Líderes e subordinados

A liderança das organizações custa a ver sinais que, embora singelos, são bastante significativos. É preciso perceber que o subordinado é reflexo de seu líder. Mostra-me seu subordinado que eu te direi que líder você é. Qualquer semelhança com o ditado: ?Dize-me com quem andas que eu te direi quem és?, não é mera coincidência. Os líderes das organizações estão mais expostos ao mercado do que eles podem imaginar. No contato diário com as organizações, é possível traçar um perfil de seus líderes sem ter contato direto com eles. A equipe de um líder oferece a referência necessária sobre o seu estilo de liderança.

Isso pode ser demonstrado através de situações vividas nas organizações. As situações descritas a seguir podem ilustrar estilos de liderança somente pelo contato com os subordinados desse líder.

O cubículo de reuniões
Uma situação bastante comum nas organizações é a equipe recebendo visitantes amontoados nos seus cubículos. Afinal, há cada vez menos espaço para receber pessoas ? salas de reuniões são poucas e sempre cheias. Mas imagine uma situação em que o líder não está e o subordinado precisa receber alguém e não há sala de reunião disponível. O que parece mais normal ? receber os visitantes na sala do líder, que tem mais espaço e está vazia ? nem sempre é viável. Na verdade, as visitas se apertam em frente da mesa do subordinado com as cadeiras que foram reunidas pelo espaço. A mensagem é bastante clara: o líder em questão valoriza a hierarquia e deixa claro que ele é quem manda. A sala dele não pode ser usada em sua ausência sob nenhuma circunstância, pois lá habita o “deus chefe” que deve ser temido por todos.

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Ainda na linha da hierarquia, uma situação bastante emblemática é como os visitantes chegam ao seu destino final. Muitas vezes, os visitantes são recebidos por uma pessoa da área que os levam à sala ou ante-sala da pessoa que será visitada. Esse caminho pode ter várias etapas e pessoas intermediárias até se chegar ao líder. Quanto mais pessoas você passar antes de chegar à pessoa em questão, maior seu nível hierárquico na empresa. Nesse caso, não só o líder valoriza a hierarquia como a organização também. Ser chefe é status e deve ser percebido por todos.

Desculpas esfarrapadas
Outra situação que pode ocorrer é quando o subordinado precisa receber alguém para seu chefe, pois na última hora ele teve algum imprevisto. O líder explica rapidamente o assunto e deixa o restante ao encargo do seu empregado. Desde o início, o funcionário deixa claro aos visitantes que ele não é a pessoa que poderá esclarecer tudo, que vai encaminhar o que ouvir para o seu chefe, antes, porém, discorre um rosário de justificativas sem sentido e desculpas. A pessoa não tem informações e não tem a visão do que ocorre na área como um todo e deixa claro que seria melhor marcar outra reunião. A mensagem que se tem é de um líder centralizador que na sua ausência ninguém consegue apresentar uma visão geral do que ocorre na área, os funcionários demonstram uma total subserviência ao líder.

Você pode pensar que essas situações ocorrem em empresas sem muita representatividade no mercado. Mas ocorrem em organizações grandes, muitas vezes companhias internacionais, aquelas que, quando estamos na universidade, sonhamos em trabalhar.

Empresas de pequeno e médio porte têm mostrado uma realidade bem diferente: seus líderes não podem controlar tudo e todos e devem ser estratégicos. Os funcionários precisam ser bem informados e flexíveis. A autonomia não é algo desejado pela corporação ? ela precisa ocorrer de fato. Caso contrário, a empresa não se mantém no mercado.

Percebemos que alguns objetivos da administração moderna e da liderança estão ainda bem mais distantes das organizações do que deveriam. O líder estratégico, que sabe delegar, que mantém toda a sua equipe bem informada e em linha com os objetivos da organização, não está tão disponível no mercado como se apregoa e as próprias organizações não sabem como desenvolvê-lo.

As situações acima representam a ponta de um novelo que depende da consciência dos líderes para se desenrolar. Muitas vezes, a liderança das organizações custa a ver esses sinais, que embora singelos, são bastante significativos. É preciso perceber que o subordinado é reflexo de seu líder. Prepará-lo significa criar condições para a organização crescer e se desenvolver no mercado com consistência. O líder deve entender que o sucesso de sua equipe é o seu sucesso.

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