Os gastos dispensáveis

Estava o homem dentro da mata, cortando a sua arvorezinha, quando ouviu o grito de socorro: ?Au secours! Sauvez ?moi!? Imediatamente, com aquela humanidade de que todos somos feitos, pôs-se a correr. Estava o homem dentro da mata, cortando a sua arvorezinha, quando ouviu o grito de socorro: ?Au secours! Sauvez ?moi!? Imediatamente, com aquela humanidade de que todos somos feitos, pôs-se a correr. Mas, por isso, ou por aquilo foi dar exatamente no local de onde partiam os gritos de socorro. Numa pequena clareira se lhe deparou então um quadro horrível : um homem, ou melhor um camponês, lutando braço a braço com uma fera . Sentada numa pedra, com um rifle na mão, uma mulher, aparentemente mulher do camponês, contemplava a luta, pitando seu pito. Sem saber como agir o homem avançou para os dois que lutavam, logo recuou, logo tentou avançar de novo, recuou de novo e, sem ter o que fazer, atarantado, voltou-se para mulher e berrou: ?Que faz você, aí, mulher dos infernos? Por que fica assim, sem fazer nada? Por que não atira? Vamos atire?! E a mulher, pitando seu pito, respondeu então: ?Calma! Calma, homem. Pode ser que a fera me economize uma bala?.

MORAL: Os nossos pontos de vistas não são necessariamente os alheios.

Notas do autor:

1 Maneira sutil do autor mostrar que o conto se passa na França ou possessão francesa
2 Evidentemente, com a humanidade de que todos somos feitos, na direção contrária do grito de socorro.
3 Não, tachista, não!
4 Ia dizer onça, mas lembrei-me de que o conto de passa na França. Deixo a fera à escolha do leitor.

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