Mãe Vendedora

Como um profissional pode conciliar trabalho e família?

Imagine a cena: duas mulheres moravam na mesma casa e compartilhavam a experiência de cuidar de seus primeiros filhos, que tinham acabado de nascer. Tudo corria bem entre as amigas até que uma tragédia levou uma das crianças à morte. A mãe que perdeu seu filho, enlouquecida, passou a alegar que a outra criança, na realidade, era a dela. Você pode imaginar o tamanho da briga que aconteceu a partir daí, não pode?

 

Essa passagem é bíblica e exemplifica perfeitamente o que é o amor de mãe. Nela, o rei Salomão, chamado para resolver o problema, disse às mulheres que dividiria o filho sobrevivente ao meio para que cada uma pudesse ficar com a metade da criança. Nesse momento, uma delas desistiu de exigir a maternidade, pois preferia ver o filho vivo a continuar se impondo. A atitude levou o rei a perceber que ela era, de fato, a mãe verdadeira, pois optou por abdicar de sua vontade para ver o filho com saúde.

 

Felizmente, os tempos são outros e poucas mães precisam abrir mão do próprio filho para vê-lo vivo. Em contrapartida, muitas abdicam de passar a maior parte do tempo com eles justamente para poder garantir uma melhor condição financeira à família. Mas como administrar essa dupla jornada sem se sentir culpada? A VendaMais foi a campo e descobriu histórias emocionantes de mães que batalham no dia a dia das vendas para dar o melhor aos seus filhos. E quer saber? Essa motivação pode ser uma arma poderosa na busca pelo sucesso. Confira o porquê nas próximas páginas.

 

 

Garra. Nenhuma palavra parece ter tanto sentido como essa quando o assunto é uma mãe que trabalha em vendas. Dispostas a atuar com mais motivação e responsabilidade, elas correm atrás das metas visando não mais a si mesmas, mas o que irão garantir para a família. Para Eliana Abdalla, psicoterapeuta, palestrante da área de desenvolvimento e relacionamento humano e especialista em treinamentos pelo Centro Milanese di Terapia della Famiglia, na Itália, a responsabilidade tende a aumentar quando uma profissional vira mãe – e isso pode funcionar como um poderoso motivador pessoal, desde que essa mãe saiba usar essa vantagem.

 

Rosa Maria Aragão, gerente da concessionária KIA RBV de São José dos Pinhais, PR, sabe bem o que é isso. Ela começou em vendas muito jovem, aos 15 anos, após perder seus pais. Aos poucos, a profissão se tornou uma paixão. Com 28 anos, ela deu à luz a sua primeira filha. “Eu não tinha pais nem alguém que pudesse ficar cuidando, paparicando, então tive de planejar muito. Foi bem difícil, tive de deixá-la em berçário e ainda conciliar casa, empregada, supermercado e marido. Era uma batalha por dia”, relembra.

 

A experiência trouxe mais maturidade e garra. “A maternidade me ensinou a brigar mais pelas minhas metas, porque tudo o que eu fazia era pensando em minha filha. Além das metas que a empresa estipulava, eu criava minhas próprias metas”, conta Rosa Maria.

 

Outra que testemunha o quanto ser mãe a impulsionou a trabalhar cada vez mais é Marie Neves, gerente da filial Sul do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar) e mãe de uma menina de 7 anos. Marie abdicou de atuar na área de ciência da computação, em que é formada, após se separar do marido e se ver com uma criança no colo. Ela conta que foi para a área de vendas por acreditar que essa é uma profissão que valoriza pessoas experientes. “Na área de ciências da computação, você tem uma turma se formando que invade o mercado muito rapidamente. E na área de vendas não, quanto mais experiência, mais você é valorizada”, defende. Assim, ela, que já havia morado nos Estados Unidos por sete anos, assumiu a área de vendas para o exterior da empresa de inovação Cesar, no Recife.

 

Para Marie, ser mãe ajuda muito no foco profissional: “Quando você é mãe, você tem uma ‘criaturinha’ dependendo de você, então lhe dá muito mais força para fazer as coisas acontecerem. Você tem um motivo a mais para trabalhar”. Ela também ressalta outras duas características cruciais para um bom vendedor e que são bastante desenvolvidas pela maternidade. “Há a questão da paciência, que é o que você mais exercita quando é mãe, e o comprometimento, porque, quando você é mãe, você é comprometida 100% com aquilo, não há como deixar de ser mãe – e em vendas também acontece isso, não dá para deixar o cliente na mão”, acredita.

