Se Leonardo da Vinci não tivesse feito um bom planejamento sobre o que seria o sorriso de Monalisa, talvez ele não fosse tão enigmático. Faça planejamento de tudo! Não existe eficiência sem organização, assim como não existe organização sem prioridades e planejamento. Qualquer executivo que assume uma posição de chefia em um departamento ou em uma empresa desorganizada sabe que sua primeira tarefa é ?colocar a casa em ordem?. As pessoas bem-sucedidas são aquelas que sabem utilizar seu tempo para perseguir, de forma mais eficaz possível, os objetivos que traçaram para si. Ao fazerem isso elas estarão agindo de uma forma organizada.
Há quem admire os que pareçam realizar, com sucesso, uma série de atividades ao mesmo tempo ? o que na minha opinião é impossível. Algumas pessoas transmitem essa impressão porque conseguem identificar prioridades e administrar seu tempo de forma eficaz, de modo a encaixar nele tudo o que precisam fazer. A identificação de prioridades é o ponto de partida de qualquer planejamento eficaz, mas representa uma tarefa difícil.
Quantas vezes você teve a sensação de que há algo importante a ser feito, embora não saiba exatamente o que nem como, por exemplo, quando alguém lhe disse: ?Você precisa escolher suas prioridades?, ou ?planejar melhor?, ou ainda ?organizar-se mais??
Como define o dicionário, prioridade significa eleger o que vem em primeiro lugar, ou seja, o que mais importa para nós. Você pode priorizar a manutenção de seu emprego atual e a fidelidade a seus valores, por exemplo, e dar-se conta que o primeiro está impossibilitando o segundo. Nesses casos, é necessário decidir o que é mais importante, qual das duas é a verdadeira prioridade, pois não há nada mais inútil e frustrante do que tentar conciliar prioridades irreconciliáveis. Admitir isso é um sinal de maturidade.
Muitos acham também que planejar é uma atividade tediosa e que reprime a criatividade. Essa é uma noção equivocada do que é planejamento e sua importância. Leonardo da Vinci, um dos maiores gênios da humanidade, dotado de uma indiscutível criatividade, planejava cuidadosamente suas obras, nos mínimos detalhes. Sua preparação era tão esmerada que ele chegava a dissecar cadáveres ? o que era proibido na época ? para estudar anatomia.
Ao pintar um retrato, ele contratava músicos e artistas circenses para distrair a pessoa que estava posando, a fim de evitar que ela adquirisse uma expressão cansada ou entediada. Ou seja, o sorriso da Monalisa não é fruto do acaso, mas de uma elaborada preparação e planejamento. Se até um gênio como Da Vinci entendia a importância do planejamento, que justificativa daremos para não planejarmos?
Certa vez, quando ministrava uma palestra sobre planejamento e produtividade pessoal, um dos participantes comentou que achava que o planejamento tolhe a criatividade e a liberdade, roubando da vida um certo sabor de aventura. É claro que planejamento exige disciplina, mas, como dizia Renato Russo: ?Disciplina é liberdade?. Quem não se disciplina o suficiente para elaborar e seguir seus planejamentos acaba se tornando refém dos contratempos, escravo do relógio e da frustração por não atingir suas metas.
Culpar a falta de tempo pela impossibilidade de cumprir compromissos também é uma tendência desorganizadora. Uma hora tem 60 minutos, e não há como esticá-la, por mais que você queira. Em vez disso, é mais útil reavaliar a forma como você está planejando suas atividades, de maneira que esse tempo seja aproveitado de forma mais eficaz. O mesmo vale para seu tempo livre e ao destinado à família. Não planejá-lo é a principal maneira de desperdiçá-lo.
Por fim, é preciso lembrar que todo planejamento que fazemos ? desde o planejamento das atividades diárias até às metas de longo prazo ? são parte de algo maior, que é o planejamento da própria vida. Que tipo de vida queremos ter em nossa idade madura?
Alguns jovens e alguns não tão jovens acham que isso é algo distante, que pode ser deixado para depois. Assim, vão negligenciando certos aspectos do planejamento que podem parecer tediosos ou secundários. E dizem: ?Por que vou me preocupar com minha aposentadoria se ainda sou jovem? Por que vou pensar em seguros e planos de saúde se nunca fico doente??.
No entanto, quem faz só o que gosta durante parte da vida, acaba fazendo o que não gosta durante todo o restante de sua vida. Colhemos o que plantamos e não há como mudar essa simples verdade. Infelizmente, muitos só percebem isso quando não podem mais contar com a saúde e a juventude.


