Mais Ps aos parques tecnológicos

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Embalagem, pessoas e público/privado são novos Ps que devem ser adicionados aos quatro tradicionais para garantir o sucesso de um parque tecnológico. Analisando as formas da atração da clientela por parte dos parques tecnológicos que vêm sendo criados pelo mundo, pode-se notar a ausência dos fatores mercadológicos envolvidos com o tema e conseqüentemente a ausência de uma política clara de manutenção de clientes dentro de um parque tecnológico, a não ser nos processos embutidos em seus serviços.

A partir dessa realidade, tenho uma visão crítica por meio de duas experiências que podem ajudar a ampliar a visão do movimento de parques e incubadoras no Brasil, sobre a importância do foco no cliente na elaboração de estratégias bem-sucedidas para o lançamento da estrutura de um parque tecnológico: com isso reuni as experiências de Kilometro Rosso ? Parco Scientifico Tecnologico em Bérgamo e de SpoW ? Science Park of Wallonia e CREALYS ? UCL Science Park na Bélgica, ambas apresentadas na IASP 2004 (Internation Association of Science Parks) em Bérgamo, Itália.

Leonardo Marabini, diretor de Marketing do Kilometro Rosso, nos provoca com uma reflexão fundamental. O desafio é pensar no parque tecnológico em termos de um produto (ou serviço, como preferir) e imaginar, em primeiro lugar, quais são os fatores chaves para um produto de sucesso? Um carro, uma camiseta, um computador, alguma coisa. Podemos aplicar esses fatores para o parque tecnológico, tratando disso como se fosse um produto?

Aqui é importante relembrar rapidamente a teoria dos 4Ps, onde os fatores-chave para o sucesso de um certo “bem” são: produto, preço, praça e promoção. Assim, os princípios do marketing mix são variáveis controláveis na qual deve ser cuidadosamente gerenciada e encontrar as reais necessidades do público-alvo definido. Todos os elementos do marketing mix estão linkados e devem se complementar.

Um exemplo dessa aplicação ressaltada por Marabini para falar dos famosos 4Ps é uma bebida famosa mundialmente, no qual não mencionaremos o nome, mas chamaremos de “bebida da latinha vermelha”. Nesse famoso case da bebida da latinha vermelha, a qualidade do produto é excelente (pelo menos, de acordo com bilhões de consumidores desde o final do século IXX), o preço é competitivo com os outros produtos da mesma categoria, a distribuição é excelente, porque está disponível em todo o mundo e a qualquer hora do dia e a promoção já fala por si só.

O exemplo exposto ajudará a introduzir o quinto P, que adicionou o professor Kotler à sua teoria inicial, que é o packging (embalagem). Com isso foi lançado o desafio: podemos pensar em realizar e desenvolver um parque tecnológico bem-sucedido pela aplicação dos 5 Ps? A resposta é sim, a exemplo do que vem sendo feito em Bérgamo, no Kilometro Rosso.

Um parque tecnológico se difere considerando sua história, seu tamanho, suas características setoriais específicas (foco) e seu método de gerenciamento. Os objetivos compartilhados entre os parques tecnológicos são: facilitar a localização e o desenvolvimento de empresas orientadas para projetos de alta tecnologia, intermediar as negociações entre universidades, melhorar constantemente os serviços que oferece para se manter sempre competitivo e atender todas as necessidades apresentadas.

Partindo desse conceito, as experiências propostas pelos parques belgas nos levam a crer que, no Brasil, não estamos tão longe de implementar estruturas de serviços como essas, uma vez que, dentro de nossa realidade local, esses conceitos já vêm sendo desenvolvidos por algumas instituições. No entanto, o “empacotamento” ou packging ainda é trabalhado timidamente na estratégia de inserção do parque junto ao mercado e, porque não dizer, junto à sociedade.

Dentro dessa visão, Carole Blanc, do SpoW, apresentou dois conceitos de serviços que são oferecidos pelos parques tecnológicos: “Head Business Services” (infra-estrutura física) e “Soft Business Services” (assistência ao gerenciamento). Analisando o tema sobre os Ps inerentes aos serviços oferecidos pelos parques científicos à luz da experiência italiana, Kilometro Rosso apresentou uma importante contribuição à visão de marketing que deve ser adotada por meio do uso de um quinto P em suas estratégias.

Dessa forma, Marabini destaca em seu trabalho uma “embalagem” de parque tecnológico: sua arquitetura deve ser ao mesmo tempo identificável, confortável e acolhedora; os escritórios e os laboratórios de pesquisas devem ser feitos com materiais de primeira linha e, nesse caso, contaram com Jean Nouvel, um dos maiores arquitetos do mundo para um esboço do parque.

Esse trabalho foi tão importante que até o nome do lugar foi influenciado, pelo “Kilometro Rosso” que significa “Kilometro Vermelho”, pois um longo muro vermelho de 1 Km desenhado por Nouvel “empacotam” o parque. Sua maior função é torná-lo bem visível ao longo da estrada e da cidade, além de servir como revestimento acústico e antineblina. A embalagem do parque tecnológico não deve ser apenas esteticamente atrativa, mas conter também alguns componentes científicos, inspiradas em três princípios:

    · Ambientalmente correto (junto com a valorização do território), plantações ecológicas e áreas verdes ? atualmente 50% do Kilometro Rosso é de área verde ? certificado ambiental.

    · Economia de energia e eficiência: produção de energia com recursos renováveis, cogeneration, certificado de energia.

    · Avançadas soluções tecnológicas: protótipo e plantas experimentais, instalações de vanguarda tendo interesses científicos e industriais.

Não explico o sucesso do Kilometro Rosso apenas pelo trabalho do marketing mix, pois acredito que há um fator esquecido, e que na realidade explica o sucesso de um Parque Tecnológico, o sexto P: pessoas. O grande valor adicionado ao marketing mix nos parques tecnológicos vem das pessoas que trabalham para ele (o gerenciamento do parque) e que trabalham nele (as empresas, laboratórios). O sexto P é o que a pessoa traz em conhecimento, idéias, confiabilidade, liderança, expertise, cultura e relacionamento.

Este último fator é essencial. Um parque tecnológico sobrevive quando o gerenciamento do parque (um dos lados) e os pesquisadores das empresas no parque (por outro lado) trazem sua rede de relacionamentos pessoais. A última questão abordada provavelmente fica para nós como uma provocação: no marketing mix, no sucesso do parque tecnológico, há espaço para um sétimo P?

Em sua opinião sim e este P é o de público e privado, significando que o parque será bem-sucedido também quando receber ajuda de instituições públicas e privadas para encontrar, “em um território neutro um objetivo de desenvolvimento em comum” e, porque não dizer, comprometidos com a qualidade do atendimento de seu público-alvo.

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