Novamente vieram as Olimpíadas e, novamente, o -Brasil passando vexame. Como é possível que um país como o nosso, com mais de 160 milhões de habitantes, consiga resultado tão pífio na maior consagração esportiva do mundo?
As medalhas estavam mais escassas do que nunca. Em 1996, em Atlanta, foram apenas 15 medalhas no total, o que nos deixou em 16o. lugar no ranking das medalhas. O primeiro lugar, com 101 medalhas, coube aos Estados Unidos, em segundo veio a Alemanha com 63 medalhas, depois a Rússia com 59, a China com 50, a Austrália, com apenas 18 milhões de habitantes, com 41 medalhas, e assim por diante, passando pela Coréia do Sul, com 27 medalhas, Cuba com 25, Ucrânia, Hungria, enfim, todos na nossa frente. Agora em Sidney a situação foi ainda pior. Fora alguns detalhes que precisam ser lembrados: nossa medalha da equipe de hipismo, por exemplo, deve-se, em grande 1)arte, a um cavaleiro que vive há mais de 20 anos na Bélgica, monta um cavalo de sela francês que pertence a um empresário português, e sequer nasceu no Brasil.
Mas as razões para nosso fiasco são as de sempre, infelizmente. Falta de incentivo, falta de planejamento e, mais do que nada, falta de maturidade. É ridículo levar uma equipe de 48 pessoas para um jogo onde participam 11 jogadores, assim como não tem cabimento levar dezenas de atletas sem a menor condição de disputar uma Olimpíada com o único propósito de posar para uma foto que impressiona pelo número de pessoas, mas desaponta pela qualidade.
Para vencer em qualquer atividade, e no esporte em particular, é preciso muito esforço, trabalho, investimento e dedicação. Não há atalhos. Quem já praticou esporte competitivamente, sabe do que estou falando. Nada vem de graça e é aí justamente que o slogan do maior fabricante de tênis mais se aplica: “No pain, no gain”. São horas, dias, meses e anos de dedicação, com doses de sofrimento, luta, desespero, desânimo, muita coragem, determinação e até mesmo um certo heroísmo, para conseguir galgar os píncaros da glória. Não é à-toa que os atletas se comovem e emocionam a todos, ao subir ao pódio.
Por que nós não conseguimos? Por que tão pouco sucesso no esporte? A razão principal é a falta de incentivo. Nossos governantes não devem achar esporte tão) importante. Em primeiro lugar, na opinião deles, suponho, vêm as casas populares (que, aliás, também não existem). Depois, devem achar esporte coisa de elite e, como todos sabem, como a elite é pouca, não ganha eleições. Sem considerar a politicagem que domina boa l)arte do esporte nacional. Mas talvez a causa principal seja ainda mais seria: o brasileiro, em grande parte, gosta mesmo de bancar o espertalhão, conseguir resultados sem fazer o esforço correspondente: através de amizades, o famoso jeitinho, quer aumentos salariais não por mérito mas por jogadas jurídicas ou índices oficiais, promoções automáticas sem fazer força, aposentadorias especiais, qüinqüênios, biênios e outras malandragens, tudo sempre regido pela lei do mínimo esforço. Em outras palavras, o brasileiro, pelo menos em boa parte, não quer pagar o preço.
Acontece que esporte é muito mais do que apenas um esforço físico extremo. Esporte é saúde, é disposição, e trabalho em equipe, é energia, é vida. Quem não pratica esporte não sabe o que está perdendo. Mais do que nada, o esporte reflete uma sociedade saudável, disciplinada, organizada, disposta e preparada para fazer esforços grandes para conquistar vitórias. É uma excelente oportunidade para um país se projetar, criando uma imagem positiva para o mundo inteiro.
Imagine só o que significa o Hino Nacional sendo ouvido por 2 bilhões de pessoas no mundo todo com um atleta do seu país talvez até conhecido seu emocionado, recebendo sua medalha. É, portanto, uma oportunidade imperdível de criar uma imagem positiva para um país, pois o esporte é uma grande consagração, onde são esquecidas diferenças comerciais, sociais, religiosas, etc. O Brasil, assim, perde mais uma vez uma grande chance de mostrar que o seu progresso não está limitado a índices econômicos positivos, mas que o país também apresenta outros ganhos importantes tornando-se um país cada vez mais civilizado, mais organizado, mais sério e mais saudável. Essa chance só teremos daqui a quatro anos. Vamos começar já?
Robert Grad é presidente da Hill & Knowlton Brasil, uma das maiores empresas de Relações Públicas do mundo.


