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RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPRESARIAL

O Brasil convive com uma triste estatística: um terço da população do país vive abaixo da linha da miséria. Isso significa que cerca de 54 milhões de pessoas comem mal moram em situações precárias e não têm possibilidades de se aperfeiçoarem em uma profissão. Mas nem tudo está perdido. Para amenizar este lamentável quadro, empresas e pessoas têm se organizado em trabalhos na tentativa de melhorar essas carências.

O chamado Terceiro Setor é o novo conceito que vem crescendo no Brasil, (42% em 2 anos), resultando em US$ 9 bilhões investidos, sendo responsável por 2,2% do PIB brasileiro, podendo chegar a 4,5% nesta década, totalizando 9 milhões de pessoas assistidas. Os EUA gastam US$ 340 bilhões (8% do PIB), o Japão US$ 94 bilhões e a Alemanha, França e Reino Unido, juntos, gastam US$40 bilhões (Fonte: Johns Hopkins University; estimativa Gazeta Mercantil dados – referentes a 1998).

Só para relembrar: o 1° Setor é representado pelo Estado, reunindo setores públicos e empresas estatais, o 21 Setor é composto pelo mercado, aglutinando as organizações empresariais e privadas, origem da oferta de bens e serviços. Já o 3° Setor, independentemente do Estado e do mercado, é o que dá origem aos bens públicos, como segurança, cidadania, ambiente, organizações sem fins lucrativos, que têm como função a melhoria da qualidade de vida.

No Brasil, ainda se entende e se confunde responsabilidade social empresarial ou a cidadania empresarial com o investimento que a empresa faz na comunidade. É muito comum ouvirmos de organizações: "Somos uma empresa socialmente responsável porque apoiamos determinado projeto ou fazemos doações para a comunidade".

Mas, o que é esse conceito, essa cultura da responsabilidade social das empresas?

Fazendo uma pequena retrospectiva, a Constituição de 1988, conhecida co mo Constituição Cidadã, foi criada para conceder uma série de direitos sociais, mas o governo mostrava-se incapaz de atender integralmente esses direitos. A situação agravou-se no governo de Fernando Collor, quando os seguidos escândalos desnudaram uma cultura de corrupção que era necessário expurgar do país.

Todo esse cenário chamou a atenção de um grupo de empresários, entidades e fundações que se reuniram para discutir a destinação de recursos privados para fins públicos, entre eles: Fundação Bradesco, Kellogg's, Ford, Odebrecht, Roberto Marinho, Iochpe, Alcoa, Itaú, C&A, Xerox, entre outros, resultando na criação do GIFE – Grupo de Instituições, Fundações e Empresas; seguidos por outras entidades como: Instituto Ethos, Fundação Palavra Mágica, Associação Viva e Deixe Viver, Doutores da Alegria.

O segmento cresce na proporção direta de três crises recentes: a falência do Estado social (por ausência de recursos, estruturas e planejamento), a crise do desenvolvimento (com a paralisação do crescimento aumenta a exclusão social) e a degradação do meio ambiente, da segurança e da educação, rebaixando o sentimento de cidadania.

Responsabilidade social é, portanto, a relação da ética, a relação socialmente responsável da empresa em todas as suas ações, suas políticas, e práticas. Isso significa responsabilidade social da empresa em relação à comunidade, aos seus emprega dos, aos seus fornecedores, ao meio ambiente, ao governo, ao poder público, aos consumidores, ao mercado, aos acionistas.

Hoje, são 9 milhões de pessoas assistidas (mais do que os habitantes da Bolívia) e estima-se que haja 1,2 milhão de entidades filantrópicas cadastradas no Brasil.

É por isso que se fala em profissionalização nesse setor. Já existem cursos nas principais universidades e escolas superiores de São Paulo: USE PUC São Paulo e FGV.

As 500 maiores empresas brasileiras gastam anualmente US$ 2,8 bilhões em segurança patrimonial e US$ 18 milhões por mês em filantropia. Se aumentassem seu envolvimento social, conseguiriam reduzir os custos com segurança.

Uma coisa é certa: as empresas que, por convicção pessoal dos dirigentes, por filosofia da empresa, por valores e princípios e até por inteligência empresarial, estão percebendo a necessidade de um novo comportamento, não restrito, começam a ter uma grande vantagem competitiva sobre seus concorrentes. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Gallup aponta que 78% das pessoas tendem a comprar algum produto associado a uma causa que as comove, sendo que 54% estão dispostas a pagar um pouco mais se souberem que esse plus vai para uma boa causa. Portanto, reunir os fornecedores e os clientes e montar um programa voltado para o Terceiro Setor pode trazer um excelente resultado.

A empresa que não aumentar suas políticas e não for socialmente responsável, não terá espaço no mercado. E mais, a responsabilidade social deve ser vista como ações de livre e espontânea vontade. É uma decisão voluntária, calcada não na legislação, mas na ética, nos princípios e nos valores. Não é uma atividade separada do negócio da empresa. É a nova forma de gestão empresarial. E para uma empresa ter sucesso, para conquistar e ampliar mercado, para ter competitividade, a responsabilidade social será indispensável.

Estamos no ANO DO VOLUNTARIADO, conceituado como forma de doação da capacidade intelectual, de trabalho, de tempo. E um exercício da cidadania, cuja preocupação é melhorar a qualidade de vida das pessoas com mudanças na sociedade.

O Terceiro Setor está convocando todos os cidadãos e todas as organizações socialmente responsáveis para se engajarem na construção de uma sociedade melhor, mais justa, mais digna e mais ética.

Procure no site www.vendamais.com.br mais informações sobre esse tema: Palavra-Chave: Maketing social, responsabilidade

Para saber mais: Marketing – As Melhores Práticas, Vários autores, da Editora Bookman

Rosângela Gallo Lolli Agostinho é bacharel em Letras, pós-graduada em Marketing Estratégico, aluna especial do mestrado da USP em Administração de Marketing, consultora de marketing em diversas empresas. Fones para contato: (19)4706063 e 97831515. E-mali: Rosangela@acia.com.br

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