O Padeiro

Há certos momentos que mais parecemos como “égua de padeiro”. Fazemos somente o que aprendemos e não nos preocupamos com a arte de inovar, de recriar, de reaprender. Mais parecemos seres robotizados, porque aceitamos a situação, encostados nas mais esfarrapadas desculpas, por não querermos ouvir o cordial “não”. Você pode achar um tanto estranho o tema do artigo. Verá que, no decorrer de sua leitura ele trará um entendimento objetivo e claro para o profissional de vendas. Antigamente, principalmente nas cidades interioranas, as padarias contratavam entregadores de pães que soubessem “dirigir charrete”, no entanto, não contratavam “vendedores” de pães que também soubessem conduzir uma charrete “tracionada” por um animal. Recebiam, como parte do trabalho, uma cadernetinha bem surrada contendo os nomes de cada “freguês” para o débito diário da quantidade de pães negociada anteriormente com o proprietário, cuja entrega era paga nos primeiros dias mês seguinte, mediante esse “controle” de entrega, e o comprador deveria dirigir-se à padaria para concluir a negociação. Não havia, por parte do padeiro, ou seja, do proprietário, contratante do entregador, a preocupação em instruí-lo para um melhor rendimento, melhor aproveitamento do local, espaço, tempo e também do cansaço natural da criação. Iam por onde o animal os conduzia e desciam da tal “carroça-baú” – porque ele (o animal) parava, dando a dedução de que ali era o lugar de entrega.

Contam os antigos moradores de uma cidadezinha que ainda conserva tal hábito que, numa ocasião, levaram o animal para uma pastagem costumeira – como o faziam todos os dias, e sabe-se lá porque, o tal eqüino resolveu “dar umas voltas” e, ao voltarem ao local da pastagem não mais o encontraram. Como não poderia ser diferente, bateu o desespero, vieram as idéias doidas à mente, pensaram até em “fazer parte” à polícia, acreditando num possível roubo. Depois de algum tempo receberam a notícia de um freguês, que o animal estava “estacionado” já contava uma hora, em frente à sua casa.

O padeiro todo contente, saiu de imediato e foi até o local para trazê- lo de volta ao convívio do trabalho. Notaram que aquele era o último freguês da caderneta, que recebia os pães, e onde o padeiro fazia um “lanchezinho” todos os dias. Existe profissional de vendas que aplica o conceito da “égua de padeiro” para o seu trabalho. Visita só e terminantemente o mesmo cliente por anos e anos, não se preocupando com o cliente da frente, um outro potencial prospectivo da mesma cidade, ou algum interessado que possa ser incluído aos seus “melhores da região”, deixando, também, de lado aquele outro que espera por um convite, etc. Faz o exato percurso e não olha nem para um lado e nem para o outro, ainda que seja para ganhar na loteria. De repente, sai feito um doido, buscando fechar o mês e vai ao último cliente, aquele em que sempre termina sua rota. Começa toda a conversa, repete histórias e “mata o tempo”.

É o famoso cansaço, provocado pelos meses mais fracos, porque a clientela é tão “selecionada” que, numa única viagem vai e vem e tudo bem, estão concluídas as visitas. Como não há aumento no faturamento, por falta de clientela, resolve gastar saliva com aquele, que devido sua permanência, sua conversa mais alongada, supõe que irá adquirir um maior número de seus produtos, ou contratá-lo com mais freqüência.

É uma tentativa enganosa. Voltar antes do tempo por sobra de tempo. Ninguém consome por consumir ou simplesmente por querer ajudar, dar a sua contribuição – quando se busca economia e qualidade superiores. Visitei uma empresa que estava numa situação dessas, envolvendo a maioria dos seus representantes. Ouvindo-os, constatei que os motivos não eram tão diferentes. Engraçado é que, cada um falava da região, culpando o governo, a situação, os buracos da rodovia, as despesas, o pedágio, a escola, a casa, a saudade, o medo, preconceito, etc e tal. Não apareceu um representante que aceitasse isso como “percurso viciado”.

Então, há certos momentos que mais parecemos como “égua de padeiro”. Fazemos somente o que aprendemos e não nos preocupamos com a arte de inovar, de recriar, de reaprender. Mais parecemos seres robotizados, porque aceitamos a situação, encostados nas mais esfarrapadas desculpas, por não querermos ouvir o cordial “não”. Como se essa negativa nunca estivesse soando em nossos ouvidos. Visitamos estritamente os tantos clientes que nos oferecem a certeza do “sim” e não nos damos conta da necessidade, do prejuízo que nos causamos, deixando de lado tantas oportunidades de sucesso, tanto pelo medo quanto pela vergonha, porque, além de possivelmente serem nossos clientes, poderiam ser verdadeiros parceiros e fiéis indicadores.

Sei que você não faz essas coisas em suas viagens, em suas visitas rotineiras. Isso são apenas recordações para aqueles que estão entrando agora, novinhos em folha, na carreira de vendas, para não tornarem o percurso chato, e por esse motivo abandonarem a profissão. Tal história, só serve, mesmo, para aqueles que ainda não entenderam que são vendedores e têm chances maravilhosas de serem bem sucedidos, e estão pensando em encontrar outro trabalho que substitua parcial ou definitivamente, porque não é essa a profissão que pediu a Deus. Eu entendo. Mesmo andando em roteiros, desejo que entenda que “o pouco com Deus é muito”. Mas, se ficarmos na esperança do milagre, e ninguém correr atrás dos “pãezinhos e dos peixinhos”, nenhuma cesta se encherá.

Sucesso e ótimas vendas, sempre.

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