Coloque uma coisa na cabeça: não está em jogo se você gosta ou não do trabalho, tarefa ou projeto que lhe incumbiram de fazer, e sim se gosta o suficiente de si mesmo para deixar que o trabalho que faz mostre a pessoa que é. Compliquei? Então, vou esclarecer.
Há muita gente por aí afora tentando lhe convencer de que deve fazer o que gosta ou encontrar forças e motivação para gostar do que faz. Para mim, não é uma coisa nem outra. Sempre, em nossa vida profissional, vamos ter de lidar com o paradoxo de estar em uma área de atividade que amamos, mas cumprindo rotinas que odiamos ou, o contrário, estarmos em uma área em que não temos grande paixão, mas fazendo, eventualmente, atividades agradáveis.
Dessa forma, o que importa é focarmos no resultado que geramos. Entenda que no mundo corporativo e mercado de trabalho não somos reconhecidos, valorizados e recompensados pelas promessas que fazemos, potencial que carregamos e passado que construímos, e sim pelos resultados que geramos no tempo chamado hoje. Ou seja, na vida profissional, diferentemente de em outras instâncias do ser, somos os resultados que geramos. É cíclico: nossos resultados são consequência do que somos e, principalmente, de como encaramos a vida (atitude), e nós acabamos por ser consequência dos resultados que alcançamos.
Seus resultados dizem muito sobre você
Afirmar que se não damos resultados, não somos ninguém é uma heresia, se olharmos pelas perspectivas filosófica, psicológica, antropológica ou mesmo teológica. Mas, acredite, pela ótica mercadológica, são nossos resultados que falam mais alto. É a quantidade e, principalmente, a qualidade do trabalho que fazemos que nos permitem alçar voos maiores e sermos chamados de campeões.
Para as pessoas que, acima de qualquer coisa, gostam de si mesmas – e isso não é pecado, pelo contrário, é bíblico -, os resultados do trabalho que fazem precisarão sempre refletir o quão valiosas elas são. Indivíduos que pensam assim acreditam que não possuem o direito de negligenciar qualquer trabalho que façam, pois, se fizerem malfeito, alguém pode ter uma percepção equivocada de quem eles são e concluir que não têm tanto valor. O que quero dizer é que quem gosta de si e tem autoestima aproveita toda oportunidade que possui para fazer a diferença, mostrar seu melhor e brilhar, pois sabe que aquela é a chance de ser percebido como gente de valor, independentemente de gostar ou não do trabalho que lhe foi designado. Sei que isso exige resignação, mas não tem jeito. Pessoas assim sabem que a responsabilidade é delas e que quando fazem um trabalho bem-feito é o seu crescimento pessoal que está em jogo.
Não existe espaço no patamar da glória e vitória para os indisciplinados. É a disciplina que faz com que nos resignemos e avancemos diante das adversidades, desconfortos e frustrações. Da mesma forma, não há espaço no pódio da conquista para os desapaixonados. E aqueles que são apaixonados por si mesmo – mas não somente por si, é lógico – sabem se apaixonar pelas oportunidades de brilharem que a vida lhes dá, independentemente de gostarem ou não da tarefa, atividade ou trabalho que lhes foi confiado. Portanto, apaixone-se, ame-se e faça o que tem de ser feito. E, por favor, faça bem-feito. É você que está em jogo, e tenho certeza de que nesse jogo você quer vencer.


