O ritmo do eterno

Nikos Kazantzakis, um dos mais importantes escritores, poetas e filósofos do século XX, nasceu em Heraclion (Creta) em 1883. Escreveu inúmeros livros importantes, entre eles, o mais polêmico é A Última Tentação de Cristo. Nikos Kazantzakis, um dos mais importantes escritores, poetas e filósofos do século XX, nasceu em Heraclion (Creta) em 1883. Escreveu inúmeros livros importantes, entre eles, o mais polêmico é A Última Tentação de Cristo.

Entre tantos questionamentos importantes, uma passagem contada no livro Zorba o Grego acabou se tornandomuito popular, mesmo que a maioria das pessoas não saiba que é de sua autoria. Ela conta que um dia, o narrador da história se lembrou da manhã em que viu um casulo preso à casca de uma árvore. Naquele exato momento, iniciava-se os trabalhos de rompimento do invólucro pela borboleta. Ela já se preparava para sair e o narrador, curioso, resolveu esperar para apreciar o fenômeno.

Acontece que ele estava com pressa e, ao que parece, o processo estava meio demorado. Com uma certa raiva, ele aproximou-se e começou a esquentar, impacientemente, o casulo com seu sopro. Depois de tanto vigor, o esperado milagre começou a desenrolar-se diante de seus olhos, num ritmo mais rápido do que o normal. Logo surgiu uma pequena abertura por onde a borboleta pôde sair, arrastando-se.

O narrador conta que nunca esqueceria o horror que sobreveio em seguida: as asas do pequeno inseto ainda não estavam totalmente formadas e prontas para o uso. Seu corpo tremia e, com todas as forças, a borboleta se esforçava para desdobrar rapidamente suas asas prematuras.

O personagem então, já completamente debruçado sobre a cena, tentava ajudar aquele minúsculo ser com seu poderoso sopro. Em vão. Um paciente amadurecimento era imprescindível, feito lentamente sob os raios do sol. Na verdade, aquele sopro obrigara a borboleta a se revelar, toda enrugada, antes do tempo. Como resultado, o inseto agitou-se por algum tempo e morreu nas mãos daquele que achou que podia brincar de Deus, dando a vida através de um sopro.

A conclusão do narrador acaba por resumir um alerta a todos que fazem o mesmo em tantos momentos da vida, seja exigindo demasiadamente dos filhos ou de si mesmos, por exemplo: ?Creio que esse pequeno cadáver é o maior peso que tenho na consciência. Pois, compreendo atualmente, é um pecado mortal violar as leis da natureza. Não devemos apressar-nos, nem impacientar-nos, mas seguir com confiança o ritmo eterno?.

Frase: ?A privação fortalece as pessoas, enquanto o conforto as enfraquece? ? Pramote Boonsanong

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