Recentemente vários escândalos empresariais e financeiros assolaram os Estados Unidos. O governo local criou novas regras a toque de caixa para tentar evitar que a situação se repetisse. Recentemente vários escândalos empresariais e financeiros assolaram os Estados Unidos. O governo local criou novas regras a toque de caixa para tentar evitar que a situação se repetisse. O remédio pode ser pior que a doença, pois regras demais fazem com que os empresários temam assumir riscos e afunda ainda mais a economia.
Enquanto isso tudo acontece, algumas empresas dão o exemplo, crescendo e inovando não importando a condição da economia. Não há segredo nisso, a receita é bem conhecida: negócios dependem de confiança: de criá-la, preservá-la e valorizá-la.
Verdade pura e simples ? A importância de construir relacionamentos de confiança e de um comportamento ético que inspira e alimenta esses mesmos relacionamentos é o ponto central do conceito de liderança de valor que apresento aqui. Vamos analisar a seguradora e financeira norte-americana Edward Jones. O diretor geral da empresa, John Bachmann, conta que a empresa quase fechou em 1970. Possuía cem escritórios em todo o país, mas apenas um milhão de dólares para investir e atender os compromissos com os clientes. E veio a quebra da bolsa de valores e novas regras do governo, tornando a situação caótica.
Bachmann, na época gerente de um dos escritórios da Edward Jones, junto com o então presidente Ted Jones tomou uma decisão que definiu o futuro da empresa. Eles passariam a focar em apenas um tipo de consumidor, pessoas físicas que buscam serviços de longo prazo. A razão dessa escolha: eles não tinham dinheiro para competir e investir no mercado de seguros para empresas. Foram então atrás de donos de pequenos negócios, profissionais liberais, fazendeiros, pessoas que nunca tinham tido alguém para ajudá-los a investir o dinheiro (contadinho) que recebiam. A maioria dessas pessoas se encontrava em pequenas comunidades, facilitando o boca-a-boca.
Enquanto a empresa crescia, Ted Jones criou uma regra para todo novo empregado ou investidor: passe seus três primeiros meses aqui, falando com pelo menos 25 possíveis clientes por dia. Criando relacionamentos. Entendendo o mercado. Criando confiança. Hoje, a Edward Jones conta com 8.700 escritórios, mais de 25 mil funcionários e uma receita de mais de dois bilhões de dólares em 2003. Além disso, foi considerada pela revista Fortune ?a melhor empresa para se trabalhar nos Estados Unidos? em 2002 e 2003.
Segredo do sucesso ? As pessoas gostam de trabalhar na Edward Jones porque essa empresa foi construída para servir um determinado tipo de consumidor e dar algo de volta à comunidade. Além disso, também é muito importante o que a empresa decidiu não fazer. Em vez de analisar os lucros por produto ou serviço, o fazem por investidor. Todos os vendedores na Edward Jones cooperam para fazer o melhor pelo cliente, em vez de ficar disputando prêmios entre si. Não são os 10% melhores vendedores que ganham um bônus, e sim todos aqueles que conseguirem superar determinada meta.
São ações simples assim que fazem da Edward Jones uma empresa de sucesso em um mar de falências e problemas legais. E é através desse exemplo que se ganha a confiança do consumidor, e não através de ações do governo. Isso é liderança de valor ? reconhecer que uma companhia não pode sobreviver sem a participação dos outros ? empregados, clientes, investidores, comunidade. O ?valor? em liderança de valor significa a natureza dessa ligação da empresa com os outros.
Grupos de valor ? liderança de valor significa dar a funcionários, clientes, investidores e comunidade algo a mais do que seus competidores. Não apenas isso, mas você deve gerenciar o relacionamento entre esses grupos, criando um sistema que se alto sustente e gere mais lucros e mais valor.
A liderança de valor baseia-se em sete princípios de gerenciamento que foram testados e comprovados tanto em períodos de expansão econômica como durante recessões:
1. Valorize relacionamentos entre pessoas.
2. Estimule e dê todas as condições para que o trabalho de equipe se desenvolva e se aprimore sempre na sua empresa.
3. Faça com que testes e experiências façam parte de seu dia-a-dia. Não que sejam a razão de ser da companhia, mas que estejam sempre presentes.
4. Cumpra os seus compromissos.
5. Lute contra a complacência e as ?zonas de conforto? na sua empresa.
6. Reconheça que há várias maneiras de ganhar mercado e alcançar suas metas.
7. Dê algo à sua comunidade.
E a liderança de valor compensa. Pesquisei 1.500 empresas, para ver quem atende esses sete princípios. Encontrei oito que os seguem com mais atenção do que seus concorrentes: Synopsys (automação eletrônica), WalMart, Goldman Sachs (financeira), MBNA (cartões de crédito), Johnson & Johnson, J. M. Smucker (condimentos e doces), Southwest Airlines e Microsoft. Suas receitas crescem 39% mais rápido do que a de seus concorrentes e sua margem de lucro é 109% maior, em média.
Na minha opinião, a paixão que o presidente e os líderes de cada empresa têm por seus negócios os fazem seguir esses sete princípios. Sem paixão, não há como mudar a maneira como se faz negócios nem a busca por fazer algo sempre melhor e a mais do que seus concorrentes.


