Mudanças, borboleta e pudim de leite

Ao longo destes últimos anos, tenho dedicado-me ao estudo de atitudes e comportamentos que dificultam ou facilitam os processos de mudanças dos indivíduos e das organizações. Procuro entender as razões que levam um indivíduo a ter comportamentos e atitudes que o conduzem com facilidade às mudanças desejadas. Ao longo destes últimos anos, tenho dedicado-me ao estudo de atitudes e comportamentos que dificultam ou facilitam os processos de mudanças dos indivíduos e das organizações. Procuro entender as razões que levam um indivíduo a ter comportamentos e atitudes que o conduzem com facilidade às mudanças desejadas. Pesquiso as razões ou as dificuldades que muitas pessoas tem em aceitar as mudanças como algo natural, previsível e necessário, e, acham que não mudam.

Estamos sempre mudando.

A primeira constatação a que cheguei é que as mudanças não ocorrem ao acaso, mas através de um processo muito bem definido. Na maioria das vezes não conseguimos enxergar, entender e sentir, como é esse processo. Somos capazes de ver o início – o antes, e o final – o depois. Somos cegos para ver e entender o meio – o durante. Isso assusta muitas pessoas.

Essa falta das habilidades de entendimento, visão e sentimentos tem gerado uma série de restrições sobre as mudanças. São as nossas resistências. Naturais e necessárias resistências às mudanças.

Vamos tomar o exemplo da Borboleta. No início é uma lagarta, normalmente de formato assustador. Rastejante e predadora, devora tudo o que pode para conseguir forças para se manter viva e produzir um casulo onde, durante um determinado tempo, sofrerá a transformação : de rastejante para alada. De devoradora para multiplicadora. De feia e gosmenta para bela e admirada. Alguém ao pisar sobre uma lagarta imagina que está matando uma bela borboleta ? Quando não entendemos o processo de transformação não conseguimos entender os porquês dos resultados.

As Mudanças Borboleta são aquelas que temos de perseguir. Elas são constituídas de três fases bem distintas. A primeira é a fase do QUERER MUDAR de forma profunda e positiva, ou seja, sair da condição de lagarta e, tendo um foco muito definido, imaginar-se como uma linda borboleta. A fase seguinte é dedicada a aprender tudo que é possível para SABER COMO MUDAR, e assim como a lagarta, aprendemos que é preciso ter metas claras e precisas. Planejar cada passo, rever conceitos, aprender, desaprender e reaprender. Não adianta nessa fase deixar para amanhã ou para um dia qualquer.

A terceira e última fase é a da decisão – DECIDIR MUDAR , porque somos capazes e merecedores do prêmio que iremos conquistar. Toda mudança é um prêmio. Se assim não for ninguém mudará.

Depois de terminado o processo de transformação, passamos, como as borboletas, a polinizar flores e nos preparar para uma outra mudança pois aprendemos o processo e estamos aptos a ensinar para outras pessoas O QUE FAZER PARA MUDAR.

Tão simples assim? Porque resistimos tanto às mudanças ? Quais as razões que nos levam a temer tanto um processo de transformação ? Entramos numa parte de muitas especulações e altamente individuais. Não há termos de comparação das minhas resistências como a de qualquer outra pessoa no Planeta Terra. Alguns por já terem obtido resultados não desejáveis nas mudanças anteriores, outros por comodismo ou conformismo. Cada um com seu grau particular de resistência.

As resistências são a nossa forma de proteção para o desconhecido. Resistir ao que nos fará mal é perfeitamente natural. Resistir aquilo que irá acontecer e que será bom para nós, é anormal. Lembram-se do Hardy (oh dia , oh Céus , Oh azar !) ?.

Existe remédio para resistências às mudanças ? Onde posso comprar ? É injetável, drágeas ou supositórios ? De quantas em quantas horas devo tomar ? Meu caso é grave ? Quanto tempo de vida ainda me resta ? E assim passamos a fazer perguntas atropeladamente como se perdidos num deserto, sem água e sem comida. Primeiro é preciso calma.

