Encare a vida com otimismo Você acredita que nunca conseguirá ser um profissional bem-sucedido? Que a meta do mês é simplesmente impossível de ser alcançada? E que se acontecer uma reunião surpresa no escritório, será justamente quando estiver atrasado? Oh vida cruel, será que o mundo todo está conspirando contra você? Não, pode acreditar! Você está apenas precisando de um pouco mais de otimismo.
É a velha história do copo meio vazio ou meio cheio. As coisas nos afetam de acordo com a maneira como as vemos e reagimos a elas. Uma visão otimista é capaz de ajudar a enxergar e agir de forma mais positiva. Suzanne C. Segerstrom explica no livro Desmistificando a Lei de Murphy que o otimismo pode ser definido como um conjunto de pensamentos (expectativas positivas quanto ao futuro) e comportamentos (persistência e direcionamento das energias para os objetivos). ?As conseqüências do otimismo surgem desse conjunto de pensamentos e atos individuais: quando as pessoas cultivam pensamentos positivos sobre seu futuro, elas têm mais probabilidade de buscar seus objetivos, fazendo com que esse futuro se concretize?, diz.
A partir do momento em que você acreditar que a meta poderá ser atingida, por exemplo, a tendência é que aproveite todo seu tempo de maneira mais produtiva, ao contrário de quando não acredita. Agindo assim, é comum surgir pensamentos do tipo: ?Não vou bater a meta mesmo, então vou embora mais cedo?. Isso acontece, segundo Suzanne, porque o otimismo afeta a sua motivação quanto a realizar ou não uma tarefa: ?Quanto mais positiva for a expectativa que uma pessoa tem quanto a um resultado, mais motivação terá para atingi-lo. Acreditar que, por exemplo, você pode ser promovido aumenta a sua motivação para trabalhar com mais afinco?.
Vantagens do otimismo ? Além da possibilidade de conseguir melhores resultados, o otimismo atua diretamente no bem-estar das pessoas. O dr. Isaac Efraim, que é médico, psiquiatra e consultor organizacional, explica quais são os benefícios: ?Uma pessoa que tem uma expectativa positiva sente-se bem, relaxada, tranqüila e confiante, não tem o sentimento de medo ou temor. Nada pode ser mais confortável e gerar bem-estar em um indivíduo?.
Esses sentimentos levam a uma postura autoconfiante diante dos desafios. Para a consultora Gisela Kassoy, especialista em Criatividade e Inovação, os otimistas são bem-humorados e dificilmente perdem tempo explicando por que algo não deu certo, não culpam os outros ou as circunstâncias pelas dificuldades encontradas. ?Se acreditam que uma tarefa será fácil, colocam a mão na massa. Se acham que a tarefa será difícil, criam alternativas, procuram ajuda ou pensam em formas de contornar as dificuldades?, diz.
Por isso, as pessoas otimistas são mais agradáveis e costumam estar rodeadas de gente semelhante, gerando um círculo virtuoso. Tanto pessoal quanto profissionalmente, o otimista evolui e aprende com mais facilidade, o que é fundamental para qualquer carreira.
Sem desespero!
É claro que ninguém é obrigado a acreditar, ter esperança ou viver sempre de bem com a vida. Até porque algumas pessoas têm uma predisposição genética menor para serem positivas e outras uma tendência maior.
Portanto, se você está se sentindo culpado por não se identificar com esse comportamento positivo, não se desespere. Esse sentimento de culpa só vai atrapalhar, pois o otimismo não pode ser forçado. Mas você pode se reeducar emocionalmente e tentar, aos poucos, mudar a sua postura diante da vida.
Gisela avisa que se tornar otimista requer uma disciplina interna, semelhante a da reeducação alimentar. Não é possível mudar tudo de uma hora para outra, mas de tanto repetir as novas ações, elas se tornam naturais e geram uma seqüência de novos comportamentos. ?Toda vez que a mente humana absorve uma determinada forma de pensar, ela tende a repetir esse percurso. Assim, o pensamento negativo desencadeia uma avalanche de coisas negativas. Felizmente, o otimismo também contagia. Idéias provocam mais idéias, pessoas motivadas geram mais motivação, e assim por diante?, comenta.
Otimistas x pessimistas ? Gisela costuma fazer uma comparação para explicar na prática o que acontece. A mente dos otimistas se assemelha a das abelhas: seu vôo é direcionado. Seja na busca do pólen, seja na produção do mel, as abelhas buscam benefícios para si e para as flores. Já a mente dos pessimistas atua como uma mosca que voa alternando percursos. Mesmo se pousa em alimentos doces e nutritivos, vai em busca das feridas.