 

A confiança em profissionais que são mães é tão grande que Marie admite já ter selecionado uma candidata para trabalhar na Cesar após descobrir que ela tinha filho. “Uma vez, eu estava fazendo uma entrevista de contratação e, assim que soube que a canditada era mãe, já contei um ponto positivo, porque achei que ela seria uma pessoa mais comprometida, com muita responsabilidade”, garante.

 

A psicoterapeuta Eliana, entretanto, não aconselha suposições. Ela explica que não dá para generalizar o ser humano apenas por sua condição de mãe. “No ser humano não há afirmações, não há como dizer que uma profissional que é mãe é melhor. Isso pode funcionar ou não. Mas, quando uma mulher se torna consciente do que é ser mãe, ela passa a buscar mais responsabilidade, determinação, garra. E tudo isso ajuda muito na hora de vender alguma coisa”, defende.

 

Além da atitude, Eliana ressalta alguns outros pontos que, se trabalhados pela maternidade, podem fazer a diferença profissionalmente. “A organização, a assiduidade e a pontualidade são necessárias nas duas ‘profissões’, porque as mães têm de amamentar e cuidar dos filhos, precisam ser organizadas, determinadas e claras na mensagem que passam para eles – e para vender alguma coisa também”, assegura.

 

A difícil arte de fazer escolhas

Kátia Cristina, analista de processos da Brasil Telecom, iniciou em vendas com 22 anos e um filhinho de apenas 1 ano. Na época, aceitou uma oportunidade que apareceu, apesar de nem sequer saber o que significava o produto que iria vender. “Qual não foi minha surpresa quando me telefonaram informando que a vaga de telemarketing era para vendas de ADSL? Pensei: ‘ADSL? Jesus, o que é isso?’”, diverte-se Kátia ao recordar de sua reação. Apesar da inexperiência, ela chamou atenção por seu jeito sincero e esforçado e foi contratada. E foi aí que começaram os desafios e sofrimentos. O horário de trabalho era das 18 horas às 24 horas, sendo que seu filho ainda não havia desmamado.

 

“Chorei muito e choro até hoje ao recordar. Lembro de chegar a vir a pé para o trabalho por não ter dinheiro para o ônibus. Hoje, tenho um carro e várias outras conquistas. Mas, naquela época, o Mattheus mamava no peito, dependia de mim para dormir, e aquilo me deixava com o coração na mão. Eu chegava à empresa sem saber o que fazer primeiro, até porque minha cabeça não estava focada no trabalho. Por mais que eu tivesse consciência de que precisava estar lá, a palavra mãe pesava mais”, afirma.

 

Apesar de muito difícil, esse período ajudou Kátia a amadurecer e a fez se destacar entre as profissionais do telemarketing. Em três meses, ela já estava entre as cinco que mais vendiam no setor. “Eu trabalhava no receptivo e aproveitava os picos de fila. Se haviam clientes para atender, eu atendia, mesmo que deixasse para comer mais tarde. E, em cima da meta diária, eu colocava minha meta pessoal, por exemplo: se eu quisesse trocar a televisão, calculava quanto precisava vender a mais para conseguir aquele valor. E eu não saía enquanto não batesse minha meta do dia”, revela.

 

Atualmente, ela admite que ser mãe a fez uma profissional diferente. “Eu lembro que, após ser mãe, passei a ver a vida com outros olhos, e tudo o que eu faço é em função de meus filhos. Hoje, até para atravessar a rua eu lembro que há duas pessoas que dependem totalmente de mim, e isso é muito diferente”, destaca.

 

Regras para quem tem horário flexível

Luciana Precaroé formada em direito e chegou a ser procuradora do município de São Paulo, quando resolveu largar tudo e migrar para as vendas. Paralelo ao serviço público, ela dava aulas para um cursinho preparatório para carreiras jurídicas, até que um dia pediu exoneração do cargo e foi contratada para prospectar possíveis franqueados para um curso a distância que essa instituição começava a formar. Para dar conta do recado, foi estudar gestão e marketing e se encantou pela área de vendas. Hoje, atua como gerente-comercial da DTCOM São Paulo, empresa de educação e comunicação corporativa, onde se diz muito mais realizada.

