Entenda que você trabalha para si, independente de onde trabalhe. Tornar-se um profissional na essência da palavra não é apenas ser um excelente técnico em qualquer área. Na verdade, isso exige uma série de comportamentos que não são adquiridos do dia para a noite, seja assistindo a uma reportagem na televisão ou a palestras, seja lendo livros ou observando seu ambiente de trabalho e tentando entender o certo e o errado. É preciso uma reunião e a evolução constante desses fatores para primeiro entender, praticar e desenvolver, e, então, começar a se formar em um bom profissional, consciente da importância do aprendizado contínuo.
Depois de várias experiências acompanhando profissionais, aprendendo e também ensinando, acredito que um dos grandes desafios das empresas brasileiras é encontrar e formar uma equipe de trabalhadores não apenas preparados tecnicamente, mas também muito conscientes e preparados em comportamento e sintonizados com seus próprios objetivos e com os da empresa.
Um dos grandes equívocos de muitos profissionais que estão iniciando no mercado de trabalho e de muitos que estão se aposentando é não saber para quem estão trabalhando ou para quem trabalharam nos últimos anos. Este é o primeiro conceito que vale a pena revisar.
Se você perguntar a muitos deles para quem trabalham, responderão para a Petrobrás, para o Banco do Brasil, para o Mercadinho XCB, para a loja do senhor Joaquim e assim por diante.
Em nosso subconsciente, essa visão pode retardar nossa evolução profissional, pois podemos estar informando ao cérebro que estamos sendo obrigados a trabalhar naquele local, o que não é verdade, principalmente em um País de tanto desemprego. Isso favorece pensamentos e atitudes que não trazem beneficio a você e muito menos à empresa, nem, é claro, a todos os demais que nela trabalham.
Entenda que você trabalha para si, independente de onde trabalhe. Você trabalha para se alimentar, se divertir, morar, viajar, casar, sustentar a família, estudar e crescer, até para fazer algo que goste e preencher essa necessidade. Ou seja, você está trabalhando por sua causa, e não por causa da empresa.
Parece simples de entender, mas não é. Se você conseguir se concentrar nisso e entender que está trabalhando para si, isso, por si só, exige que você faça algo pensando em você. Então, tire da cabeça os pensamentos pequenos que dificultam alcançar ou se manter em cargos de maior responsabilidade.
Alguns desses pensamentos são: ?Para que vou me empenhar mais, para o dono ganhar mais dinheiro?? ou ?De que adianta me empenhar se não tenho aumento há dois anos??.
Nesses dois casos, você deve se empenhar mais, pois o mercado é um só, grande e competitivo. Oportunidades não avisam. Aparecem na sua empresa, na empresa ao lado, na empresa do bairro, no concorrente, na cidade, em outro Estado. Assim, você deve aprender e fazer melhor. Oportunidades aparecem não para quem tem sorte. Isso não existe. Elas aparecem para quem tem coragem e acredita que tem competência para aceitar a oportunidade.
Por isso, estar preparado, fazer o melhor, aprender sempre mais, independente de onde esteja, pode ajudar muito. Em uma empresa séria, ninguém é promovido ou é chamado para uma oportunidade melhor por ser acomodado ou por fazer ?por fazer?. Seus próprios amigos de trabalho, que estão mais próximos de você do que seus chefes, saberão se um dia podem indicá-lo ou não para um cargo melhor na empresa em que você está ou em outra empresa na qual eles mesmos conquistaram uma posição de maior responsabilidade.
?Eu quero que se dane! Não tenho zelo nenhum mesmo com equipamentos da empresa. Ela tem muito dinheiro e não está nem aí para mim.? Isso é uma grande inocência e, por que não, ignorância do profissional que acha que trabalha para a empresa. Ele não está satisfeito e conclui que deteriorando os bens vai afetar o dono ou o gerente da empresa e diminuir seu descontentamento. Para quem pensa assim, saiba que cada material e equipamento que você desperdiça ou destrói com sua ?inteligência?, certamente vai ser consertado e reposto. Para isso, gasta-se dinheiro, é claro.
Normalmente, para conceder reajustes salariais espontâneos em uma empresa, é preciso um resultado de lucro satisfatório. Isso é natural. Assim, podemos concluir que a destruição dos bens só está fazendo com que a empresa continue com um resultado um pouco pior do que poderia ter, gastando mais por falta de zelo. E, muitas vezes, esse poderia ser o valor a ser investido no pessoal. Enfim, quanto menos você fizer a empresa gastar, maiores são suas chances de conquistar melhores condições de trabalho.
Precisamos entender que quando procuramos fazer o melhor na função, estamos pensando primeiro em nós, e não na empresa, pois trabalhamos para atender às nossas necessidades e desejos. Muitas vezes concluímos que a empresa não reconhece e nos sentimos meio abandonados. Mas se você tiver em mente que está investindo em você, vai procurar fazer o melhor, mesmo que seja para conseguir, o mais rápido possível, uma oportunidade melhor em outro local. Pode ter certeza que esse comportamento vai torná-lo um profissional melhor.
Existem centenas de outros pensamentos e comportamentos como esses que afetam diretamente na formação de um bom profissional. Existem muitos profissionais, até mesmo alguns que conhecemos, que comprovadamente são excelentes tecnicamente, mas não conseguem evoluir ou mesmo ter sucesso no que fazem por vários motivos, entre eles, achar que não estão trabalhando para si.


