Por que não? – Carlos Pedrosa

Uma simples pergunta pode transformar uma idéia criativa em realidade funcional. Tenha atitude, encontre sua motivação para investir naquela idéia e chegue ao sucesso.

Há alguns anos, alguém teve uma idéia inovadora. Em meio à mídia tradicional, a idéia era de um jornal gratuito, que abrangesse o mundo todo. Formatação, diagramação, linguagem, enfoque jornalístico, tudo deveria ser inovador, para que produzisse o choque e realmente encantasse o leitor. Porém, sempre as inovações causam temores, principalmente entre os mais fracos e céticos. No seu bojo, trazem um certo grau de risco pelo que contêm de desconhecido. Quem se arrisca a trocar o certo e seguro pelo incerto e temerário? Quem? Ninguém é louco todos os dias ao ponto de embarcar em uma loucura qualquer.

A mídia tradicional – e excessivamente formal – logo recusou a idéia. Redatores, editores, diagramadores, diretores de redação – do nível mais alto ao mais baixo – todos torceram o nariz. Depois, torceriam outras coisas mais. Porém, de raiva. Aliás, raiva bem merecida pela oportunidade que perderam.

Como toda idéia aparentemente louca sempre tem sua lógica e encontra um louco para aceitá-la, após inúmeras e infindas reuniões surgiu alguém que perguntou: “Por que não?”. Claro! Por que não? Uma idéia tão inovadora produziria um jornal realmente inovador, dinâmico, avançado, talvez muito avançado para o seu tempo. Assim surgiu um jornal que logo se espalhou pela América do Norte, Europa e Ásia. Um jornal que não se mede a metro, mas pela tiragem em milhões de exemplares. Um jornal internacional: o maior jornal do mundo. E a mídia tradicional recusou a idéia.

Algo parecido já havia ocorrido no Brasil, lá pelos idos de 1937. Após ter administrado e saneado uma emissora de rádio, em crise, um certo profissional viu-se diante da possibilidade de comprá-la. No seu íntimo deve ter perguntado: “Por que não?”. Arregaçando as mangas – e o bolso – lançou-se à tarefa e cumpriu a missão. Segundo um antiqüíssimo provérbio chinês, “uma caminhada de mil quilômetros começa com o primeiro passo”. E aquele foi apenas o primeiro passo de uma trajetória surpreendente.

Hoje, aquela incipiente emissora é um grupo de comunicação, sólido o bastante para gerar outros frutos: uma boa semente. Após ter fundado outras emissoras em outros estados, lançou uma emissora de TV, que também se transformou em uma rede. Não apenas isso. Hoje também está presente em outros países. Lançou um canal rural, que já é um dos principais – talvez o melhor canal de agronegócios deste País. Segundo leiloeiros e empresários, é realmente o melhor. Não apenas isso: também aquele jornal internacional, recusado pela mídia tradicional, já chegou ao Brasil trazido por esse mesmo grupo. E tudo começou com aquele longínquo “Por que não?”.

Assim têm sido as grandes realizações. Foi assim que a França se libertou e a Rússia reverteu a maré da guerra, depois de os invasores terem chegado às portas de Moscou. Foi assim que Santos Dumont acrescentou a dirigibilidade ao “charuto voador” da época, criou o 14Bis e o Demoiselle e realizou o primeiro vôo de um avião de fato e de direito. Foi assim que outras inteligências criaram maravilhas como o telégrafo, o rádio, o radar, a penicilina, a vacina contra a poliomielite, os transplantes e outras “loucuras” que hoje são realidades e necessidades da humanidade.

Sem isso, Karl Benz não teria inventado o automóvel, na época das “carruagens sem cavalo”, nem Robert Bosch – seu contemporâneo – teria inventado o magneto de alta tensão, que solucionou o problema da ignição nos automóveis da época, nem Pedro Álvares Cabral teria “descoberto” o Brasil. Sem dúvida, Thomas Alva Edison não teria inventado a lâmpada nem a General Electric e Henry Ford não teria criado a Ford nem a linha de montagem. Também eles devem ter se perguntado: “Por que não?”.

Uma simples pergunta resume a atitude que cada um de nós deve adotar e fazer a si mesmo. Diante de novos desafios, as pessoas tendem a se retrair, como se estivessem buscando uma forma de se proteger. Não querendo enfrentar o desconhecido, deixam escapar oportunidades que só costumam aparecer uma vez na vida. Ainda que as novas idéias, os novos projetos, as novas soluções, os novos produtos, as novas mídias, pareçam loucura do professor Pardal, é preciso procurar a lógica embutida nessas idéias e verificar a viabilidade das propostas.
Se todas as inovações tivessem sido recusadas, ainda hoje não teríamos o submarino, nem o transatlântico, nem os jumbos, nem os automóveis, nem a radiografia, nem a radiação nuclear magnética, nem os transplantes, nem muitas outras realidades do nosso cotidiano. Em vez de duvidar e de recusar as inovações, deve-se adotar o pensamento questionador. Por que não?

Quando a direção superior lhe propuser assumir aquele cargo tão ambicionado por seus colegas, não se perca em receios infantis. Faça como tantos outros já fizeram em épocas diferentes, em situações diferentes. Mesmo com um forte conteúdo de imponderabilidade, não titubearam diante da oportunidade inusitada. Motivação é algo que trazemos dentro de nós mesmos. A coragem em assumir novos desafios e maiores responsabilidades faz parte da motivação.

Se alguém não tem essa coragem, então não tem motivação para nada. Mantenha a mente aberta, esteja sempre “antenado” para as inovações e para as oportunidades, que devem ser suas. Mas lute por elas e tenha coragem de enfrentar as situações. Para se manter “ligado”, coloque no seu ambiente de trabalho um quadro que você e seus colaboradores possam ver todos os dias e que seja uma inspiração para todos – um quadro com a pergunta: “Por que não?”.

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