 

 

Após a mudança, Luciana teve uma filha e hoje vive o desafio de gerenciar o emprego na DTCOM e a “carreira de mãe”. Para isso, ela abusa da tecnologia. “Nós temos facilidades tecnológicas que propiciam fazer um dia de home office e se comunicar com o mercado por meio do celular ou de uma videoconferência. Só que isso pode acabar prejudicando, porque, se você não tem controle sobre esses recursos, a qualidade do tempo que doa para seu filho acaba diminuindo”, considera. Por isso, a “mãe-gerente-comercial” montou algumas regras:

 

  • Sempre mostra a realização profissional para a filha, pois acha que isso é importante e serve de exemplo para ela.
  • Estipula um tempo para cada coisa. Quando está trabalhando, deixa isso claro para a filha, que não a interrompe. Quando está com a filha, procura dar o máximo de atenção a ela.
  • Viaja muito, mas procura não marcar viagens para o fim de semana. Esse tempo é para a pequena Valentina.

 

Mesmo com as regras, Luciana admite: “Eu vivo com culpa, porque, por mais que eu sinta que consigo gerenciar, sempre me questiono se estou dando atenção suficiente. Mas, quando olho para minha filha e vejo que ela é uma criança muito feliz, percebo que por enquanto está funcionando”.

 

Outra que não aguentava mais sofrer com a própria culpa é Vanuzi Souza. Ela começou em vendas quase por acaso, mas se encantou rapidamente pela profissão. Após uma experiência malsucedida na empresa de planagem do marido, Vanuzi se viu com a filha de 1 ano nos braços, para quem tinha feito recentemente um plano de saúde. Determinada, entrou em contato com a corretora que a havia atendido, a Valdete, e perguntou o que precisava para ser uma corretora de planos de saúde. Com a ajuda de Valdete, conseguiu o emprego.

 

Com o passar do tempo, Vanuzi se destacou na profissão e resolveu abrir seu próprio negócio. Foram três anos administrando uma empresa de planos de saúde, mas ainda não estava satisfeita. “Cheguei a montar uma empresa de vendas, mas decidi acabar com ela porque eu precisava ter tempo para meus filhos. Vendas, empreendedorismo e filhos, era muita coisa”, relembra.

 

Hoje, ela trabalha de forma autônoma vendendo planos de saúde e divide seu tempo entre ser mãe de três filhos, esposa, dona de casa e consultora de vendas. Vanuzi lembra que, no início, teve dificuldades para conciliar a vida pessoal com a profissional. “Eu me empolguei, comecei a vender e, quanto mais vendia, mais eu queria vender. A necessidade começou a me fazer mudar. Comecei a ver situações em meu casamento e com meus filhos, então percebi que precisava priorizar um pouco mais minha família”, descreve. Hoje, ela utiliza a manhã para mimar as crianças e fazer as tarefas de casa. Das 13 horas às 22 horas, sai para trabalhar e conta com a ajuda da filha mais velha, que tem 14 anos, para cuidar dos irmãos menores.

 

Um paraíso para bebês

Celma de Assis Rossato nasceu na roça e viveu uma infância e adolescência típicas de menina do campo. Casou-se aos 17 anos com Eugênio Rossato, que trabalhava na cooperativa de Palotina, interior do Paraná, e foi morar na cidade. Viviam com dois salários mínimos, que mal dava para pagar as dívidas contraídas para o casamento. Essa história poderia ser mais uma das tantas encontradas pelo Brasil se não fosse a chegada do primeiro filho do casal.

 

Desesperada aos cinco meses de gravidez e sem dinheiro, Celma, que aprendeu com a mãe a costurar e bordar, resolveu confeccionar as roupinhas para o filho. “Comecei a cortar meus próprios lençóis para fazer as roupinhas do bebê. Media em uma boneca para fazer os moldes e, com dois lençóis, consegui fazer todo o enxoval dele”, relembra, emocionada.

