Por que Investir na Internet?

Há três anos atrás a chamada nova economia era incensada como a verdadeira salvação econômica do mundo, iria trazer o maná da prosperidade em meses, ou até dias, para o presidente e para o office-boy de cada empresa. Buda dizia que o caminho do homem é o caminho do meio, ou seja, do equilíbrio, do centro, distante dos extremos. No nosso dia-a-dia, no entanto, parece que ninguém gosta de seguir esse ensinamento. O ser humano gosta de extremos: ou está tudo maravilhoso, ou então, tudo péssimo; ou se está eufórico ou em depressão. É 8 ou 80, não existe meio termo.

Veja o caso da Internet e das empresas ponto-com. Há três anos atrás a chamada nova economia era incensada como a verdadeira salvação econômica do mundo, iria trazer o maná da prosperidade em meses, ou até dias, para o presidente e para o office-boy de cada empresa. Depois da queda violenta da Nasdaq, bolsa americana das empresas de tecnologia, o humor do mercado despencou e para alguns, investir numa empresa ponto-com passou a ser mais arriscado que vender farinha de trigo na Rocinha.

Saímos da “e-euforia” diretamente para a “e-depressão”, sem nenhuma escala num patamar razoável de bom-senso calcado na realidade dos números, como pretendemos demonstrar nesse artigo.

A questão primária quando se fala na utilização da Internet como um novo canal de comercialização é: quantas pessoas já estão conectadas a Web, e portanto expostas a comunicação e estratégias mercadológicas, e quantas estarão num horizonte razoável de tempo. Isto porque é esse o público alvo das empresas que atuam na Internet.

Se você tem um público de mais de 160 milhões de internautas como é o caso dos Estados Unidos, maravilha; porém, se você atua num mercado que ainda não atingiu o volume de 60 mil pessoas, como é o caso de Cuba, a perspectiva de sucesso de qualquer empreendimento ponto-com é… desanimadora, para não ser mal-educado com o comandante Fidel.

Como era de se esperar, não chegamos ao paraíso como é caso dos Estados Unidos, mas já saímos há muito tempo do inferno, como no caso Cubano. As últimas pesquisas indicam que no Brasil mais de 12 milhões de pessoas estão conectadas à Internet, o que já não é pouca coisa, principalmente se considerarmos a qualificação desse público, majoritariamente classes A e B, ou seja, a camada da população de maior renda e, portanto, com mais capacidade de consumo.

Mais importante que o momento atual, no entanto, são as tendências. O quadro abaixo, mostra a evolução do número de usuários da Internet no Brasil. Por motivos de espaço utilizamos apenas dois anos mas a série completa encontra-se em www.e-commerce.org.br/stats2.htm

POPULAÇÃO DE INTERNAUTAS NO BRASIL – Pesquisas selecionadas

Usuários (milhões) Nº de Meses Acumulado Crescimento Acumulado Cresc. Mensal médio % da População
set/2001 12,04 50 947% 19% 7,0
jul/1997 1,15 1

Fonte: www.e-commerce.org.br / base pop. : 172 milhões

Observa-se que de Julho de 1997, período em que o mercado ultrapassava a marca de um milhão de usuários, até Setembro de 2001, pouco mais de quatro anos, houve um crescimento acumulado de 947% no número de usuários, o que, fazendo uma média simples, representa um expressivo crescimento de 19% ao mês.

Outro dado relevante é a penetração da Internet junto à população que na última pesquisa atingiu 7,0%. Como parâmetro de comparação, o mercado americano já atingiu em um período de pouco mais de 10 anos a marca de 60% da população conectada à rede. Obviamente, a expansão de um mercado depende muito da conjuntura econômica do período em questão, além de variáveis sócio econômicas de cada país, dessa forma, seria uma simplificação grosseira “importar” as taxas de crescimento verificadas no mercado americano para o Brasil.

Porém, o grau de penetração serve como um importante indicador do espaço de crescimento disponível no mercado. Quanto maior é a distância do limite de 100% da população, maior é a possibilidade de crescimento e nesse aspecto, os números mostram claramente que o mercado brasileiro tem um enorme espaço a ser ocupado.

Em estudo realizado no final do ano passado para o Cietec – Incubadora de empresas de tecnologia instalada na Universidade de São Paulo, utilizamos os dados acima, juntamente com outras variáveis, para estimarmos o mercado representado pela Internet nessa primeira década do novo milênio. O cenário projetado é seguinte:

Ano 2011
População Brasileira 199,9 milhões de habitantes
População conectada à Internet 52,9 milhões de internautas
Percentual da população conectada 26,5 %
Taxa de crescimento anual 2001-2011 19 %

Como se vê, o cenário mais plausível, o intermediário, nos indica quase 53 milhões de pessoas conectadas a Web daqui a nove anos. O que embora pareça uma enorme quantidade de pessoas, vai representar pouco mais de um quarto da população brasileira na ocasião, muito abaixo do porcentual de pessoas que tem acesso à televisão e ao telefone já nos dias de hoje.

Para os reticentes, vale dizer que o Yankee Group, Instituto de Pesquisa Americano, em um estudo chamado “A Second Wave: The Brazilian Internet User Forecast” projeta para o Brasil o número de 42,3 milhões de usuários de Internet já em 2006, início da segunda metade do decênio em questão. É preciso dizer mais?

Evidentemente, só a existência do mercado não representa necessariamente o sucesso absoluto do Comércio Eletrônico e das empresas ponto-com. Outras variáveis devem ser consideradas, como comportamento do consumidor on-line e o próprio desempenho das empresas em satisfazer as necessidades desse consumidor, entre outras coisas, mas isso fica para um próximo artigo.

O que queríamos demonstrar é que, a não ser que haja uma reversão completa do quadro evolutivo da tecnologia e de todas as tendências observadas até aqui, o horizonte próximo mostra um enorme e promissor mercado para ser conquistado nos próximos anos e isso independe de questões conjunturais e ajustes do setor, como a quebra de empresas artificialmente valorizadas pela especulação ocorrida na NASDAQ. Quem duvidar disso, corre o risco de perder o foguete da história.

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