OBRIGAÇÃO DE SE DIVERTIR

Quer conversar com um especialista?
Entre em contato!

O tempo livre deixou de ser livre Tão prejudicial quanto a fixação pelo trabalho é a fixação pelo lazer. Tem gente que fica nervosa quando perde a sessão de cinema, quando não curte o final de semana ou não consegue ir a todos os lugares legais no feriado prolongado. Essa sensação de perda e culpa, cada vez mais comum, demonstra que a relação do trabalhador com o tempo livre passou de liberdade para se fazer o que quiser (inclusive não fazer coisa alguma) para obrigação de cumprir horários, traçar objetivos e estipular metas de diversão. É um dos mais novos efeitos do mercado competitivo e da atribulada vida moderna.

Obrigar-se a ser produtivo, ainda que seja divertindo-se no fim de semana, prejudica não só o desempenho no trabalho – principalmente com o acúmulo do estresse – como a vida particular. Afeta também a espiritualidade e impede a pessoa de crescer. Se não há tempo para curtir a família tranqüilamente, perdem-se as bases afetivas e as raízes, desestruturando-se.

A história do tempo livre é contada pelo ensaísta Witold Rybczynski no livro Esperando o Fim de Semana. Na obra, o autor escocês de ascendência polonesa registra que a Revolução Industrial e a urbanização trouxeram mudanças no comportamento no trabalho. Enquanto o antigo homem rural media o tempo pelas estações – a do plantio, da colheita, do recolhimento e das comemorações – o homem atual, de perfil urbano, mede o tempo em horas e compromissos agendados de segunda a sexta-feira, a chamada semana de trabalho.

No fim de semana, há horários pré-definidos até para se divertir. Além de considerarmos as atividades de lazer obrigatórias, não notamos, ainda conforme Rybczynski, que o tempo livre é cada vez mais trocado por outras atividades como ir ao supermercado, buscar filhos na escola, manter a forma na academia, levar o carro para lavar e a televisão ao conserto.

“A redução do tempo de lazer também é conseqüência da tecnologia dos escritórios. As máquinas de fax, os aparelhos para recados telefônicos e os computadores portáteis mostram que é fácil levar trabalho para casa à noite”, diz o autor. Correio eletrônico e celular podem nos liberar do espaço físico do trabalho, mas não nos livram das obrigações. A velocidade destas novas ferramentas nos torna mais produtivos e, em conseqüência, a cobrança por resultados é maior, o que, num círculo vicioso, nos leva a trazer mais trabalho para casa para produzir sempre mais.

Em 1997, a agência Reuters publicou uma análise em que 1.313 executivos americanos entrevistados declararam se sentir “fisicamente doentes” com a passagem contínua de informações pelas suas mãos. Esta mecânica acaba se repetindo nos dias livres de trabalho e nas férias. Exemplo disso são os pacotes turísticos. Do café da manhã no hotel até o final da noite, o visitante, geralmente de férias, conhece pontos turísticos, compra lembrancinhas, assiste a espetáculos folclóricos e conhece a cultura local. Cada dia, uma praia diferente do Nordeste ou um novo país na Europa. Tudo planejado pela operadora. O fim de semana e as férias “profissionalizam-se”. É preciso fazer alguma coisa. Mais do que isso, “fazer direito”.

Por fim, o autor escocês lembra da “Neurose do Domingo”, título de um texto de 1919 em que o psicanalista húngaro Sándor Ferenczi analisava uma série de sintomas que acometiam certas pessoas neste dia da semana em que estamos livres dos “grilhões dos compromissos e obrigações que nos são impostos”. Exatamente por este motivo, os trabalhadores acabam, com medo do sentimento de culpa por liberarem suas emoções, transformando suas inibições em mal-estar. E o que sentimos quando começa a música de abertura do Fantástico e notamos que não realizamos tudo o que nos propusemos na sexta-feira.

Para reverter este quadro, ofereço um pequeno conselho: passar algum tempo como “brócolis” ou “couve-flor”, vegetando sem preocupações na cabeça ou compromissos na agenda – mesmo que de lazer. Não se sinta culpado por vegetar, você merece parar tudo e só relaxar. E o melhor remédio contra um final de semana de programas de computador, programas com amigos, programas de shopping, programas de TV programas de familiares… O melhor programa é se desprogramar, dar um delete nas preocupações, stand by nos compromissos, um pause nas obrigações e curtir de verdade o seu tempo livre.

O que você pode fazer por si mesmo:

? Permita-se “vegetar”.

? Não se sinta “culpado” por não estar fazendo absolutamente NADA.

? Pergunte-se com sinceridade o que o deixaria feliz.

? Evite “obrigações” com amigos e familiares.

? Desvie o pensamento das “pré-ocupações”.

? Role na cama, no tapete, com seus filhos, com seu marido ou esposa.

? Faça guerra de travesseiros em família.

? Divida sempre as tarefas mais chatas com familiares.

? Assista a um filme de humor ou procure aquele amigo mais gozador.

? Permita-se, de vez em quando, conversar apenas futilidades, contar piadas e rir, rir muito.

? Viva um dia de cada vez.

? No trabalho, administre seu tempo e evite desperdícios. Ex: muitas vezes 10 minutos é mais que suficiente para uma reunião.

? Durante um momento de grande estresse no trabalho, pare tudo e relaxe.

? Não leve trabalho para casa.

? Se você é patrão, respeite o horário dos empregados.

? Em casa, pelo menos um dia deixe de lado obrigações como arrumar a cama, fazer almoço, jantar…

? Evite encarar o trabalho como algo opressor e procure curti-lo. Lembre-se que ele é parte importante de sua existência e que o torna útil.

Procure no site www.vendamais.com.br mais informações sobre esse tema: PALAVRA-CHAVE: Administração do tempo; stress

Para saber mais: Vivendo Plenamente – Conheça seu Corpo e Aprenda Exerc~icios para o seu Bem-Estar, de Valéria de Castro – Ediouro

Regina Araújo é consultora de Recursos Humanos em Santos-SP. Fone: (O**11) 3224.3555.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Conteúdos Relacionados

O prospect só quer saber o preço e não responde perguntas. E agora?

O prospect só quer saber o preço e não responde perguntas. E agora?

O prospect só quer saber o preço Uma aluna me ...
Leia Mais →
Otimismo ingênuo x otimismo realista: premortem como teste de colisão do seu plano comercial

Otimismo ingênuo x otimismo realista: premortem como teste de colisão do seu plano comercial

Otimismo Seu plano aguenta slide, planilha e reunião. Será que ...
Leia Mais →
Como conduzir clientes indecisos e acelerar decisões comerciais

Como conduzir clientes indecisos e acelerar decisões comerciais

Como conduzir clientes indecisos O cliente não precisa ser pressionado. ...
Leia Mais →