O consumo não tem classe social

O crescimento do poder de compra das classes C e D da população brasileira no setor de varejo demonstra que cliente é cliente, independentemente da condição social Embora o mercado faça essa diferenciação por questão de foco, perfil de consumidor e marketing, consumo é consumo, consumidor é consumidor e cliente é cliente. É uma redundância, com certeza, mas cito essa comparação para chamar a atenção do modismo que se instalou em nosso País. As grandes empresas focam seus produtos nas classes C e D, que se tornaram a bola da vez.

E nessa migração, algumas redes de supermercados se instalaram nos bairros para competir com os mercadinhos, na moda, as confecções criam a segunda marca, um gigante da informática lança computadores portáteis a preços populares. Posso falar com conhecimento de causa, já que tenho estudado nesses dois últimos anos os caminhos do varejo para as classes C e D e o poder de consumo desses clientes, que cresceu em torno de 72% e 45% respectivamente, fazendo o mercado agir com uma velocidade e voracidade espantosa.

No entanto, está na hora de deixar de lado esse modismo que rotula as classes ou apelar para o chavão, já irritante, de consumidores populares. Não precisamos colocar na placa da empresa que está sendo inaugurada que seus produtos são ?populares? ou para ?cliente popular?, pois pode melindrar o cliente que sabe que possui um poder de compra abaixo de outras classes e não precisa ser rotulado ou lembrado disso, além de ter a impressão que por ser ?popular? não terá atendimento nem produto com qualidade.

Cliente é cliente! Devemos estar atentos ao mercado e buscar o perfil do cliente ideal, que por si só faz a separação em termos de poder de compra. Ele não gosta de ser chamado de popular, e devemos nos atentar para essa situação, por exemplo: eu compro em qualquer tipo de loja que ofereça um bom ambiente, bons produtos, bons preços e, sem dúvida, um bom atendimento. Não sou classe, e sim um cliente como qualquer outro.

Hoje, um televisor em torno de 270 reais é um televisor com preço atraente, e não popular. E quem, por algum motivo, resolver comprá-lo não diminuirá de classe, muito menos perderá poder de compra, apenas irá supriu uma necessidade.

Propositadamente repeti várias vezes algumas palavras justamente para mentalizar e observar o que não soa bem aos ouvidos dos clientes. Acredito que o caminho é criar um termo mais simpático, menos agressivo e que não afugente nossos consumidores. O lado bom dessa história é que não se discute mais que o consumidor está comprando mais, pagando melhor, melhorando o padrão de vida e sendo mais feliz. E isso não tem classe!

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