O pai que queria ser um rabisco

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Talvez muitos pais ainda não tenham percebido que a alegria, a educação, a saúde e o bem-estar de seus filhos estão em suas mãos. A alta velocidade deveria ser apenas uma prerrogativa de pilotos profissionais. Na vida, viver em ritmo acelerado não faz bem a ninguém, além de colocar em risco o equilíbrio necessário para ser bem-sucedido na vida pessoal e familiar.

Madre Teresa de Calcutá sempre dizia que o amor começa em casa e que o sofrimento e infelicidade são atribuídos à falta de amor nos lares. No mês em que comemoramos o Dia da Família e o Natal, vale o alerta: devemos repensar nossas atitudes e avaliar sinceramente se estamos dando a atenção e o amor necessário à nossa família.

Um advogado e também professor universitário do interior de São Paulo revelou um grande acontecimento em sua vida a um grupo de alunos. A história logo se espalhou e, agora, tomo a liberdade de contá-la ao leitor.

Com apenas quatro anos, sua segunda filha estava indo muito mal na escola; andava agitada, agressiva e vivia isolada dos colegas de turma. Assim que tomou ciência do problema de sua filha, o advogado buscou culpados. Praguejou contra a esposa, a empregada, os vizinhos e um sem-fim de pessoas.

Certo dia, a psicóloga do colégio em que a criança estudava marcou uma reunião com esse pai. Em uma conversa reservada, a orientadora mostrou um desenho feito pela menina. ?Pedi aos alunos que desenhassem suas famílias e estranhei muito o fato de o senhor não estar representado no trabalho de sua filha.? O advogado ficou paralisado. Lágrimas percorriam incessantemente o seu rosto. Somente naquele momento ele pôde se deparar com a verdade, que era a grande falta que ele fazia na vida de sua filha, a ponto de ela não fazer sequer um rabisco para representar a figura do pai.

Aquele homem teve a chance de rever sua vida e estabelecer uma nova ordem de prioridades, em que estudos, viagens e o reconhecimento profissional vêm sempre depois da sua família. Reviu seus horários, abriu mão de um terceiro emprego, reservou um período do dia para resolver os problemas escolares de seus filhos e mais um longo período nos finais de semana para se divertir com a família.

Muitos pais e mães vivenciam situações semelhantes. E, talvez, muitos ainda não tenham percebido que a alegria, a educação, a saúde e o bem-estar de seus filhos estão em suas mãos. Portanto, apelo para todos que, reflitam sobre o ritmo de suas vidas, revejam suas prioridades, sempre privilegiando a família e a missão que Deus concedeu a todos os pais e mães. Como enfatiza o dito popular, nada compensa o fracasso de um lar.

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