O que as grandes empresas podem aprender com as pequenas

O que as grandes empresas podem aprender com as pequenas Nesta edição, em que a nossa querida VendaMais comemora 14 anos de existência ? e eu completo três anos como colunista exclusivo da revista ?, gostaria de apresentar a você alguns exemplos de empresas que merecem nossa admiração por terem sido capazes de começar pequenas e assim continuarem, sem abrir mão de garantir a satisfação de seus clientes e a realização profissional de seus donos.

Para evitar uma generalização excessiva, que poderia dificultar a compreensão dos exemplos, focarei três empreendimentos que tiveram início e continuam prosperando na pequena Oliveira, cidade de 40 mil habitantes, localizada no centro-sul de Minas Gerais ? para evitar especulações dos mais curiosos, informo que a escolha é absolutamente intencional, pois se trata da cidade em que decidi morar desde meados do ano passado.

Heróis de Rua

Há aproximadamente 15 anos, Oliveira viu surgir a grife Heróis de Rua, especializada em roupas e artigos de couro. Conheci a empresa nos seus primórdios, funcionando nos fundos da casa de Leíse, sua fundadora. Essa jovem empreendedora não conhecia nada sobre a arte de transformar couro em produtos de moda, mas tinha muita vontade de progredir. Seu primeiro passo foi contratar costureiras experientes de uma fábrica de tecidos que reduzira drasticamente sua produção. Depois, tratou de montar uma equipe comercial que passou a apresentar seus produtos nas cidades da região. Hoje, Leíse vende para todos os estados do sudeste e sua grife é conhecida e apreciada por todos que têm contato com ela.

Você pode estar se perguntando: o que essa história tem de diferente de inúmeras outras? Eu diria que é o fato de Leíse jamais ter deixado de ter contato permanente com seus clientes e vendedores. O sucesso não lhe subiu à cabeça e ela continua tratando a todos com a mesma atenção e delicadeza de 15 anos atrás.

Bar do Branco

História um pouco mais antiga, de uns 20 anos pelo menos, é a do Bar do Branco. No começo, tratava-se de um dos muitos botecos, comuns nas cidades do interior de Minas. Mas o curioso e pitoresco é que Hilton (ou Branco, como todos o conhecem) intuitivamente se utilizou do conceito de segmentação para perpetuar o sucesso de seu bar.

Torcedor fanático do Atlético Mineiro, Branco foi pouco a pouco transformando seu bar em um ninho de atleticanos. É claro que não é proibido que torcedores de outros times freqüentem o local, mas há um regra implícita de que lá não se pode falar mal do ?galo?. Nos dias de clássicos como Atlético e Cruzeiro (ou outros times, quando se trata do campeonato brasileiro), o bar é dividido em dois ?ambientes?: um para os fiéis torcedores e outro para ?o resto?. Uma democrática cortina preta e branca separa os espaços.

Que lição esse exemplo nos ensina? Que precisamos ter sempre em mente que não é possível agradar a gregos e troianos e, por isso, a segmentação ? e não a propaganda ? é a verdadeira ?alma do negócio?.

Calú

O terceiro exemplo oliveirense completou agora em março um ano de existência. Trata-se da Calú, uma pequena loja de presentes e artigos de conveniência, gerenciada por Carla e Luíza. Carla é uma profissional de vendas com mais de sete anos de experiência no varejo (embora tenha apenas 22 anos). Tendo começado como balconista, foi ?descoberta? por Luíza, que a convidou para, aos 18 anos, gerenciar uma loja de aviamentos que estava inaugurando em Oliveira.

Passados quatro anos, Luíza resolve mudar de segmento, vende a loja de aviamentos e inaugura a Calú. Sua primeira iniciativa foi convidar Carla para ser sua sócia. Hoje, a loja da dupla ocupa uma importante posição no comércio oliveirense, servindo de referência para quem procura produtos de moda a baixo custo.

Na minha opinião, esse caso encerra uma dupla lição. Primeiro, que é preciso garimpar talentos e depois investir neles, oferecendo oportunidade de desenvolvimento e crescimento profissional, mesmo em pequenos negócios (a Calú, além das duas sócias, emprega duas vendedoras, diretamente supervisionadas por Carla). Segundo, é preciso ter coragem de assumir desafios e riscos e fazer como a Carla, que não deixou o cavalo passar selado em sua frente.

Se alguma dessas três histórias o interessou, faça uma visita a Oliveira e converse com os personagens, que são reais e estão lá, à sua disposição, para compartilhar com você suas experiências de pequenos empresários.

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