O emprego ideal

Durante muito tempo, as pessoas buscavam emprego de um só maneira: compravam os jornais de domingo e iam direto para a seção de classificados. Durante muito tempo, as pessoas buscavam emprego de um só maneira: compravam os jornais de domingo e iam direto para a seção de classificados. Com uma caneta vermelha na mão, marcavam os anúncios aparentemente mais interessantes. Raramente se preocupavam em analisar o perfil da empresa, o mercado em que ela atuava, os produtos que fabricava, as chances de desenvolvimento profissional que oferecia.

A verdade é que ainda hoje as pessoas costumam cair numa armadilha ao procurar emprego: aceitam a primeira proposta que aparece pela frente, mesmo que não seja aquilo que esperam. Depois, têm de adaptar-se às características da organização e, como não levaram em conta as próprias aspirações, acabam insatisfeitas e frustradas.

Entre tantas coisas que você precisa saber sobre o lugar onde irá passar um bom período da sua carreira, procure saber como os funcionários são tratados. Veja esse exemplo. Numa empresa de energia que visitei na capital paulista, parece que as pessoas não se dão conta de que um simples gesto impensado pode ferir profundamente o orgulho de toda uma equipe.

Durante a reunião com os gerentes, havia um verdadeiro banquete sobre a mesa: sucos variados, bolachas, pães, patês e até copos de iogurte dos mais variados sabores. As pessoas mais comiam do que me passavam as informações que interessavam para o meu artigo. Depois de encerrada a comilança, ou melhor, a primeira reunião do dia, comecei a me preparar para o encontro com os operários.

A mesa ainda estava repleta de guloseimas da reunião anterior. Duas garçonetes entraram para fazer a limpeza. Pensei que iriam apenas trocar os copos usados por outros limpos e reabastecer as jarras com mais suco. Estava enganado. Levaram tudo e deixaram a mesa completamente vazia. Os operários que chegavam e acompanhavam a ?operação limpeza? não perdoaram:

? Ei, me deixe roubar pelo menos uma bolachinha ? disse o mais extrovertido.

? Mas que mordomia, hein? ? comentou outro olhando para mim.

? O meu suco com adoçante, por favor.

Parecia que aquela cena não era novidade para eles. Fiquei chocado. Durante as quase duas horas em que conversamos nada foi servido ? nem mesmo um copo d´água. Ao meu lado, na mesa, foi posto um copo de suco de laranja. Claro, não tive coragem nem de tocá-lo.

Por si só, um fato como esse não é suficiente para concluir que aquela era ou não uma boa empresa para trabalhar. Mas ele revela um comportamento para lá de suspeito. E na conversa que tive com os operários veio a certeza de que aquela organização tinha construído um abismo entre seus níveis hierárquicos. Para o pessoal do nível operacional, estava claro que o jogo era ?eles contra nós?. O resultado dessa pendenga: todos estavam perdendo ? inclusive a empresa, que atravessava uma profunda crise financeira.

Esse é um daqueles sinais de fumaça que você não pode ignorar na hora de avaliar uma proposta de trabalho. Estude cuidadosamente se há um grande distanciamento entre os níveis hierárquicos das empresas. As boas organizações buscam constantemente aproximá-los. Quando oferecem determinado benefício, procuram estendê-lo a todos.

Fique de olhos abertos para não lamentar mais tarde. Discriminação é palavra que não cabe em uma organização que ambiciona oferecer um ambiente saudável para sua equipe.

Frase: O dia de amanhã ninguém usou. Pode ser seu ? Pagano Sobrinho

Para Saber Mais: O Emprego Ideal Existe ? Como encontrar a empresa certa para você, de Mauro Silveira (Editora Gente)

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