 

Os parentes e amigos que vieram visitá-la durante a gravidez começaram a se interessar pelas roupas e, a partir daí, Celma descobriu que poderia investir nesse talento. Aos poucos, amigos e vizinhos se uniram a Celma – primeiro para ajudar e, depois, atraídos pelo negócio, que começava a prosperar. Diziam que o quarto do bebê de Celma parecia um paraíso, comentário que deu origem ao nome da fábrica.

 

Quando Celma resolveu ir a São Paulo buscar matéria-prima para suas confecções, visitou algumas lojas e não encontrou nada que achasse bonito. “Ali pensei que as minhas coisas iriam fazer o maior sucesso! Foi então que percebi que uma mulher, de uma das lojas que visitei, estava grávida, a Érida. Logo, pensei: ‘Eu não tenho produto para oferecer à loja, mas tenho produto para oferecer a ela’”, relembra.

 

Ousada, ela entrou na loja e abordou Érida assim: “Olha, eu reparei que você tem produtos bastante inferiores e, como está grávida, imagino que queira coisas mais especiais para seu bebê. Eu faço umas coisas lindas e gostaria de ter a oportunidade de mostrar a você”. A abordagem deu certo e ali iniciou uma parceria que permitiria às duas crescerem significativamente. Atualmente, Érida tem três lojas e é parceira de Celma até hoje. A Paraíso, por sua vez, produz de 160 a 170 mil peças por mês, emprega mais de 600 funcionários e possui representantes em todo o Brasil.

 

Com o crescimento, surgiram outras empresas para confeccionar roupinhas de nenês na mesma cidade. “Logo, havia cerca de 40 empresas, todas confeccionando roupas de bebês. Muitas delas abertas por ex-funcionários nossos, que foram saindo e montando o próprio negócio. E isso começou a gerar uma renda interessante para a cidade. Foi aí que o Sebrae surgiu e fez um Arranjo Produtivo Local (APL), colocando meu marido para coordenar. Hoje, vendo de fora, percebo isso como uma possibilidade de um mundo melhor, porque as pessoas se unem para um bem comum, sem haver rivalidade. Eu não considero que aqui, em Terra Roxa, nós temos concorrentes, mas sim parceiros de negócio. Fazemos o mesmo produto, mas, com a ajuda do Sebrae, cada um tem sua identidade”, considera.

 

E é essa identidade que os filhos de Celma estão ajudando a preservar. O casal de filhos mais velhos de Celma e Eugênio fez faculdade pensando em agregar ainda mais à empresa e, hoje, assume os cargos de diretor-comercial e diretora de produção.

 

Revendo o que foi sua vida, Celma constata que Deus lhe deu o que ela sempre pediu: uma família bem grande. “Pedi a Deus que eu pudesse ser mãe de muitos filhos, e ele me atendeu, porque me sinto mãe de meus funcionários. E isso sem contar as crianças que vestem as nossas roupinhas, para quem, de certa forma, a Paraíso também faz o papel de mãe”, considera.

 

Para ela, ser empresária e mãe são duas “profissões” muito parecidas. “Quando você possui uma empresa, você tem uma responsabilidade sobre todos aqueles que trabalham com você, como uma mãe tem com os filhos”, opina.

 

A empresária relembra que se questionou muito no passado se valeria a pena se dedicar tanto ao trabalho. Hoje, ela não tem mais dúvidas: “Foi a melhor coisa que fiz. Na época, quando meus filhos tinham de ficar com a tia, eles mesmos reclamavam, mas hoje agradecem e se orgulham dos pais que têm. É isso que a gente deixa para os filhos, esse legado de trabalho e luta – e o nosso próprio exemplo”.

 

Disposta a dar continuidade a essa história, Celma se afastou da empresa e se prepara agora para fazer vestibular para psicologia. O motivo é bastante desafiador: “A minha intenção é ajudar que essa empresa nunca morra. Eu ouvi muito falar que as empresas duram até a terceira geração, no máximo. E quero fazer psicologia para entender melhor como funciona tudo isso, para não deixar isso acontecer com nossa empresa. Logo virão os netos e quero ajudá-los a perceber o quanto isso tudo é maravilhoso”, explica.