Para a consultora, os negativistas reagem a uma coisa boa se lembrando de críticas ou tentativas malsucedidas, além de sempre repetirem frases com mensagens desanimadoras. ?É o estado de espírito otimista que dá garra, ajuda na geração de idéias, torna as pessoas agradáveis aos olhos dos outros. É preciso evitar o convívio com pessimistas, estar alerta para seus comportamentos de mosca e procurar dar mais ouvido a seus sucessos do que a seus fracassos?, explica.
Qual é a medida certa? ? Muitos especialistas defendem a teoria de que o otimismo pode ser uma faca de dois gumes, ou seja, faz com que as pessoas distorçam um pouco a realidade e não enxerguem as dificuldades. Suzanne explica em seu livro que o mundo está repleto de coisas que chamam atenção, mas se a pessoa ficar atenta a todos os sinais e sons do dia-a-dia, poderá se sentir sobrecarregada. Para evitar isso, o cérebro filtra o que parece ser irrelevante e se mantém atento às coisas que parecem importantes. ?Trata-se de um processo inconsciente: você não observa tudo e, então, decide conscientemente prestar atenção em uma coisa e não em outra?, diz.
Entretanto, a autora não descarta a necessidade de estar atento aos sinais, porém com cautela. ?É importante prestar atenção nos estímulos negativos e ameaçadores do ambiente, razão pela qual os céticos são sensatos quando dizem que ser desatento pode ser perigoso. Eles estão errados, porém, quando afirmam que os otimistas não prestam atenção nenhuma?, diz Suzanne. Ela ainda acrescenta que as pessoas que se preocupam excessivamente não solucionam problemas e tendem a se prender àqueles em que não há solução.
A especialista Gisela lembra que os pessimistas também podem distorcer a realidade. Há inúmeras razões que levam uma pessoa a ver o mundo pior do que ele é. ?O otimismo ajuda as pessoas a sonharem e analisarem a realidade sem medo. Assim, sonham alto mesmo, mas não fingem em momento algum que a realidade é diferente do que é e que determinados riscos não existem?, explica.
A constância do otimismo
Para o dr. Isaac, existem algumas ações que propiciam o otimismo. Ele sugere alguns conselhos: ?Conserve a sua consciência sempre limpa, livre-se de sentimentos de culpa. Mantenha uma atitude proativa em relação à vida, melhorando o ambiente e o clima ao seu redor. Tenha um espírito empreendedor, buscando sempre melhorar a vida das pessoas que estão em volta?.
Tudo isso dá muito trabalho, é verdade, mas pode ajudá-lo a ver a vida de maneira mais positiva e, possivelmente, obter melhores resultados. Lembre-se de que o otimismo não se revela apenas em situações isoladas, você precisa renovar e manter constantemente sua postura positiva em relação às coisas. ?É preciso ter crenças otimistas sobre uma série de situações, ou seja, as ?expectativas de resultado positivo? têm de ser generalizadas em várias esferas da vida. Para ser um otimista, suas crenças devem ser estáveis com o passar do tempo?, avisa Suzanne.
Para a autora, uma forma simples de treinar a atenção ao positivo é manter um registro de três coisas boas que acontecem diariamente: ?É seguro dizer que todas as pessoas vivenciam pelo menos três coisas boas todos os dias, mas nem todas prestam atenção nisso. Alguns exemplos: observar uma bela flor, receber um elogio em relação a tarefas e ter uma boa noite de sono. Perceber diariamente essas pequenas coisas pode ajudar você a se dar conta de que há mais recursos positivos do que imaginava?.
Não seja a próxima vítima
Você pode estar pensando: ?Existem dias em que não há coisas positivas que resolvam?. É verdade, a vida não é sempre um mar de rosas, mas é justamente nos momentos mais difíceis que se deve conservar o otimismo.
Agir como vítima tanto no dia-a-dia quanto nas grandes dificuldades só tornará tudo mais complicado. O papel de vítima, de acordo com Gisela Cassoy, tem lá suas vantagens. Ela fez uma brincadeira para mostrar de forma divertida as conseqüências do pessimismo excessivo: ?Você dificilmente será lembrado para realizar tarefas importantes, porque vítimas não costumam ser eficientes, mas pense bem, até isso pode ser uma vantagem. Já pensou que delícia? Com exceção das pessoas caridosas, todos os demais vão esquecer de você?.
