Motivação – A vida está na essência, não nas embalagens

A vida está na essência, não nas embalagens Viver de forma simples é muito complicado, é verdade. Atualmente, praticamente nada neste mundo converge para que vivamos de forma simplificada, mais desapegados das coisas e mais conectados às pessoas, às relações intra e interpessoais. A lógica capitalista e mercadológica transforma as pessoas em produtos e nos exige que estejamos sempre agregando componentes e acessórios materiais, de tal forma que passamos a acreditar que estamos em uma crescente valorização. Ou seja, nosso valor é determinado pelo que temos, pelo que nos agrega, e não pelo que agregamos.

Do que você precisa?

Na etimologia, a palavra simples vem do latim simplex e, por incrível que pareça, significa aquilo ?que só é dobrado uma vez?. Simples, não? Você pega um lado, pega o outro, dobra e pronto, bem simples.

Trazendo isso para a vida, podemos traduzir como viver ricamente a singeleza das coisas essenciais, e que normalmente são intangíveis, não materiais. Tirando o que é de primeira necessidade como alimento, vestuário e abrigo (todos tangíveis), estamos falando de abstrair-se do supérfluo, do ornamento e focar no básico, no essencial. Falo de focar nas relações, na amizade, no amor, no carinho, na natureza, no transcendente, todos não compráveis.

Não se preocupe, pois não estou advogando por uma vida espartana*, desprovida de conforto e segurança. O movimento hippie ?paz e amor? já passou, apesar de estarmos tremendamente carentes desses dois últimos valores. Lógico que tenho consciência da necessidade do estético, do design, do prazer, do conforto para satisfazermos nossos sentimentos e as áreas emocionais de nossa vida. Mas isso também pode ser simples e, principalmente, barato. E é exatamente aqui que o mundo cobra mais alto dos que não vivem de forma simples.

Cuidado com os excessos

Quando deixamos escapar o conceito de viver com simplicidade, fazemos investimentos em aquisições que são mais desejadas que necessitadas.

Agindo assim, adquirimos celulares com recursos que raramente usamos; TVs gigantes, diante das quais não paramos; roupas e acessórios exagerados, para satisfazermos as exigências dos outros, e que nos furtam a capacidade financeira de ter um bom plano de saúde; compramos carros com um grau de sofisticação acima de nossas posses e necessidades; exageramos nas saídas noturnas, diminuindo os recursos para comprar livros e revistas que nos ajudariam a crescer. Enfim, andamos vazios por dentro, mas carregados por fora, achando que essas coisas preenchem nossas necessidades interiores.

Todos devemos nos impor exigências difíceis de atender, e que precisam ser conquistadas com dinheiro, tornando mais complicado gerir a vida, criando estresse e ausência de paz. É lógico que defendo a necessidade de nos exigirmos mais performance, resultados, determinação, ousadia e compromisso com o crescimento pessoal. Mas essas coisas nascem a partir de mudanças no pensamento, nos valores e nas crenças sobre si. Essas conquistas podem ser alcançadas sem recursos financeiros, a não ser quando se trata de educação e conhecimento acadêmico. O problema é que, muitas vezes, sequer temos o necessário para esse tipo de investimento, pois ele se esvaiu na ânsia desmedida de vivermos complicadamente, atendendo caprichos, nossos e dos outros sobre nós, que nos afastam da essência e da simplicidade.

Há solução

Então, o que fazer? Vejo uma saída. E ela é simples. Use a complexidade de sua mente para tomar uma decisão de mudar seu rumo, crenças e valores para viver mais simples.

Decida se aproximar mais do imaterial, intangível e impalpável. Foque nas relações consigo, com os outros, com a natureza e, principalmente, com o transcendente. Tome a decisão simples e certa de priorizar o mais importante. Vença a velha e célebre luta interior entre ?o que eu quero? x ?o que eu realmente preciso?. Desse modo, você conseguirá enxergar além das embalagens, dos invólucros e alcançará a essência, que certamente poderá tornar sua vida mais leve, solta e simples.

* Expressão oriunda da cultura grega, cujo significado é o de viver de forma simples, comedida e disciplinadamente, em obediência rígida a determinados princípios e regras balizadoras da conduta pessoal e social dos indivíduos.

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