 

Até o afastamento da empresa foi feito de forma estratégica. “Eu sei que é doído, porque eu amo muito a Paraíso, mas, se fico tempo demais lá, meus filhos se tornam muito dependentes de mim e não tomam decisão alguma, porque vão deixando para a mãe. Eles têm de aprender a conciliar as coisas sem a minha presença, pois eu não sou eterna. Eles estão aprendendo sozinhos, na prática”, garante.

 

Os cinco inimigos do sucesso

Na busca pelo sucesso, tanto em vendas quanto na educação dos filhos, muitas mães que trabalham acabam sofrendo desnecessariamente. Se você está passando por esse momento, ou conhece alguém nessa situação, cuide para não ser vítima destes cinco comportamentos nocivos:

 

1.   Preocupações – Os maiores vilões do sucesso profissional, na visão da psicoterapeuta Eliana Abdalla, são justamente as preocupações. “Como eu faço para conseguir ser mulher, esposa, mãe e profissional ao mesmo tempo? Por sentir essa dúvida, a mulher também se sente culpada. E é a culpa que leva a profissional a não explorar o seu maior potencial de sucesso”, explica a especialista. O que acontece é que a maioria das mulheres foi educada para conceber alguns mitos como verdades absolutas. “Ainda se prega a ideia de que a mulher, para ser considerada uma boa mãe, precisa estar o tempo todo ao lado do filho e,de preferência, dedicar mais tempo a eles que a si mesma. Essa preocupação traz autolimitações e a mulher acaba achando que não pode chegar a um determinado patamar profissional, porque pode acontecer alguma coisa. Ela começa a pensar que a família vai se desestruturar, que o marido vai arrumar outra, enfim, são várias crenças. E isso tudo gera uma confusão na mente feminina: de um lado, está a vontade e, de outro, o medo e a insatisfação”, revela.

 

2.   Perfeccionismo – Outro ponto bastante observado em profissionais que são mães é a tentativa de simular um ambiente perfeito para os filhos. Mesmo aborrecidas com alguns clientes ou chefes, elas chegam em casa e sentem-se obrigadas a vestir uma máscara para não preocupar os filhos ou ensinar que o trabalho pode levar à tristeza. Para Eliana, esse comportamento não é aconselhável. “A partir do momento em que se fala em fazer alguma coisa para ‘fazer de conta’ para o filho, a gente já está longe do saudável. Funcional é ser verdadeira. Se a vendedora pensar sobre sua autoestima e tiver segurança de quem é e do que faz, transmitirá uma identidade para o filho. Assim, ela passará a imagem de que nem tudo precisa ser perfeito, o mundo não é perfeito – e ela também não é. O que nós temos de procurar fazer é sermos o melhor que pudermos ser, longe de buscar comportamentos ideais, mas sim o que funciona para si, para o modo como a profissional vê o mundo”, ensina.

 

3.   Falta de foco – Quando há uma situação que foge do controle e une os dois mundos, como a doença de um filho com uma viagem de negócios, ou uma importante reunião de trabalho marcada para o mesmo dia da apresentação do filho no colégio, muitas mães se desesperam. Antes de chegar a esse ponto, o ideal é que a mãe vendedora pare e defina sua prioridade para cada momento. Aqui não existe certo ou errado, e sim o que deixará essa mulher mais confortável naquela situação. Kátia relembra que tinha apenas três meses de empresa quando seu filho pegou uma virose e ficou hospitalizado durante 15 dias. “Naquele momento, o Mattheus era prioridade, porque eu jamais deixaria um filho com 1 aninho internado e viria trabalhar normalmente”, acredita a profissional, mesmo temendo ser demitida. Mas, felizmente, isso não aconteceu. “Eu achei que seria mandada embora, não tinha autoconfiança. Mas colhi o que plantei. Eu plantei trabalho e colhi reconhecimento e, quando voltei, foi como se não tivesse ficado fora. Naquele momento, a empresa foi muito bacana”, relembra. Dica: se você administrar a carreira e os filhos de forma harmônica, a empresa terá de entender imprevistos. O que não dá é para querer que a empresa seja compreensiva com imprevistos que acontecem toda semana.