Também há outra vantagem: vítimas nunca são responsáveis por nada, os culpados sempre são a conjuntura, a concorrência, o chefe. Quer cultivar seu papel de vítima? Confira quais foram as dicas que Gisela preparou para você:
Esteja cercado de outras vítimas ? Já reparou como é gostoso? Quando duas ou mais vítimas se encontram, a conversa rapidamente cai sobre os culpados. Esse papo gera um alívio tão grande…
Cultive mágoas e rancores ? Lembre-se sempre do mal que lhe fizeram, aproveite para reforçar a sensação de impotência. Se, por exemplo, alguém roubou sua idéia, fique ressentido a ponto de não conseguir criar mais nada.
Amplie os problemas ? A vítima é a pessoa que acredita que todos os problemas são maiores do que sua capacidade de solucioná-los. Viu que fácil? Transforme seus desafios em situações ameaçadoras, esqueça de suas habilidades ou de que pode se preparar ou pedir ajuda. Deixe que a dificuldade tenha o efeito de um gás paralisante. Alguém vai se compadecer e realizar suas tarefas. E caso essa pessoa acabe ocupando o seu cargo, você terá o resto da vida para se queixar.
Mostre como é coitado ? Por exemplo: ao discutir salário, faça uma lista de suas necessidades pessoais. Diga que ajuda seu cunhado, que seu filho está louco para ter uma nova TV. Não mencione suas contribuições para com a empresa nem dê a entender que vai ser vantajoso para ela remunerá-lo bem.
Jamais assuma seus erros ? Pessoas que assumem seus erros tendem a corrigi-los. Isso não serve para as vítimas. Ao culpar os outros ou as circunstâncias, você estará demonstrando que em situações semelhantes agirá da mesma forma. Olha só que alívio para seus concorrentes!
Não se aprofunde em análises ? As situações atuais são complexas. Dificilmente um problema tem uma única causa ou um erro tem um único culpado. Mas não faz mal, é chique ser vítima de uma capacidade de percepção reduzida. Dá sempre para dizer: ?Como é que eu ia saber??.
Evite dar sua opinião ? Parta do princípio de que ninguém vai levá-lo a sério. Considere também que contestar dá trabalho. Se você estava com a razão, vai poder gozar sozinho as delícias de dizer ?eu sabia!?
Evite falar de seus sentimentos ? Se algo o incomoda, fique na sua. Deixe a situação incomodá-lo até o martírio. Agora, culpar alguém por não ter adivinhado seus sentimentos já é demais !
Lembre-se: vítimas têm o poder de aborrecer pessoas, manipular familiares e prejudicar empresas. Só há um problema: nada se compara ao dano que uma vítima causa a si mesma.
12 Passos para conservar o otimismo
Não se desespere, pois realmente não é fácil deixar de agir como vítima e assumir uma postura positiva. Você precisa de muito esforço mesmo. A própria autora do livro Desmistificando a Lei de Murphy conta que precisou de muita força para ser mais otimista. Suzanne C. Segerstrom explica como fez isso em 12 passos, confira quais foram e tente utilizá-los em sua vida:
1. Acreditei que havia coisas boas reservadas para mim no futuro.
2. Trabalhei para fazer com que o futuro se concretizasse.
3. Quando me deparei com obstáculos, analisei-os cuidadosamente e trabalhei para eliminá-los.
4. Livrei-me da adaptação hedônica, tentando sempre ter novos objetivos nos quais pudesse trabalhar.
5. Concentrei-me em objetivos capazes de construir recursos básicos, sociais, de status e existenciais.
6. Dei prioridade aos objetivos que eram importantes para mim.
7. Acreditei no melhor dos outros e usei isso como fonte de inspiração.
8. Gastei recursos básicos para alcançar meus objetivos, evitando não economizar tempo e energia nem gastá-los desnecessariamente.
9. Estruturei meu dia para tirar o melhor proveito possível de meus objetivos e recursos.
10. Dormi e me alimentei bem para recarregar meus recursos e energia.
11. Aceitei que o otimismo não é a resposta para tudo.
12. Mantive-me distante da roleta-russa.
Para saber mais:
Livro: Desmistificando a Lei de Murphy
Autora: Suzanne C. Segerstrom
Editora: BestSeller
Livro: Tudo o que a Grande Mente Capta
Autores: Dr. Isaac Efraim e Rosana Hermann
Editora: Gente
Livro: Como Ser Positivo
Autora: Susan Quilliam
Editora: Publifolha
Visite os sites:
Dr. Isaac Efraim ? www.ansiedade.com.br
Gisela Kassoy ? www.giselakassoy.com.br


