O poder da simplicidade

O que todo líder deveria saber para conduzir um processo de mudança eficaz A história mostra que resistir à mudança é quase sempre uma estratégia perdedora. A tática vencedora é você se adaptar e se tornar proativo, tentando influenciar o curso da mudança a fim de obter vantagens sobre ela. Foi o que fez a empresa norte-americana Procter & Gamble, que reúne um enorme conglomerado de subempresas, produzindo alimentos, produtos de higiene e limpeza entre outros.

Em 2000, ao verificar que o lucro caíra de 3,8 para 3,5 bilhões de dólares, descobriu que era preciso se reinventar. A mudança foi comandada pelo executivo norte-americano Alan Lafley. E o que ele fez? Começou descomplicando a administração, que era tida como burocrática. Buscou também novos mercados, como o de baixa renda, reduziu o número de categoria de produtos e se concentrou em mercados rentáveis, além de pesquisar a preferência dos consumidores.

?Pesquisa da sogra?

A estratégia foi a concentração nos negócios centrais, nos quais são líderes mundiais, entendem a tecnologia e possuem marcas líderes. Quatro negócios (cuidado com tecidos, bebês, cabelos e cuidados femininos) representavam 50% das vendas e mais de 75% dos lucros. Eles se concentraram também nos países centrais, especialmente nos 16 que contribuíam com mais de 80% das vendas, e nos consumidores centrais, ou seja, nos dez maiores que compunham um terço das vendas.

A aproximação com o consumidor foi feita através de técnicas próprias que permitiam que se criasse uma linha direta com o usuário final. Quando esteve no Brasil, por exemplo, o presidente da Procter & Gamble visitou lojas e casas de consumidores, e fez o que chama de ?pesquisa da sogra?. Uma vez por ano, organizam uma reunião para os líderes de todos os países e todas as categorias de negócios da companhia ? cerca de 200 pessoas. Em uma dessas ocasiões, foram às compras por um dia, cada um com uma seleção de famílias.

Ao ser questionado, em uma entrevista concedida à revista Focus Online, sobre como fazer com que as novas mudanças de direção não produzam um forte sentido de insegurança entre os funcionários, o presidente reconheceu que precisou garantir a todos que o propósito de melhorar a vida cotidiana dos consumidores que atendiam, com produtos de marca, qualidade e valor superiores, não mudaria, assim como os princípios: integridade e confiança, propriedade e liderança e paixão pela vitória. Todos sabiam que o propósito, os valores, os princípios, o coração e a alma da companhia permaneceriam intactos. Mas também percebiam que deveriam estar preparados para mudar todo o restante, se a mudança fosse fazê-los mais bem-sucedidos.

Alan Lafley contou que alguns líderes não conseguiam mudar. Então, foram mudados de lugar. Em alguns casos, eles pediram demissão ou se aposentaram mais cedo, enquanto outros saíram para trabalhar em outras empresas. De modo silencioso, mudaram mais da metade da equipe de liderança. ?Quando se trata de qualidades e experiências pessoais, sou um grande defensor de uma mistura de QI e Inteligência Emocional, que é extremamente importante em negócios que dependem muito das pessoas?, declara.

Limites, poderes e atribuições

Lafley enfatizou ainda que na Procter & Gamble eles trabalham principalmente a partir de equipes no processo de inovação, embora os membros do grupo estejam em qualquer lugar do planeta. Ele garante que tornar tudo mais simples é o melhor caminho para enfrentar a crescente complexidade do mundo dos negócios. ?Ao simplificar tudo dentro da empresa, nós podemos gastar muito mais tempo lá fora, ou seja, com os consumidores, clientes, fornecedores e outros participantes do processo?, conta.

Em 2004, o lucro da companhia saltou para 6,4 bilhões de dólares. Em 2007, ela registrou lucro líquido de 10,34 bilhões ? 19% a mais que em 2006 ? e receitas de 76,47 bilhões de dólares ? 12% maiores que as do ano fiscal anterior. No início de 2005, a empresa comprou a Gillette, uma das maiores fabricantes mundiais de aparelhos de barbear, também dona das marcas Oral-B e das pilhas Duracell, por 54 bilhões de dólares. A operação é tida como o passo mais ousado em todos os 170 anos de história da organização. Atualmente, a instituição emprega pouco mais de cem mil funcionários ao redor do mundo.

E o que tiramos de positivo da influência do líder no processo de mudança? Se você quiser ter muito sucesso, ame as pessoas e pense nelas. Mas faça com o coração, porque elas perceberão a sinceridade quando estiverem em sintonia com seus sentimentos. Lembre-se de que sem envolvimento não existe comprometimento. E o que isso representa? Demonstra deixar o ego do lado de fora, ter consciência de que a vaidade só atrapalha e saber que um líder não pode se esconder quando as coisas vão mal. Você deve ser transparente, acessível, lembrar que as pessoas gostam de carinho, que também têm egos, mas que você não precisa passar a mão na cabeça delas, e sim falar a verdade e deixá-las a par dos riscos pode ser uma boa.

Conhecer seus limites, poderes e atribuições e fazer com que a equipe os conheça melhor que você mesmo para poder servi-los sem dúvidas é um excelente ponto de partida para que tenhamos ordens claras e com execuções precisas, como enfatiza sempre o grande Bernardinho: ?Líder é aquele que tem princípios e valores que inspiram as pessoas?. E a comunicação ajuda a criar um ambiente de clima positivo no trabalho. Às vezes, é melhor trabalhar de forma inteligente que trabalhar mais.

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