 

4.   Linguagem maternal –Para Fádua Sleiman, empresária, educadora empresarial, palestrante e autora do livro Marketing de b.a.t.o.m, as mulheres têm a natureza passional e emocional e foram criadas para agradar ao outro. Logo, preocupam-se muito em ser aceitas pela sociedade. O problema é quando a mãe e a profissional se confundem, dando à vendedora um jeito mais infantil. “Por vezes, a mulher tende a usar uma linguagem infantil com seu cliente. Queridinho, amorzinho fazem parte do vocabulário do dia a dia de uma mãe, e uma boa profissional deve evitá-los. A vendedora deve ser aceita pela sua competência, pela entrega do produto ou serviço no prazo estimado e na superação de um atendimento”, determina.

 

5.   Centralização – Na visão de Fádua, a inserção da mulher no mercado de trabalho é recente e, por isso, ela ainda está aprendendo a lidar com antigos hábitos diante das novas responsabilidades. “Apesar dessa conquista, as mulheres ainda se deparam com um grande conflito: harmonizar a dualidade do papel de mãe e o de profissional”, afirma. Para resolver esse impasse, ela acredita que a mulher deve entender que administrar é fazer opções. “Quando estamos exercendo o papel de vendedora, devemos fazê-lo em sua plenitude e, quando estamos com os filhos, o procedimento deve ser o mesmo”, ensina a especialista. Mesmo assumindo essa dupla jornada, ela aconselha que a profissional não queira ser perfeita e procure pessoas em quem possa confiar. Aprender a delegar e pedir ajuda de colegas e familiares é importante nesse momento. Marie encontrou uma forma criativa de não deixar a filha na mão nem perder uma importante venda: organizou uma comitiva de colegas de trabalho, que foi buscar a criança de 7 anos no colégio. Ela até ficou desconfiada, mas se divertiu ao ver vários “colegas da mamãe” irem à escola. “Para mim, foi um exemplo de como a empresa toda se mobiliza para fazer uma venda. Houve um mutirão para me ajudar”, relembra.

 

Não importa qual é a empresa ou quanto tempo a profissional está na função, a autoconfiança, o profissionalismo e a capacidade de flexibilidade são três palavras mágicas para administrar vendas e filhos. Para evitar sensações incômodas, Eliana aconselha as mães a quebrarem paradigmas na própria forma de pensar. “Muitas pessoas ficam presas a uma linha de pensamento e acabam não permitindo se realizar como ser humano. O que se realizar significa para você? Trabalhar? Ficar em casa? É importante que a pessoa descubra o que a faz feliz, não com medo, mas com permissão própria para ser ela mesma”, aconselha. É fundamental lembrar que a empresa pode e deve ajudar nesse processo, aplicando treinamentos que estimulem a mulher a pensar sobre carreira e filhos.

 

10 dicas para gerenciar as vendas sem deixar os filhos de lado (e vice-versa)

 

  1. Observe cada fase da vida e o que ela reserva para você. Não se cobre por tarefas que antes de ter seus filhos você conseguia fazer. Entenda cada momento seu.
  2. Aproveite cada momento, seja em casa ou no trabalho.
  3. Peça ajuda, evite ficar sobrecarregada. Isso também vale tanto para o trabalho quanto para a vida familiar.
  4. Mantenha a cabeça naquilo que está fazendo. O pior que você pode fazer é levar trabalho para casa ou pensar no quanto seu filho está precisando de você enquanto estiver no trabalho.
  5. Cuidado com a autocobrança exagerada. Não estimule sentimentos como ansiedade, frustração e culpa.
  6. Aprenda a fazer uma agenda e a lê-la sempre. Anote tudo para não sobrecarregar sua memória nem troque os papéis. O que não dá é pegar o cliente na escola e vender o produto para o filho.
  7. Endureça quando necessário. Evite ser permissiva demais, tanto no trabalho quanto na educação dos filhos.
  8. Abra as barreiras. Nem todos estão sempre te avaliando, muito menos o tempo todo.
  9. Procure ser mais objetiva e não tenha medo de se expressar. Lembre-se: falar não é ferir, e sim respeitar o outro!
  10. Aguce a audição. As pessoas, ao falarem, podem deixar escapar alguma dica que você pode usar para efetuar uma venda. Ouvir os filhos também é sinal de carinho.

 

VM Plus

Acesse a seção VM Plus do site (www.vendamais.com.br) e confira as entrevistas completas com as especialistas Fádua Sleiman e Eliana Abdalla.

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