital ? desacelera e encerra lentamente suas operações de filmes fotográficos. Já seus concorrentes, HP e Sony, entre outros, sem o peso do passado porque não atuavam no setor fotográfico, concentram 100% de sua atenção, energia e talento no futuro.
Com todo o sucesso em se voltar para a mulher e mesmo alcançando a liderança nos Estados Unidos, a legendária empresa de Rochester continua no vermelho. Nos últimos quatro anos, registra uma importante queda em suas receitas e reduziu sua força humana em mais de 12 mil funcionários.
Mas sem o apoio das mulheres, o amarelo de suas cores já teria desbotado por completo.


