Motel: onde a discrição é tudo

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Para muitas pessoas, e independente do tamanho, motel só tem um funcionário: a recepcionista. Para muitas pessoas, e independente do tamanho, motel só tem um funcionário: a recepcionista. Na verdade, os motéis já se encontram dentre os médios empregadores do País, demandando, para uma única unidade de grande porte, mais de 50 funcionários, e pelo fato de trabalhar 24 horas.

Em reportagem esclarecedora e de ótima qualidade realizada por Danilo Angrimani para o Diário do Grande ABC, um retrato preciso do que existe e acontece no backstage (bastidores) dos motéis, onde prevalece uma espécie de ?marketing da discrição?. Esse pequeno exército de colaboradores é constituído por arrumadeiras, marceneiros, jardineiros, piscineiros, cozinheiros, garçons, eletricistas, encanadores. Que além de suas competências específicas, têm de primar pela discrição. Muito especialmente em situações de acidentes, quando tem de entrar e sair do quarto, sempre de cabeça baixa e sem olhar para os freqüentadores, até resolver o problema.

O ?departamento? de achados e perdidos é um verdadeiro depósito de todo o tipo de objetos: dezenas de calcinhas, sutiãs, brincos, relógios, camisetas, sapatos, blusas, camisas e, até mesmo, calças!

Uma das maiores dificuldades dos motéis em seu marketing é monitorar seus desempenhos, pois o cliente de motel é ?mudo?, ele se recusa a responder pesquisas, mesmo que seja por escrito e sem identificação.

Dentre as curiosidades anotadas por Danilo figuram o depoimento de Maria Aparecida Silva, cozinheira do Le Moulin: ?Alguns clientes aparecem aqui só para almoçar ou jantar, de tanto que gostam da nossa comida?, ou, das arrumadeiras que, caminhando pelos corredores, ouvem mulheres gritando de prazer nas suítes e pensam: ?Todo mundo se divertindo e só eu trabalhando?, ou ainda da recepcionista Fátima de Oliveira: ?Quando entra uma amiga minha acompanhada por homem que não é o seu marido, eu nem cumprimento?. Há outras, como de clientes, que em dias de grande movimento, acabam transando na fila e dentro de seus automóveis, e até mesmo motéis como o Taj Mahal que oferece música ao vivo com violinista e tecladista tocando do lado de fora dos quartos, naturalmente, para casais verdadeiramente apaixonados. Boleros como: La Barca, Besame Mucho e Solamente Uma Vez (músicas boas, mas de nomes pouco sugestivos para a situação).

Segundo o violinista Manoel Marques Sobrinho: ?Pelo menos três noivos que estavam no motel, e para quem tocamos, gostaram tanto que nos contrataram para tocar no casamento…? Fora isso, bico calado!

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