O segundo momento dessa maneira de ver as mudanças é entender que vamos para o futuro queiramos ou não. É no presente que começamos a construir um futuro melhor. O passado é apenas a fonte de referências e de aprendizados. Não repetir os mesmos erros do passado, no aqui e no agora é sábio. Alguns de nós sofremos muito no passado e estamos presos a ele como se tivéssemos âncoras nos pés. Razões para isso temos de sobra. Quando pensamos no passado sempre temos razão. Pensando no futuro essas razões desaparecem. Não mudar pelas razões do passado não nos leva ao lugar que desejamos, não nos torna mais felizes. Uma pergunta que aprendi com um grande amigo é VOCÊ QUER TER RAZÃO OU SER FELIZ? No passado sempre teremos razão. No futuro o que queremos é ser felizes.

O segredo está em admitir que somos a causa de todos os processos da vida pelos quais passamos. Aprender com eles. Pesquisar o que fizemos de errado e de certo. O que deixamos de fazer. O que deixamos que os outros fizessem conosco. É a partir dessa reflexão que adquirimos novas atitudes e comportamentos para ter o domínio das mudanças pessoais. Passamos pouco a pouco a entender, ter visão e sentir.

Nessa hora alguns estarão perguntando: e as mudanças sobre as quais não temos nenhum controle ? Como fazer ? Eu arrisco uma resposta: não faça nada. Não temos controle mesmo. Deixe acontecer. Gosto de contar a história real de um australiano. Bom pai, bom marido, bom cidadão e aberto às mudanças da vida. Metódico, gostava de almoçar com os amigos sempre no mesmo restaurante da pequena cidade no interior da Austrália onde vivia. Sempre na mesma mesa e na mesma cadeira. Um belo dia há milhares de quilômetros da Terra um meteorito sai de sua rota e vem em direção ao nosso planeta. Na esmagadora maioria das vezes, pela velocidade, pelo tamanho e pelo atrito com a atmosfera terrestre 99,99999999% desses meteoritos viram pó. Esse em particular era um pouco maior, e em contato com a atmosfera da terra não se dissolveu completamente e ficou um pouco menor do que uma bolinha de gude (das pequenas) e foi caindo. Imaginem quantos milhões de quilômetros quadrados temos no nosso planeta ?

Desses milhões de quilômetros é sabido que mais de 2/3 são de água. Esse meteorito, do tamanho de uma bolinha de gude, resolveu cair, exatamente na hora do almoço, numa pequena cidade do interior da Austrália, furou milimetricamente o telhado do restaurante, e caiu sobre a cabeça do nosso herói , que morreu instantaneamente com o impacto. Ninguém mais se feriu. Alguns nem perceberam o que aconteceu. Na autópsia do nosso herói foi colocada como causa mortis: impacto por objeto esférico de origem desconhecida. Sabem qual é a probabilidade de isso acontecer ? Nem tentem imaginar!!! Moral da história: existem coisas que jamais iremos controlar, mudanças que não dependem de nós; então deixe acontecer; por que se preocupar?

Vejam as pessoas que são felizes e que promovem mudanças. Observem como elas fizeram para chegar aonde chegaram. Pesquisem os sinais que aparecem à sua volta.

As mudanças organizacionais começam a partir das mudanças individuais. Em qualquer tipo de organização, familiar, profissional, religiosa etc. As pessoas que mudam formam equipes que têm o mesmo foco e objetivos claros, usam o aprendizado individual e promovem transformações. Tornam-se massa crítica. Fazem acontecer. Um indivíduo apóia o outro e formam uma rede que sustenta as mudanças da organização.

O PUDIM DE LEITE do título ? Nada tem a ver com nossa história de hoje. Sou fã de PUDIM DE LEITE e antes de sentar para escrever preparei uma fôrma, misturei os ingredientes, coloquei para cozinhar. Neste exato momento o “timer” do fogão avisou que já está pronto. Sinto o cheiro daqui! Estão servidos ? Não existe mudança igual a esta: depois de escrever, deliciar-se com um farto pedaço de pudim de leite. Experimentem !!!!

No próximo texto abordarei as resistências às mudanças e algumas dicas sobre como eliminá-las.

Quem quiser a receita do PUDIM peça pelo e-mail que eu forneço.

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